Luanda - Em minha simplicíssima opinião, acho que o fenómeno do Desemprego em Angola, assim como em qualquer parte do mundo, deve continuamente ser “analisado, reanalisado, discutido e rediscutido” através das circunstâncias e das flutuações ou mutações constantes do próprio ambiente económico e do mercado em si. Nós, estamos situados num continente – “claro que é o nosso” – que é classificado como sendo o “mais Jovem do mundo”, em relação aos outros, em termos de faixa etária da sua população, mas ao mesmo tempo, lhe é estimado a mais alta Taxa de Desemprego, afectando sobretudo, a sua população Jovem. À acrescer à este dado, ainda neste ano de 2019, em visita de trabalho ao nosso país, um dos altos responsáveis do Banco Mundial para África, como forma de proposta, afirmou que o “continente africano precisa criar, pelo menos, um milhão de empregos em cada mês, para fazer face ao elevado índice de desemprego e aumentar a qualidade de vida dos seus cidadãos”.

Fonte: Club-k.net

No entanto, vamos tentar viajar neste mundo complexo de se analisar, que é o fenómeno do “Desemprego Jovem”. Na verdade, é uma tentativa de querer explicar o volume de pessoal Jovem sem emprego, mas disponível a trabalhar, e à procura de trabalho, que normalmente é situado no intervalo etário dos 15 aos 24 anos, segundo as Estatísticas Oficiais.


Entretanto, no nosso dia-a-dia, é fácil vermos indivíduos Jovens com energia de trabalhar mas sem trabalho. Certamente, conhecemos muitos Jovens vivendo esta situação. Uns tendem, e vão indo procurando emprego, solicitando em organizações ou empresas, outros solicitando através de Centros de Emprego ou por outras fontes – como por exemplo os sites de recrutamento – e uns pessimistas, sem vontade de procurar, as vezes por uma má experiência vivida neste processo de procura ou ainda simplesmente por ouvir contada tantas vezes experiências de procura de emprego mal sucedidas, de outras pessoas. Por isso, sentem-se simplesmente cansados de tanta procura. Há mesmo relatos de Jovens que dizem estando já há quatro ou cinco anos a enviarem candidaturas à empresas, porém, sempre sem sucessos, por isso, decidem parar de procurar.


Por esse motivo, uma das grandes questões, reside nos Dados Estatísticos. Isto, é, em saber- se realmente, “que percentagem de Jovens Desempregados, tem o país ou até que ponto, os Dados Estatísticos sobre o Desemprego Jovem, aproximam-se efectivamente à nossa realidade”.


Segundo os Dados Estatísticos definitivos do Censo Geral da População e Habitação realizado de 16 à 31de Maio de 2014, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a Taxa de Desemprego a nível nacional situava-se em 24 por cento e atinge Sobretudo a População Jovem dos 15 aos 24 anos.


De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, divulgados em Outubro de 2017, em Angola, 20 por cento da população em idade activa está desempregada. E os Jovens são os mais afectados, estando 46 por cento deles, isto é, entre os 15 e os 19 anos, sem emprego.


Já em 2018, no âmbito do dia mundial pelo trabalho decente, o Sindicato dos trabalhadores, informou que cerca de cem mil (100.000) postos de trabalho foram encerrados em Angola, desde que despoletou a crise económica, isto, é, finais de 2014, com maior incidência na construção civil. Não há detalhes, mas é quase certo que uma boa parte destes postos de trabalho encerrados são de Jovens trabalhadores. E, ainda esclareceu – o Sindicato dos trabalhadores – que os dados oficiais estatísticos, quer dos Ministérios da Administração Pública, Trabalho, e Segurança Social e da Economia, apresentavam uma taxa de Desemprego de 20 à 24 por cento.


Muito recentemente, isto é, neste ano de 2019, segundo conclusões divulgadas em Luanda, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), relativo ao mais recente Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA), cerca de 37 por cento dos Jovens entre os 15 aos 24 anos está inserido no mercado do trabalho em Angola, e um quarto dos Jovens entre os 15 aos 17 anos comprometem a formação escolar básica, por estar precocemente, Inserido no mercado de trabalho, e 11,9 por cento dos Jovens dos 15 aos 17 anos de idade, está somente a trabalhar, enquanto 24,9 por cento da faixa etária entre os 15 aos 24 anos além de não trabalhar, também não estuda.


