Lisboa - O BCP afirma que a Sonangol quer manter-se como accionista de referência do Millennium BCP, após uma reunião dos presidentes do Conselho de Administração e Comissão Executiva, Nuno Amado e Miguel Maya, com o responsável da petrolífera angolana.

Fonte: Lusa

Em comunicado enviado hoje, o BCP diz que os responsáveis máximos do BCP estiveram reunidos com o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Gaspar Marins, na quarta-feira passada em Luanda, Angola, no âmbito dos encontros regulares entre as duas instituições.



"Na reunião, foram analisados os resultados e a actividade desenvolvida no primeiro semestre de 2019, bem como as metas definidas no Plano Estratégico do Millennium BCP para o período 2018-2021, focado no crescimento sustentado e na rendibilidade. Com uma participação de 19% no capital do maior banco privado português, a administração da Sonangol reafirmou o interesse do accionista no investimento realizado e na permanência como accionista de referência do Millennium BCP", refere a instituição na nota.


Estiveram também presentes na reunião, os administradores executivos da Sonangol, Baltazar Miguel, Osvaldo Macaia, Jorge Vinhas e Luís Maria, acrescenta.


Em Julho, o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, afirmou que não havia qualquer alteração à posição conhecida sobre a participação no banco da Sonangol, após notícias que falavam do interesse da petrolífera angolana em reduzir participações no sector financeiro.



“O plano de desinvestimentos da Sonangol no sector financeiro não é novidade. O BCP tem contacto permanente com os representantes do accionista Sonangol e pode confirmar que não há qualquer alteração à posição que oportunamente foi dada a conhecer por fontes oficiais ao mercado”, disse Miguel Maya, na ocasião, em comunicado.


As garantias do responsável foram dadas depois de o jornal angolano Expansão ter noticiado que a Sonangol estaria a finalizar a estratégia para se desfazer das participações que detém em bancos angolanos e no BCP e que a preferência passa por vender as acções em bolsa.


A Sonangol é o segundo maior accionista do BCP com 19,49% do capital, a seguir ao grupo chinês Fosun, com 27,06%, segundo dados de final de 2018.


Em Março, numa entrevista à RTP, o presidente de Angola, João Lourenço foi questionado sobre as orientações dadas à Sonangol relativamente às participações que a petrolífera detém em Portugal – indirectamente na Galp e diretamente no Millenium BCP –, tendo então o chefe de Estado de Angola dito que são para manter, em princípio.


“De uma forma geral, a Sonangol tem orientação no sentido de se retirar daqueles negócios que não têm muito a ver com a sua actividade, que é a extracção e comercialização de petróleo, isto é no geral. No concreto, vamos ver caso a caso”, insistiu, tal como já tinha feito em Novembro, durante a visita de Estado a Portugal.


Concretizando, João Lourenço assumiu que no caso da Galp, como está ligada à extracção de petróleo, “não há razão para sair”.


“Portanto, a Galp não se põe”, disse, acrescentando que sobre a posição no Millennium BCP “em princípio vamo-nos manter”.

As acções do BCP seguiam hoje pelas 10:50 a liderar os ganhos no principal índice da bolsa de Lisboa, a avançarem 2,37% para 0,20 euros.



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