Luanda - Introdução. A educação é um problema tão antigo quanto a humanidade. Em todas as sociedades, povos e culturas, existe educação. No plano geral a educação é classificada como formal – aquela que é dada pelas escolas, e informal – que é dada noutros ambientes fora do contexto escolar, mas que tem como fim a construção da pessoa e a necessária integração e submissão aos padrões que a sociedade exige.


Fonte: Club-k.net


É bom frisar que alguns autores defendem uma educação irreverente. Um a educação que subversiva, que não se submeta necessariamente aos padrões pré-estabelecidos, mas sim, que promova a liberdade, a criatividade individual a qualquer preço.

 

No plano comum, pensa-se que existe educação em si e por si, ou seja, educação pura.  Devo dizer que a educação em forma de acto puto, fora de qualquer influxo externo não existe. Ou seja, ela está condicionada pela economia, cultura, e mais condicionada ainda pela política reinante, que submete a classe oprimida a sua cosmovisão, favorecendo o desdobramento a bel-prazer das aves de rapina. Sendo a educação, condicionada pela trilogia acima expressa, é imperativo levantar as seguintes questões: a educação liberta ou oprime? A educação é neutra? A educação defende os interesses de uma classe privilegiada ou está para os interesses nacionais? A educação é um meio para a promoção e integração social ou para a exclusão? Aquele que estudou está automaticamente habilitado para ter acesso aos bens que o proporcionarão qualidade de vida? A educação é para vendar os olhos da consciência ou é para acender a luz? A educação é boa coisa ou não? A educação tira-nos da caverna ou aprofunda a caverna?
 


I. Justificações da Pedagogia do Parto
 


Porque Pedagogia do Parto? A Pedagogia do Parto é uma nova teoria da educação, que está a ser construída por mim. Ela é um projecto do futuro que visa responder a todos os povos. Ai onde se revela todo o tipo de opressão. Ela tem uma aplicabilidade universalista. Ela visa criar instrumentos cognitivos para a produção de conhecimentos e pronta reacção a múltiplas formas de opressão. Opressão que se manifesta a vários níveis:

 

1)      Na relação inter subjectiva
2)      Na relação professor aluno
3)      Patrão e empregado
4)      Na relação governantes e governados,
5)      No plano internacional,


 
Se é a educação que molda os indivíduos na sua forma de ser, estar e agir, então, precisamos de uma Pedagogia que responda não só aos princípios tradicionais da educação: transmissão de conhecimentos, valores e competências, mas também, deve propiciar um renascimento nas práticas e nas relações dos indivíduos. Este renascimento é que trará justiça e equilíbrio, evitando que uns sejam pisotiados.

 

É assim que a Pedagogia do Parto defende a reformulação na forma e intervenientes na formulação das políticas educativas, defende a introdução de um arcabouço epistemológico que responda as dinâmicas social, política, económica e cultural.
 
 
 
 
Um arcabouço epistemológico do sentir popular, produzido por intelectuais e investigadores que vão ao encontro das comunidades, mesmo sem qualquer orientação escolástica tradicional das universidades.

 

Uma razão imprescindível da pedagogia do parto reside na ausência total de reacções por parte dos injustiçados Porém, o quadro de miséria, endemias, guerras, corrupção, escola opressora e dominante justificam a necessidade de uma Pedagogia nova que responda as ansiedades das pessoas e as permita defender-se das peripécias que vivemos e muitas vezes parece impossível resolvê-las. Esta premissa fundamenta-se no espírito da aprendizagem. Só podemos afirmar que um individuo aprendeu quando é capaz de resolver os problemas que se lhe aparecem na vida diária e dos problemas que o mundo vive e um dos grandes é a opressão multifacial. Hoje, o conceito de inteligência perfilha a mesma linha de orientação, ou seja, o inteligente não é aquele que armazena milhões de dados no seu disco duro, mas sim, aquele que é capaz de responder as situações que se lhe apresentam. Não queremos de modo nenhuma, afirmar que não devemos memorizar. Existem informações que são imprescindíveis: datas, nomes, factos marcantes, etc.
 
II. Contexto
 
Embora a nossa proposta Pedagógica tenha como palco inspiracional, a África, concretamente Angola, ela visa dar sentido e resposta a vida de milhões de pessoas que abominam as injustiças e opressões ou porque são vítimas directas e indirectas ou porque a luz da coincidência impera
Talvez o contexto não seja importante, porque todo pensador é fruto do seu tempo relações e espaço. Assim como Aristóteles, Platão, J.A. Coménio, J. Rousseau e Paulo Freire produziram um pensamento que visou responder as necessidades educativas da Europa e da América Latina de então, mas que não deixaram de ser universais, também nós pretendemos caminhar para a mesma estrada.
 
III. Fundamentos da Pedagogia do Parto
 
O nosso ponto de partida é aquilo que nós entendemos como nascimento prematuro de África enquanto nação única, sem necessariamente pretender a uniformidade do continente. Reconhecemos a sua rica diversidade: África Árabe, Francófona, Anglófona, e Lusófona. As suas variadas etnias e línguas.
O nascimento prematuro de África a inviabilizou de criar uma base fundacional da organização politica, económica, social, cultural e religiosa. Sendo assim, é uma criança que precisa uma incubadora para o equilíbrio e necessário desenvolvimento dos aspectos vitais! África precisa nascer de novo. Assim como Cristo disse a Nicodemos para nascer de novo, aqui o poder da palavra do professor associado ao seu agir terá um poder salvífico e transformador do homem africano e de África. Tem de ser a comunidade educativa a fazer que a África nasça de novo. Um nascimento que pressupõe uma transformação do homem africano. Para que este renascimento aconteça teremos que introduzir nas escolas africanas e noutras do mundo os pressupostos da Pedagogia do Parto.
 
 
 
IV. Articulações necessárias 


 
Hoje, todo o saber pressupõe saberes anteriores ou auxiliar. Assim, a Pedagogia do Parto encontrou parceiros importantes como: a Pedagogia da Libertação e do oprimido, a Pedagogia Profética, Ciência Politica, Cristologia Descendente sem ramificações humanas, Escatologia Horizontal e actual.


 
V. A nossa ética
 


Defendemos o arcabouço axiológico necessário para uma formação humana razoável.
A pedagogia do parto tem como meta, a ética dos mínimos universais. Sendo ela, não só um instrumento de formação profissional e de produção de conhecimentos, defende uma Antropologia e Psicologia realistas que em última instancia pode usar da violência para repor a justiça e a verdade.

 

A violência a dividimos em: verbal, psicológica e física. A física por sua vez tem três níveis: manifestações pacíficas discursiva, manifestações pacificas de rua e conflito armado civil.
 


Conclusão
 
A Pedagogia do Parto é uma proposta Pedagogia nova e universalista que tem como contexto África.


Ela visa formar o homem todo e todo homem.
Promoverá a produção do conhecimento na comunidade e fora dos paradigmas escolásticos tradicionais.

Visa repor o equilíbrio nos diferentes níveis das relações humanas.
Visa a produção de saberes múltiplos e realistas.


 Bibliografia
 

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