O referido Inquérito, ainda refere que a taxa de Desemprego no país registou um aumento de 8,8 por cento nos últimos dois anos – Isto é, desde 2017 até ao referido período de 2019 – tendo passado de 20 por cento para 28,8 por cento, da população entre os 15 e os 64, anos. Porém, o Desemprego, entre os Jovens da faixa etária dos 15 aos 24 anos, atingiu um total de 52,4 por cento.


E, conforme os Indicadores de Emprego e Desemprego, resultantes do Inquérito ao Emprego em Angola (IEA) durante o Segundo Trimestre do ano de 2019, publicados pelo INE, por meio da Folha de Informação Rápida (FIR), na sua primeira Edição de Agosto de 2019, cerca de 35, 9 por cento dos Jovens, estavam Inseridos no mercado de trabalho – não havendo diferenças estatisticamente significativas entre homens e mulheres. Sendo que, 35,3 por cento dos Jovens Inseridos corresponde aos Homens, e 36,5 por cento dos Jovens Inseridos corresponde às Mulheres – e a Taxa de Desemprego, dos Jovens da faixa etária dos 15 aos 24 anos, é estimada em 53,8 por cento. Sendo que, 55,2 por cento dos Jovens Desempregados corresponde aos Homens, e 52,5 por cento dos Jovens Desempregados, corresponde às mulheres.


Segundo o INE, os resultados do Inquérito ao Emprego em Angola (IEA), “servirão de suporte à monitoria do mercado de emprego assim como para sustentar a formulação de políticas macro económicas e avaliação dos programas sociais em particular sobre a criação de emprego e redução da pobreza em Angola. Outrossim, objectivam – os resultados – o acompanhamento e avaliação dos progressos feitos na implementação das iniciativas relacionadas com emprego previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) e outros compromissos internacionais, em particular na avaliação das flutuações e tendências do mercado de trabalho e evolução das condições de vida da população residente no território nacional”.

Todavia, como se chegam à estas Percentagens ou à estas Taxas?


Na prática, a forma mais comum de cálculo da taxa de Desemprego, diz que ela, a taxa de Desemprego é igual ao conjunto da população desempregada, dividida pelo conjunto da população economicamente activa, multiplicado por cem. Neste caso concreto, a “Taxa da população Jovem Desempregada”, é igual ao conjunto da “população Jovem Desempregada”, dividida pelo conjunto da “população Jovem Economicamente activa”, multiplicado por cem.


Logo, a grande questão está na definição, de quem realmente faz parte do conjunto da “população Jovem Desempregada” e na definição de quem realmente faz parte do conjunto da “população Jovem Economicamente activa”, nesta fórmula.

Por conseguinte, oficialmente, é considerado pertencente à “população Jovem Desempregada”, a pessoa com idade dos 15 aos 24 anos, que no período de referência – quer dizer, a pessoa que pertence à essa faixa etária, e que nos últimos 7 dias anteriores ao Inquérito não tinha trabalho remunerado ou um outro, mas estava disponível para trabalhar num trabalho remunerado ou não, como por exemplo no voluntariado, e tinha demonstrado esta disposição, através da Procura Efectiva de trabalho remunerado ou não, como por exemplo uma ocupação como voluntariado, ao longo deste período de referência, que são os últimos 7 dias anteriores ao Inquérito, ou mesmo nas três semanas anteriores ao Inquérito.


Pelo que, não se contabiliza como Desempregado, o Jovem dos 15 aos 24 anos, que tinha efectuado um trabalho, de pelo menos uma hora, uma semana antes do Inquérito, mediante o pagamento de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar em dinheiro ou em géneros, e também deixa de fora, o Jovem ou a Jovem dessa faixa etária, que ainda no referido período de referência, tinha uma ligação formal a um emprego, mas não estava ao serviço, ou mesmo, tinha uma empresa, mas não estava temporariamente a trabalhar por uma razão específica; igualmente, deixa de fora dessa contagem, obviamente, o “Indivíduo Jovem”, dos 15 aos 24 anos, residente no território nacional, mas que não fez parte da amostra ou do inquérito.


