Luanda - É agente da polícia inglesa especializada em psicologia criminal, mas há cinco anos, quando casou em Angola, País natal dos pais, percebeu que não existiam projectos dedicados ao mercado dos serviços para casamentos e lançou a Revista Online Noivangola.

Fonte: Expansao

Que balanço faz das quatro edições da Feira Nacional dos Noivos?


Este ano juntámos 33 empresas, palestrantes e músicos e foi mais um sucesso. A Feira tem crescido sistematicamente, pois hoje apresenta uma maior diversidade de produtos e serviços para casamentos. O público também está mais interessado e as empresas já têm uma maior noção da publicidade que é impulsionada através destes eventos.


Esta é uma das iniciativas do seu projecto da Revista Online Noivangola. Como surgiu a ideia de lançar um projecto nesta área?


A Noivangola surgiu porque percebi que podia colmatar uma lacuna, dado que não existia no País um ponto de referência para casamentos. E sendo uma revista online, consegue atingir centenas de visitantes por dia, ajudando os noivos com a organização geral do casamento. Por outro lado, sentimos a mesma necessidade de demonstrar o melhor de Angola fisicamente e, assim, termos a oportunidade de demonstrar ao País a diversidade que o sector já apresenta, eliminando a opção de procurar produtos e serviços para casamentos no exterior.


Já tinha experiência ou formação na área comercial?


Formalmente não. A Noivangola foi fundada por uma paixão pelo mundo dos casamentos, mas à medida que foi crescendo tive de, obrigatoriamente, desenvolver o meu conhecimento sobre empreendedorismo.


Que dificuldades encontrou?


O primeiro desafio foi implementar o conhecimento na sociedade do que é uma revista online. A Noivangola foi a primeira e é a única plataforma que une todos os produtos e serviços para casamentos. Portanto, foi um longo processo. Por outro lado, devo também salientar a dificuldade em educar empresas do ramo sobre os benefícios de feiras de casamento como um instrumento de marketing.


O projecto já tem retorno?


Sim, já começámos a ter retorno financeiro, que vem crescendo ao longo dos anos. Têm empregados ou outro tipo de colaboradores? A Noivangola tem uma vasta equipa de empregados, colaboradores e directores de área. Particularmente devo destacar os meus colegas: Yannick Mbole (director audiovisual) e Paulo Loureiro (director de marketing).

Esta é a sua actividade principal?


Não, sou psicóloga criminal há mais de 10 anos e trabalho para a polícia britânica.


Porquê essa profissão e porquê Inglaterra?


Sempre tive uma paixão pelo comportamento humano e sou, naturalmente, uma boa ouvinte. Acredito que a sociedade só poderá mudar quando melhor nos entendermos uns aos outros. A Inglaterra é o país onde cresci e formei família.

Como compatibiliza as duas actividades?


A Noivangola é uma revista online, o que me permite gerir o negócio à distância.


Como vê o processo do "Brexit" e que impacto terá na sua vida?


Uma vez que resido na Inglaterra há mais de 15 anos, tenho passaporte britânico, o que me permite viajar sem preocupações. Apesar de ser uma grande preocupação neste momento, eu e a minha família não sentimos qualquer aflição.


Que reflexos tem a crise económica no mercado dos casamentos?


A dificuldade em transportar, importar e exportar produtos afectou muito o mercado de casamentos, de forma que muitos serviços passaram a criar produtos nacionalmente. De qualquer forma, esta situação suscitou a criatividade de muitas empresas nacionais.


Apesar de tudo, é um sector em crescimento?


Sim, é um sector que cresce, não só financeiramente mas também em qualidade de serviço.


E tem particularidades, nomeadamente devido aos casamentos tradicionais? 
O sector está cada vez mais diverso, e com a evolução dos tempos e da tecnologia, os casais já procuram produtos e serviços, como aconselhamento matrimonial (em vez de referências religiosas), e cartas de pedido já escritas.


Tem outros projectos em Angola, além do Noivangola?


Sim, actualmente temos a plataforma de namoro "Cara-Metade", o directório de produtos e serviços para casamentos "Tudo para Casar", e o projecto beneficente


Já ponderou vir viver e trabalhar em Angola? Porquê?


Eu vivi em Angola um ano, entre 2015 e 2016, e durante este período tive a oportunidade de contribuir para o País, não só com o meu empreendedorismo, mas também com palestras para os órgãos do Ministério do Interior. Mas, devido à minha profissão actual, não pondero viver em Angola neste momento. De qualquer forma, pretendo continuar a contribuir com o meu conhecimento sempre que for possível.

 

Mulher polícia no reino de sua Majestade


Nasceu em Portugal em 1987, mas tem raízes em Angola, terra natal da mãe, natural do Uíge, e do pai, natural de Luanda, ambos a viver actualmente no País. Judith Luísa Faustino da Silva, a mais nova de quatro irmãos, vive há mais de 15 anos em Inglaterra com o marido, que também tem dupla nacionalidade angolana e portuguesa. Profissionalmente licenciou-se em psicologia criminal e fez mestrado em ciências criminais, antes de ingressar ao serviço da polícia inglesa, onde já trabalha há 10 anos. Há cinco anos, quando decidiu casar em Angola constatou que havia uma lacuna no mercado e criou o projecto da revista online Noivangola, onde é produtora executiva. Nos tempos livres gosta de ler e de viajar.



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