Luanda - O analista político, Belarmino Van-Dúnem, afirmou hoje que os maiores aliados de Angola no plano diplomático são os outros países africanos, mas acrescentou que a "cumplicidade" entre Portugal e Angola deve ser valorizada e interessa aos dois países.

Fonte: Lusa

Os principais aliados do Presidente da República, João Lourenço, do ponto de vista da diplomacia angolana, "aqueles com quem, de facto, se pode contar para a cooperação" são os países africanos "porque enfrentam os mesmos problemas", declarou à Lusa o especialista em relações internacionais.

 

A presença de João Lourenço nos palcos internacionais e o respeito que tem adquirido tornou-se ainda mais visível quando o chefe do executivo angolano acolheu, este ano, duas cimeiras quadripartidas com o Uganda, o Ruanda e a República Democrática do Congo, rompendo até com u"ma certa tradição africana" de serem ex-chefes de estado já retirados, mas com peso político a fazer essa mediação, adiantou Van-Dúnem.

 

Já no que diz respeito aos países ocidentais ou países asiáticos como a China, o docente de Política Externa e Diplomacia, aponta "condicionalismos" ligados aos objetivos dos próprios países que passam também por capitalizar os investimentos que fazem no exterior.

 

"A China já manifestou que não está tão disposta a investir nos países africanos como estava, porque o retorno não é o que se esperava do ponto de vista da eficiência do investimento, ou seja, não há obra para mostrar face aos fluxos financeiros", que foram canalizados para muitos países, considerou.

 

Belarmino Van-Dúnem afirmou que João Lourenço, que "até já é conhecido como 'o exonerador' tem procurado "adaptar a sua máquina", mas frisou que "Angola tem ainda por resolver algumas questões", aludindo ao branqueamento de capitais "e outras situações pouco claras e que não dizem respeito apenas a Portugal".

 

Sobre a relação com Portugal, afirmou que é "a plataforma de entrada de Angola, quer para a União Europeia, quer para outros países como os Estados Unidos" um interesse de que Portugal também beneficia, pois o país africano é também uma "plataforma para os portugueses se projetarem na região", dando exemplo de países como a República Democrática do Congo ou a África do Sul.

 

Destacou que "é do interesse de Portugal que Angola estabilize", mas o mesmo acontece com Angola, tendo em conta "a predisposição" de Portugal para investir no país africano e de que este precisa.

 

Lembrou que, mesmo em tempos de crise, a linha mais rentável na aviação sempre foram os voos Luanda-Lisboa, o que "é muito significativo" e, mesmo na altura, em que as relações políticas "não eram famosas", as relações económicas e financeiras sempre existiram.

 

Belarmino Van-Dúnem vê entre os dois países uma "cumplicidade" que ultrapassa os laços históricos e defendeu que deve ser "aprofundada", aproveitando o bom momento do relacionamento bilateral.



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