Por outra, fazem parte da “população Jovem Economicamente activa”, as pessoas dos 15 aos 24 anos de idade, que no período de referência, estavam ocupadas pelo trabalho, quer dizer, trabalhavam, isto é, as pessoas empregadas ou empregadoras, e as pessoas desocupadas mas que declararam oficialmente, serem desempregadas – isto, é, Jovens que estão à procura de um emprego – através por exemplo de um registo feito num Centro de Emprego.


Nesse sentido, para “população Jovem Economicamente activa”, não são contabilizados àqueles Jovens, que não tomam a iniciativa, de fazerem uma Inscrição ao Centro de Emprego, solicitando em empresas, etc; do mesmo modo, deixa de fora dessa contagem, obviamente, os “Indivíduos Jovens”, dos 15 aos 24 anos, residentes no território nacional, mas que não fizeram parte da amostra ou do inquérito.


Além do mais, quem desiste de procurar emprego, apesar de estar na situação de Desempregado/Desempregada, muitas vezes, não é contabilizado como Desempregado/Desempregada, nem é contabilizado como sendo parte da “população Jovem Economicamente activa”. Isto quer dizer, que Estar Inscrito, por exemplo, num Centro de Emprego, é essencialmente importante, a fim de sermos contabilizados nas estatísticas oficiais, a nível do país.


Por outro lado, tem-se a percepção de que, mesmo quando um Jovem ou um outro candidato, dirige-se para solicitar uma vaga de trabalho à uma empresa, habitualmente, as empresas, muitas delas, não têm uma base de dados organizada, de registo das ocorrências de solicitação de uma vaga para um determinado posto de trabalho. Se elas (as empresas), tivessem uma base de dados dessa natureza, por sua vez, informariam regularmente ou periodicamente às estruturas do Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), a fim de melhorar-se, seu Sistema Estatístico, sobre o “Desemprego Jovem no país”.


Mesmo nos casos em que as empresas empregam ou admitem um determinado “Indivíduo Jovem” e não só, elas (as empresas), acredita-se que habitualmente ou regularmente, não comunicam ao serviço correspondente, tutelado pelo MAPTSS. Que no caso, parece-nos ser o Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) ou o Centro de emprego competente. Contrariando neste sentido, o Artigo 14o da Lei do emprego n.o 18- B/92, de 24 de Julho, que estabelece que as entidades empregadoras, após efectuarem a admissão, devem, dentro dos prazos estipulados, comunicar à instituição competente.


Nesta lógica, deveria divulgar-se cada vez mais os serviços dos Centros de Emprego. Possivelmente, ainda existem Jovens no país que desconhecem a existência dos Centros de Emprego e sua Importância.

Por isso, nos questionamos: Que índice, tem o país, de Jovens Desempregados e que nunca se Inscreveram a um Centro de Emprego ou à uma outra estrutura afim? Certamente, o número deve ser muito elevado.


Razão pela qual, sugere-se que se melhore cada vez mais os nossos Dados Estatísticos Oficiais sobre o Desemprego, através da confrontação das várias Fontes de Dados Estatísticos que possam existir, a fim de o país ter projecções estatísticas sobre o Desemprego Jovem e não só, muito mais próximo da nossa realidade. Deste modo, poderemos melhorar muito, os nossos projectos e planos que têm por objectivo reduzir este mal que torna enfermo a sociedade, que se chama: “Desemprego Jovem”.


Por exemplo, a fim de melhorar-se os Dados Estatísticos sobre o Desemprego, o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) deveria possuir várias Fontes para um único Dado Estatístico, solicitando os referidos Dados Estatísticos Regularmente, às Empresas, Instituições ou Organizações públicas ou privadas nacionais ou estrangeiras.


O mesmo se procederia com às Organizações que as aglutinam. Como por exemplo, as Associações dos empresários ou das Empresas Privadas que possam existir nos mais diversos sectores ou ramos de actividades.


Este procedimento de solicitar um mesmo Dado Estatístico à uma ou mais estrutura, parece ser um repetir desnecessário de tarefas e acções, e muito cansativo, mas no fundo, ajuda a melhorar muito os nossos Dados Estatísticos, através da Confrontação de Diferentes Fontes.


Sem contar que em muitas empreitadas de Inquérito, o INE não avança, por problemas de acesso, à certas zonas e localidades do país.


