Lisboa – As ligações de empresas angolanas ao financiamento do movimento xiita Hezbollah levou com que Angola fosse recentemente acusada de se ter tornado “numa base do paraíso islamista” deste grupo terrorista libanês. A acusação consta de um “assessment” intitulada “O Elo Hezbollah-PCC-Angola e Empresas de Relações Públicas”, produzido no mês passado pelo perito brasileiro em questões de terrorismo, Max Coutinho.

* Paulo Alves
Fonte: Club-k.net

Conexões do Hezbollah  prejudicam   aproximação a  Trump

De acordo com a sua defesa, “Angola, sob a batuta do Presidente João Lourenço, é praticamente uma base do Hezbollah e um paraíso Islamista. Também se diz que Luanda teve o descaramento de ameaçar um aliado chegado dos EUA de modo a “encorajá-lo” a ajudar Angola a justificar o desaparecimento de US$3 mil milhões para fazer parecer que pagou dívidas quando na verdade esses fundos foram desviados para as mãos dos seus amigos do Médio Oriente.”

 

Para o analista as alegadas conexões do Hezbollah a Angola podem prejudicar a uma eventual aproximação ao Presidente Donald Trump, mesmo que Luanda esteja a contratar os serviços da Squire Patton and Boggs “para limpar a sua imagem em Washington, já que o Presidente João Lourenço quer aproximar-se mais da América – ainda que tenha declarado, no dia da sua tomada de posse, que segue o Paradigma do Comunismo Chinês.”

 

O autor da analise lembra que “Quando as empresas americanas (entenda-se: Squire Patton and Boggs) ajudam países como Angola, na verdade, militam contra os esforços do Governo na luta contra o Terrorismo (e todos os crimes internacionais que o financiam); logo tais companhias perigam os Interesses de Segurança Nacional e deveriam ser punidas – juntamente com os elementos dos Serviços Secretos que as apoiam.”

 

“Tendo este rascunho em mente, imaginem Luanda, um estado que alimenta laços com Grupos Terroristas, a querer o favor do Presidente Trump (um presidente que jurou trabalhar para a melhoria da vida dos povos do mundo) pela modesta quantia de US$4.1 milhões”, diz o analista.

 


O cerne da questão levantada pelo consultor Max Coutinho está relacionado ao empresário libanês Kassin Tajedeen, que em controlava empresas angolanas como a Arosfran, Golfrate e Afribelg, citado em 2011, pelo Departamento do Tesouro americano como sendo financiador do Hezzbolah.

 

No mês passado, Kassim Tajideen, de 63 anos, foi sentenciado nos Estados Unidos a cinco anos de prisão e condenado a perder US$ 50 milhões. O mesmo se declarou culpado de lavagem de instrumentos monetários e violação de sanções, segundo um comunicado da justiça americana.

 

Apesar de ter sido expulso de Angola, os negócios de Kassim Tajideen ficaram com o seu advogado Rui Constantino Ferreira, ao tempo exercendo as funções de Presidente do Tribunal Constitucional.

 

As autoridades americanas, tem feito diligencia no sentido de ver esclarecido este assunto por no seu entender haver provas de atividades continuas de financiamento ao terrorismo, uma vez que as empresas herdeiras da Arosfran (ALLCOMERCE, ALIMENTA ANGOLA e etc), passaram para a gestão de Sidney Manita Ferreira (em representação do seu pai, o Juiz Rui Ferreira) e de Moahmed Tajedeen (representando o seu pai Kassin Tajedeen).

 

A sustentação de ocorrência de alegadas “atividades continuas de apoio ao Hezzbolah”, é baseada no facto de a família Ferreira repatriar (por via do Banco BIC) dividendos dos lucros dos negócios em comum, para um irmão de Kassin Tajedeen, de nome “Hamed” que se encontra baseado na Bélgica. O esquema de envio de dinheiro a Hamed, é feito a partir da “Ango-Alimentos”, empresa de bens alimentar pertencente a família Ferreira que comercializa alimentos ao norte da fronteira do Luvo, na província do Zaire, com a República Democrática do Congo.

 

No passado dia 22 de Setembro, a embaixadora dos Estados Unidos da América, Nina Maria Fite reuniu-se com o novo ministro do Interior, Eugénio Laborinho tendo manifestado o interesse do seu país em apoiar Angola na investigação de crimes de branqueamento de capitais, e financiamento ao terrorismo e tráfico de seres humanos. Transmitiu igualmente ser interesse dos EUA estreitar mecanismos que possam tornar mais efectivo o intercâmbio de dados migratórios com Angola.

 

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R.

 

 

 

 

 



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