Luanda - O líder da UNITA, Isaías Samakuva, mostrou-se reservado com a institucionalização das eleições autarquias sem a alteração da composição e o funcionamento da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Fonte: Vanguarda

Como noutras disputas eleitorais no País, a UNITA queixou-se de alegada fraude nas eleições gerais de 23 de Agosto de 2017, apontando o dedo acusador a CNE.

“Vamos realizar as eleições autárquicas sem alterar primeiro a composição e o funcionamento da Comissão Nacional Eleitoral, que sempre foi controlada pelos marimbondos que escolhem as empresas que fornecem a logística eleitoral, ditam à CNE os resultados eleitorais e que interferem sempre no seu funcionamento?, indagou-se o presidente da UNITA, Isaías Samakuva.

O presidente da UNITA discursava ontem na abertura das VIII jornadas do Grupo Parlamentar da UNITA, que decorre de 9 a 14 de Setembro, nas províncias da Huíla e Cunene.

Entre vários questionamentos sobre as eleições autárquicas, Isaías Samakuva quer saber se o ano pré-eleitoral vai terminar sem o Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado (MAT) sem disponibilizar as bases de dados do Registo eleitoral por município.

“Vamos terminar o ano pré-eleitoral sem o MAT publicar as Bases de Dados do Registo Eleitoral por Município?”, perguntou, numa alusão de que: Também é urgente e imperativo que seja descontinuada agora, antes das eleições autárquicas, a prática de manter os órgãos da administração eleitoral com uma maioria indicada pelo Partido que promove a corrupção eleitoral.

Na ocasião, o líder da UNITA acusou ainda o governo central de exclusão ao sul de Angola, pois a referida região “só beneficia de menos de 3% da despesa total do Orçamento Geral do Estado (OGE), para uma população estimada de 17% daquela população.

“O Sul de Angola comporta as províncias da Huila, Namibe, Cunene e Kuando Kubango que, segundo o último censo populacional, albergam uma população combinada de quatro milhões, novecentos e cinquenta e oito mil, duzentos e oitenta e quatro habitantes. Esta população corresponde a 17% da população do país”, considerou.

Segundo o político da UNITA, o desemprego cresce todos os dias e as autarquias têm o potencial de empregar cerca de seis mil cidadãos, em todos os municípios, sendo 4,800 deputados às Assembleias municipais, 1175 secretários das câmaras municipais e 164 presidentes das câmaras municipais. ´

“O MPLA não quer pagar salários aos deputados municipais. Pretende que eles assistam apenas a 4 reuniões anuais e recebam fichas de presença, quer dizer um subsídio de Kz 10.000.00, digamos por cada reunião. Por outro lado, quer que todos os excedentários e fantasmas da Administração Pública sejam empurrados para as autarquias. É mesmo este o melhor modelo para Angola?”, questionou.

Mais adiante, pediu a criação de autarquias actuantes, que “entram nos becos dos bairros para servir as populações”, que levem os adubos, a assistência técnica e a segurança da produção aos camponeses durante todo o ano, com chuva ou sem chuva, que façam boa gestão dos hospitais móveis; que façam a manutenção devida das vias terciárias e que garantam tanto o escoamento da produção agrícola como a sua comercialização em tempo útil.

“Acredito que há espaço para concertação e diálogo com os nossos irmãos do MPLA. Vale mais fazermos as coisas devagar, mas bem-feitas, bem pensadas, para que os angolanos todos, em todos os municípios, beneficiem do Poder local”, apelou. Vanguarda

 

 



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