Além de que, em cada lar de família do espaço urbano ou rural do país, encontrarmos um ou mais membro jovem sem emprego, sem contarmos àqueles que se encontram constantemente à deriva pelas ruas, avenidas e cidades, etc. E isto é verificável sobretudo nas províncias mais populosas do país, e naquelas com maior densidade populacional, como Luanda, Huíla, Benguela, Huambo, Cabinda, etc. Mas não só. Mesmo nas outras províncias do Leste, Sul e Norte do país, é presente, o fenómeno, do Desemprego.


Contudo, tanto nos espaços Urbanos e Rurais encontramos uma situação comum: a existência de muito Jovem “Desocupado”. Pois, o emprego não é a única forma de se lutar contra o estado constante de Desocupação dos jovens.


Ainda assim, acredita-se que um jovem, em estado de Desempregado, mas que procura sempre alguma ocupação como por exemplo, serviço social, pertencer à alguma associação a nível do bairro, da aldeia, da comuna, do distrito, do município, ou mesmo da província, através do voluntariado etc., realizar estágios profissionais remunerados ou não, podem fazer com que ele ou ela (Jovem), sinta-se útil para consigo mesmo e para com a sociedade. E isto pode concorrer para que as probabilidades de se obter oportunidades de emprego de forma objectiva, sejam maiores em detrimento de quem prefere simplesmente ficar em casa sem criar ou empreender alguma coisa.


Pese embora, quanto aos estágios, percebe-se que é uma prática que infelizmente ainda não faz parte da cultura de muitas empresas e empreendedores ou empresários.


Mas, para muito Jovem do espaço rural, isto é, para eles e elas, o sonho de se obter emprego ou de se obter alguma ocupação que lhe dê algum rendimento de forma rápida ou não, está ainda na capital provincial ou mesmo, muitas das vezes na capital do país, Luanda. E para aí, tendem a migrar, muitas vezes de qualquer jeito. Dentre muitos fins, terem também outras experiências, além daquelas que o espaço rural os habituou. Como a Agricultura, a Pesca, o Artesanato – pese embora, já ser muito visível, a prática do Artesanato nos espaços urbanos ou periurbanos, tendo mesmo, um dos maiores mercados de artesanato do país, em Luanda, localizado concretamente, na zona do Futungo – a Caça e a Pastorícia – numa altura, em que uma das maiores zonas de criação de gado, do país, está a viver uma situação de seca extrema, conforme relatos – para obterem dinheiro que possa sustentar eles/elas e suas famílias. Um dos exemplos, relativo à esta migração, à capital provincial ou mesmo, muitas das vezes na capital do país, Luanda, dentre outros que existem, ligados a actividade comercial, é a actividade dos famosos e prestáveis “kupapatas”.


A acrescer à esta situação, temos ainda a questão, não de emigração de jovens para o exterior do país, mas sim, a questão dos Jovens angolanos, muitos deles até formados ou instruídos, mas dentre várias razões sustentadas, inibem-se em regressar ao país. Pois, seriam uma mais-valia para o desenvolvimento do país; a situação difícil, de acesso ao mercado de trabalho dos Jovens portadores de deficiência – de várias causas – muitos deles com alguma instrução e formação qualificada.


Sem esquecermos a ausência de “políticas especificamente de atracção dos Jovens às Províncias ou aos Municípios e Aldeias do País”, a fim de lá, fazerem as suas vidas – trabalhando – pese embora, termos actualmente o Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade (PAPE), o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), etc. Pelo que, augura-se, que o Sucesso desses Planos, e outros existentes, e que poderão existir, para o bem de todos, passe igualmente, pela atracção dos Jovens às Províncias ou aos Municípios e Aldeias do País, e pela inibição do êxodo rural juvenil.


De outra parte, ainda quanto ao género, é notável a energia, a força e a entrega quase total das “Jovens senhoras e moças” em relação aos “Jovens senhores e moços”. Isto, tanto nos espaços urbano e rural. Quanto à este último, basta observarmos a grande contribuição que elas dão à agricultura familiar. O que seria desta actividade sem a força de trabalho feminino jovem? Pode se entender, pelo facto de elas serem a maioria segundo o senso populacional realizado em 2014. Mas deve-se igualmente, à própria natureza feminina, e à força da maternidade. Pois, muitas delas tornam-se mães muito cedo.


