Luanda - Segundo o "Africa Risk-Reward Index", o potencial de recompensa de investimentos aumentou em Angola, tendo diminuído o risco.

Fonte: Lusa

"Angola é um dos países com melhor perfomance nesta edição do Africa Risk-Reward Index, tendo em conta a melhoria na pontuação risco-recompensa relativamente à edição anterior", assinala o relatório "Africa Risk-Reward Index", da Control Risks e da Oxford Economics.

 

"A ambiciosa agenda de reformas posta em marcha pelo presidente João Lourenço desde a sua tomada de posse em setembro de 2017 impulsionou essa melhoria. Uma série de reformas fiscais, monetárias e regulatórias acompanhadas de significativas mudanças estruturais que desafiaram interesses instalados e introduziu um diploma de supervisão da governança económica", contextualiza a análise.

 

Ainda assim, Angola apresenta um índice de retorno baixo (3.18/10.00), sendo o 21º entre os 26 países africanos analisados (anteriormente estava em 23º entre 25 países). Por outro lado, o risco é elevado (6.16/10.00), estando também em 21º, tal como na edição de 2018, embora com o nível de risco a apresentar uma melhoria.

 

Dois anos de esforços de reforma tiveram impacto, mas também evidenciaram "a intratável natureza de muitos dos desafios de Angola", sublinha o relatório. "A escassez de moeda estrangeira persiste, a economia continua a depender excessivamente do petróleo e prevemos que 2019 será o quarto ano consecutivo de recessão", enumera o documento, destacando que o ímpeto reformista de João Lourenço já está a diminuir sendo "forçado a navegar por uma rede de partes interessadas e influentes com objetivos concorrentes".

 

Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, é apresentado no relatório como uma das forças da velha guarda, sendo destacada a sua influencia no secretário para os Assuntos Económicos, Alcino da Conceição, que se movimenta na esfera direta do Gabinete do Presidente da República angolana. O governador do Banco Central de Angola, José de Lima Massano, é também visto como alguém sob a influência de Manuel Vicente.

 

A situação de Moçambique não é analisada em pormenor neste relatório, que o coloca em 20.º lugar no índice de recompensa (3.72/10.00), e na 18ª posição em termos de risco de investimento.

Três conselhos para quem quer investir em África

"Não se deixe levar por promessas entusiásticas de reforma, assumindo que os líderes fortes e de espírito reformista sejam capazes de abrir caminho sem quaisquer restrições", é o primeiro conselho deixado pelos analistas.

 

Em segundo lugar, "observe mais de perto as oportunidades potenciais trazidas por uma cooperação intra-africana mais próxima". Finalmente, "fique de olho em como a crescente concorrência geopolítica multipolar em todo o continente está a moldar a dinâmica política interna e o ambiente dos negócios".

 

O relatório destaca ainda que "o envolvimento da China com África está a passar por uma mudança fundamental, com os EUA a tentarem recuperar o atraso ao mesmo tempo que vários outros países estão a tentar expandir a sua influência num cenário cada vez mais multipolar". "Os objetivos geopolíticos estão a ser apoiados por montantes avultados de financiamento destinado ao desenvolvimento, criando oportunidades e competição para os atores do setor privado", assinala ainda.

 

 



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