Luanda - O financeiro da Divisão da Polícia Nacional no município da Samba, em Luanda, Adriano Muhanda, encontra-se detido há duas semanas, segundo apurou este jornal.


*Foto ilustriva/DG DNIC
Fonte: O Pais
 

O director provincial de Luanda da Investigação Criminal, António João, confirmou a O PAÍS a detenção do chefe das finanças da Divisão da Samba, mas recusouse a avançar mais pormenores sobre os motivos que o levaram ao cárcere.

 

“É verdade que está detido, mas não posso avançar mais nada. O processo ainda está em curso”, assegurou o responsável da Direcção Provincial Investigação Criminal (DPIC), na quartafeira, 21. 

 

Apesar de não pertencer ao quadro militar, Muhanda é apontado como figura principal num esquema de processamento de salários na sua repartição, em que integram ainda os nomes de indivíduos falecidos há cerca de 10 anos, cujos familiares receberiam apenas o salário base durante seis meses.

 

Constam também das folhas de salários agentes e outros quadros que desertaram da corporação, assim como cidadãos civis, identificados como supostos familiares do detido.  A operação, que contou com a participação da Polícia Económica e de Investigação Criminal, detectou indícios que evidenciam o mesmo “modus operandi” nas divisões do Cazenga, Sambizanga e Ingombota, onde também surgiram igualmente pessoas que nunca fizeram parte da corporação tutelada pelo Ministério do Interior.

 

De acordo com uma fonte que participou da operação, os supostos familiares e os agentes auferiam salários entre os 200 e 400 mil Kwanzas, valores atribuídos a oficiais superiores da Polícia Nacional, como subcomissários e comissários.

 

“O próprio Banco de Poupança e Crédito, apesar do processo de bancarização dos salários, foi vendo que dava muito mais dinheiro que o necessário. Por isso, a direcção do banco forneceu vários extractos bancários que facilitaram a operação dos investigadores da DNIC e da Polícia Económica”, explicou um dos integrantes do grupo.

 

O Comando Provincial de Luanda, segundo o investigador, tinha dificuldades de pagar os salários dos seus efectivos, que acontecia particularmente entre os dias 15 e 16 de cada mês. 

 

Um oficial do Comando Provincial da Polícia Nacional explicou que nos últimos dias têm feito um levantamento do pessoal, um procedimento que considera como normal porque acontece todos os anos.

 

Segundo o oficial do CPL, tratase de um mecanismo de gestão de recursos humanos, onde, naturalmente, podem ser detectada algumas irregularidades.

 

Os directores provinciais das Finanças e dos Recursos Humanos do Comando Provincial de Luanda podem ser arrolados no processo, para se apurar se houve ou não negligência dos mesmos.        

 

 Em visita de trabalhos em Benguela, o comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, reconheceu a existência de fantasmas na sua corporação.



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