Igualmente, elas, as “Jovens senhoras e moças”, estão muito presentes em muitas áreas do sector informal da economia; e mesmo em trabalhos domésticos – em lares, sobretudo familiares e mesmo em pequenos e médios estabelecimentos – sem um contrato formal ou escrito.


De outro lado, ainda existe um certo complexo por parte de “alguns poucos” “jovens senhores e moços” a assumir certas actividades que tradicionalmente foram exercidas, durante muito tempo e maioritariamente, só “pelas jovens senhoras e moças”, e não só. Por exemplo, o comércio informal ambulante, concretamente, a actividade de “zungar”; a actividade de sapataria; a corte costura, etc. Não é impossível, mas torna-se muito mais fácil vermos um “ancião” a exercer a actividade de sapataria ou de corte costura do que jovens a aderirem de forma massiva à actividade de sapataria ou de corte costura, ou mesmo a dedicar-se à marcenaria ou à carpintaria.


Neste sentido, “as jovens” estão sempre à um passo mais avançado que “os jovens”. Por que observamos que até às actividades tradicionalmente exercidas “pelos Jovens”, ainda que aos poucos, elas vão indo aderindo. Como por exemplo, acontece na construção civil, na mecânica, na prática de condução de veículos pesados, electricidade, etc.


Ainda quanto à actividade de “zungar”, nas grandes cidades do país, facilmente vemos “jovens senhores e moços”, destemidos e sem complexos “à lutarem pela vida”, vendendo diversos produtos comerciais. A maioria desses “jovens senhores e moços” angolanos, são provenientes das zonas rurais do país. Em todo caso, as “Jovens senhoras e moças”, são mais descomplexadas que eles. Muitas delas, também provenientes das zonas rurais do país. E este fenómeno, é muito mais visível na capital do país, Luanda.


Nos últimos anos, embora de forma ainda muito lenta, é notável o grande crescimento da presença feminina Jovem no sector do trabalho formal, como na educação, nas áreas de saúde, na Polícia Nacional e nas Forças Armadas, e em outros sectores dos serviços militares, nas áreas comerciais, na banca, na área das telecomunicações, na comunicação social, nas áreas das engenharias, etc.


Muitas vezes, ouvimos jovens a afirmarem que “o meu sonho é trabalhar no Estado”. Esta afirmação é criticável mas ao mesmo tempo tem lógica. “É susceptível de ser facilmente criticada” simplesmente pelo facto de que em um ambiente económico saudável, isto é, àquele que se deseja para a economia angolana, é notável a grande energia e contribuição do sector privado à economia nacional através dos bens e serviços que produz e da força de trabalho que aglutina. Isto é, a grande percentagem de geração de emprego que este sector oferece. E aí, o sector privado torna-se ou é, relativamente ou realmente, o maior empregador. “Tem lógica”, por que infelizmente, à nosso ponto de vista, em Angola, o melhor empregador em termos Quantitativo ainda é o Estado. Porém, em termos Qualitativo, a questão é discutível, por que essa percepção pode variar de um Indivíduo para Outro.


É por essa razão, que a maior parte dos Candidatos à Emprego, Jovens e não só, prefiram trabalhar ainda numa “Instituição Estatal”. E essa preferência, Infelizmente, é reforçada ainda até hoje, pela ideia de que o privado não é seguro, a qualquer momento que o responsável lhe quiser fora da empresa, assim o fará; e a questão da Segurança Social. Isto é, a ideia de que na maioria das empresas privadas, não há muito interesse em registar os seus funcionários à Segurança Social, etc.


Na realidade, “nem sempre, estamos já preparados” para dirigir alguma coisa ou trabalhar no nível mais elevado de uma organização ou de uma instituição, seja ela “Estatal” ou privada. Por outra, muitas vezes, enquanto Jovens, precisamos de tempo, de paciência, precisamos ter muita proactividade na gestão da nossa carreira ou da nossa própria imagem, para um dia, primeiramente ser-se recrutado ou mesmo recrutar, através do empreendedorismo, e posteriormente, carregados de muita experiência, chegarmos no nível mais alto da instituição ou organização na qual trabalhamos, ou simplesmente, no nível mais alto da actividade que exercemos enquanto empreendedores.


