Lisboa  - O economista-chefe da consultora Eaglestone admitiu hoje, em declarações à Lusa, ser provável que o Banco Nacional de Angola aumente a taxa de juro diretora em resposta à desvalorização do kwanza, que caiu 15,8% este mês.

Fonte: Lusa

"Uma medida imediata da reunião de quarta-feira do BNA poderá ser o aumento da taxa diretora do BNA, que atualmente está nos 15,5%", disse Tiago Dionísio, comentando à Lusa a queda do valor do kwanza nos últimos dias, em particular na sexta-feira, quando acumulou uma perda de 15,8%.

 

"Com certeza que vão implementar algumas medidas para tentar travar esta depreciação, poderá passar por um aumento da taxa diretora, mas poderão ocorrer outras a nível cambial, se bem que o atual acordo com o Fundo Monetário Internacional implica uma maior liberalização do mercado cambial", acrescentou o economista.

 

Questionado sobre o que levou o kwanza a depreciar-se de forma tão significativa, mesmo tendo em conta a quebra que tem vindo a registar nos últimos meses, que fez com que o acumulado de desvalorização ultrapasse os 30% desde janeiro, Tiago Dionísio disse não encontrar uma razão concreta.

 

"Não vejo uma razão muito específica. Os mercados estão, de um modo geral, nervosos com vários temas, como a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China ou a saída do Reino Unido da União Europeia, e há várias incertezas relacionadas com o comércio internacional, e não sei se poderá estar relacionado com isto, mas normalmente nestes momentos de incerteza e de nervosismo são as economias mais fragilizadas as que estão mais sujeitas a estas pressões pontuais", apontou.

Para o economista, o efeito mais imediato será um aumento dos preços dos produtos importados, que constituem a maioria dos produtos consumidos em Angola.

"Haverá um impacto da nível da inflação; Angola continua a importar muitos dos produtos que consome, e um kwanza a valer menos significa que os produtos ficam mais caros e isto faz-se sentir nos preços de venda, portanto a nível da inflação esta desvalorização da moeda nacional deverá ter algum impacto", afirmou.

Nos últimos meses, recordou Tiago Dionísio, a inflação em Angola tem registado uma tendência decrescente, só interrompida em julho e agosto, e em setembro "registou cerca de 17%, mas esta tendência descendente poderá agora inverter-se nos próximos meses", alertou o economista-chefe da Eaglestone.

No comentário à Lusa, Tiago Dionísio apontou ainda para um impacto na dívida pública, considerando que a desvalorização do kwanza implica "um esforço maior para pagar a dívida em moeda estrangeira, tornando os encargos com a dívida mais onerosos".

Depois da forte descida de 16% na sexta-feira, o Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou que convocou para quarta-feira uma sessão extraordinária do comité de política monetária face à evolução dos indicadores monetários e cambiais e à necessidade de adotar medidas de adequação no curto prazo.

Num comunicado divulgado na sexta-feira à noite, o conselho de administração do BNA anunciou uma sessão extraordinária para 23 de outubro, "no âmbito do seguimento e avaliação permanente da evolução dos indicadores dos mercados monetário e cambial, tendo-se mostrado necessária a adequação das medidas e instrumentos de política monetária e cambial".

A moeda nacional angolana perdeu 15,8% este mês, segundo os dados oficiais do BNA, que reviu novamente os câmbios na sexta-feira à tarde, o que arrastou o kwanza para uma perda de 31,3% desde janeiro.

De acordo com os cálculos da Lusa, com base nos dados do banco central angolano, um dólar valia em 18 de outubro 449 kwanzas (valor médio), quando em 01 de outubro a equivalência era de 378 kwanzas.

Olhando para os dados desde o princípio deste ano, a tendência mantinha-se, já que o kwanza perdeu 31,3% desde 01 de janeiro.

No final da sessão do comité de política monetária, o Banco Nacional de Angola irá publicar um comunicado resumindo as principais conclusões, assim como medidas de política a serem adotadas no curto prazo.

 



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