Luanda - O Governo projecta um crescimento de 1,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, numa reversão da recessão de menos 1,1 por cento prevista para o ano em curso, de acordo com números da proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020, em vias de ser adoptada.

Fonte: JA

O documento, apresentado terça-feira pela secretária de Estado do Orçamento e Investimento Público aos parceiros sociais do Governo, aponta para uma previsão de ascensão do valor nominal do PIB 37,063 biliões de kwanzas em 2020, acima dos 31,786 biliões previsto para 2019.



A formação do PIB global é fortemente influenciada pelo sector não petrolífero, que representa 27,545 biliões de kwanzas em 2020, depois de se ter situado em 22,595 biliões este ano, de acordo com as projecções apresentadas por Aia-Eza da Silva.


A secretária de Estado declarou que é esperado um crescimento de1,9 por cento do sector não petrolífero e 1,5 no sector petrolífero, invertendo a evolução do ano em curso, quando as expectativas apontam para um crescimento residual de 0,6 por cento do sector não petrolífero e um recuo de menos 5,2 por cento do sector petrolífero.


A secretária de Estado das Finanças explicou que a estratégia de arrecadação de receitas no sector não petrolífero é amparada, no próximo ano, pelo crescimento da agricultura, pescas e derivados, bem como dos serviços mercantis.


Está prevista a implementação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI) para aceleração do aumento da produção nacional, notou a responsável. O surgimento de novas Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), a concessão de micro-crédito e crédito com juros bonificados à luz do Projecto de Apoio ao Crédito (PAC) e o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) são, entre outros, os projectos aceleradores para o crescimento da economia.


Aia-Eza da Silva também apontou os benefícios do Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade (PAPE), com a criação de postos de trabalho a influenciar a produtividade das empresas. No sector petrolífero, onde o crescimento ascende a 1,5 por cento, a estratégia consiste na manutenção e execução dos programas de revitalização dos campos Malongo West, Kalungo e Banzala, no Bloco 0, bem como outros projectos nos Blocos 14, 15, 18 e 31.

Está prevista, referiu, a implementação de uma Estratégia de Desenvolvimento de Campos Marginais, com a qual o Governo espera refrear o declínio da produção petrolífera. Neste sector, o Executivo pretende ainda reiniciar a produção dos campos Raia, Bagre e Albacore no Bloco 2/5 e a entrada em produção do campo Agogo, fase 1, no Bloco 15/06, assim como a entrada em produção do Projecto Gimboa Noroeste (GimNW) no Bloco 4/05.



Os números apresentados pela secretária de Estado são mais optimistas que os divulgados na terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório de “Perspectivas Económicas Globais”, prevendo um crescimento económico negativo de 0,3 por cento do PIB este ano, antecipando depois uma expansão de 1,2 em 2020 e uma aceleração para 3,8 em 2024.



No documento, os peritos do FMI afirmam que “a economia de Angola, por causa do declínio na produção petrolífera, deve contrair-se este ano e recuperar apenas moderadamente no próximo”.


Nas previsões, o Fundo antecipa que a inflação desça de 17,2 por cento este ano para 15 em 2020 e que a balança corrente fique negativa em 2020, em 0,7 por cento do PIB, depois de registar um valor positivo de 0,9 por cento este ano.

 



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