Não obstante, um outro mal que os Jovens vivem no acesso ao emprego, é o facto de algumas vezes lhes ser requisitada até para o primeiro emprego, anos de experiência profissional que podem atingir os três (3) ou os cinco (5) anos. E isto faz com que realmente tenhamos níveis de Desemprego Jovem muito elevado. Muitas empresas, ainda não têm políticas de Inserção ao primeiro emprego de Jovens diplomados ou recém- formados a fim de lhes fazer crescer na carreira profissional. E isto, foi visível, mesmo naqueles momentos que consideramos “áureos da nossa economia”.


Mas afinal, há quem pertence a responsabilidade por essas realidades? Ao sector público? Aos privados ou às populações em si? Pode-se responder objectivamente a questão, afirmando que todos nós temos uma “meia responsabilidade”.


O que está-se a querer dizer? Está-se a querer afirmar que a questão do Desemprego é transversal. E por ser transversal, envolve e afecta todas as Estruturas e Indivíduos de uma sociedade.


A verdade é que, os jovens desejam emprego apesar da realidade económica em que nos encontramos. E isto foi muito evidente, por exemplo, nas consequências indesejadas da feira de emprego que o Instituto Angolano da Juventude (IAJ) propôs-se em organizar muito recentemente. De outro lado, são evidentes os esforços do Executivo em querer atrair rapidamente Investimento Directo Estrangeiro, e mesmo mobilizar esforços para que o Empresariado Nacional sinta-se em condições para conduzir suas actividades. Pese embora, estes últimos, estarem ultimamente, ainda à reclamar por melhorias no ambiente de negócios em Angola.


Isto quer dizer que, a valorização do quadro nacional, principalmente Jovem, em todos os seus aspectos, com a criação e implementação de políticas sociais e económicas que tragam realmente oportunidades de empregos estáveis e não precários, não depende apenas do Executivo mas de todos nós, pese embora ao Executivo, lhe ser dado maiores responsabilidades.


Pois, a diferença está nos níveis de responsabilidades atribuídas aos Indivíduos, às organizações, às empresas, às Instituições e ao Executivo. Entretanto, o Executivo por ser a Instituição ou o órgão que é, obviamente, que lhe cabe “de forma directa ou indirecta” muito mais responsabilidades de inserção do próprio Jovem, no mercado de trabalho.


De facto, o assunto trabalho, constitui um elemento de grande importância para uma determinada Sociedade, e a Sociedade Angolana, obviamente, não está isenta desta Realidade. Pois, o trabalho está no Centro das grandes actividades da vida em Sociedade, e consequentemente no Centro da Relação Social, independentemente do Sexo ou do Traço Cultural do Jovem Angolano. E, sua privação ou falta, para quem a sofre, pode constituir em primeiro lugar, uma diminuição ou mesmo ausência de meios ou recursos que lhe permitam planificar e viver a sua vida de uma forma equilibrada em Sociedade, e concomitantemente sentir-se valorizado.


Portanto, Sociologicamente, o valor de um Indivíduo, de um Bem, de uma Prática, de uma Actividade, como é o caso do trabalho, pode ser essencialmente definido, como o Grau de Importância que lhe é atribuído a nível Social. Todavia, o trabalho, como “valor de uso” e como “valor de troca”, desde então adquiriu um “lugar Central” na Sociedade. Porém, seu real sentido, vai além daquilo que é, seu “valor de uso ou de troca”. Ele constitui de facto, a Principal Fonte de Rendimento, mas igualmente, o Meio pelo qual o Indivíduo Adquire um Estatuto Social.

E o Jovem ou a Jovem, precisa perceber que tem um Estatuto Social. Se não o tem, então precisa perceber que tem ao menos, espaços na sociedade que lhe permitam de forma igual com os Outros, concorrer ou “lutar duro” para conquistar tal Estatuto Social, através das Oportunidades que encontrar, no decorrer deste processo de “luta”, para não inclinar-se em comportamentos que lhe distanciem daquilo que são as “normas de boa convivência e socialmente aceites”, como os vícios às drogas, ao alcoolismo, à prostituição, à delinquência, violência, criminalidade, etc.


Está-se a querer dizer que “Todos os Jovens” que encontram-se no mundo desses vícios acima citados, a Causa, é o Desemprego? Claro que não. É apenas uma hipótese que carece ser confirmada ou não, através de estudos.


Paz e Bem*

 



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