Luanda - «A educação, um tesouro a descobrir» [DELORS, J, 1998], é um livro que foi trabalhado pela comissão internacional para educação, pertencente a UNESCO. A obra tem a participação de vários estudiosos sob coordenação de Jacques Delors. Ela nasce num contexto marcado pelo poder da midia das tecnologias,  globalização, mas também numa época de muitos desafios para o mundo: guerras, crise axiológica, problemas ambientais, fome, má distribuição dos rendimentos mundiais, tanto no plano económico como cognitivo-tecnológico.


Fonte: Club-k.net


Isto se confirma pelas célebres palavras da comissão: No final de um século tão marcado, quer pela agitação e pela violência, quer pelos progressos económicos e científicos — estes, aliás, desigualmente repartidos —, no alvorecer de um novo século cuja aproximação nos deixa indecisos entre a angústia e a esperança, impõe-se que todos os responsáveis prestem atenção às finalidades e aos meios da educação.

 

A Comissão considera as políticas educativas um processo permanente de enriquecimento dos conhecimentos, do saber-fazer, mas também e talvez em primeiro lugar, como uma via privilegiada de construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos, grupos e nações. [DELORS, J: 10].

 

Os autores do estudo, afirmam com toda a certeza moral e científica, e talvez de fé, que diante deste quadro que o mundo nos apresenta a educação é até ao momento o antídoto para que possamos sair desta situação.

 

Ante os múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na sua construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social. (…) a Comissão faz, pois, questão de afirmar a sua fé no papel essencial da educação no desenvolvimento contínuo, tanto das pessoas como das sociedades. Não como um “remédio milagroso”, não como um “abre-te sésamo” de um mundo que atingiu a realização de todos os seus ideais mas, entre outros caminhos e para além deles, como uma via que conduza a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras... [Ibid., p.9].
Este é o contexto global em que nasce o referido relatório no qual escolhemos Os quatro pilares da educação.

 

Tendo como pano de fundo, o fluxo vertiginoso de informações no mundo actual, assim como a diversidade e diversificação das fontes epistemológicas, a educação deve necessariamente adequar-se aos novos ventos, de tal forma, que a escola, não deve ter simplesmente a acumulação de saberes no plano quantitativo, mas sim propiciar a cultura da actualização permanente, uma actualização que permite responde as exigências não só económicas e profissionais, mas também de natureza ética e de construção do episteme.

 

Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as actividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contacto, de relacionamento e de permuta. Mas, em regra geral, o ensino formal orienta-se, essencialmente, se não exclusivamente, para o aprender a conhecer e, em menor escala, para o aprender a fazer. As duas outras aprendizagens dependem, a maior parte das vezes, de circunstâncias aleatórias quando não são tidas, de algum modo, como prolongamento natural das duas primeiras. Ora, (…) os “quatro pilares do conhecimento” deve ser objecto de atenção igual por parte do ensino estruturado, a fim de que a educação apareça como uma experiência global a levar a cabo ao longo de toda a vida, no plano cognitivo como no prático, para o indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade.[Ibid., p. 89-90]


Eis a síntese mágica para a educação no nosso tempo [Ibid., p. 101-2]:
A educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser.


 
Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.
 


Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional mas, de uma maneira mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Mas também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.


 
Aprender a viver juntos desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências — realizar projectos comuns e preparar-se para gerir conflitos — no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.


 
Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se.


 
Numa altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento, em detrimento de outras formas de aprendizagem, importa conceber a educação como um todo. Esta perspectiva deve, no futuro, inspirar e orientar as reformas educativas, tanto em nível da elaboração de programas como da definição de novas políticas pedagógicas.
 


Nota-se claramente que estes pilares vão de acordo com aquilo que é a pessoa, desde o prisma ontológico e antropológico realista, na sua expressão máxima – corpo e alma – uma visão que algumas orientações filosóficas da educação não contemplaram por causa das suas mundividências. Uns exemplos clássicos de educação que destroem a pessoa são o marxismo leninismo e o capitalismo que reduzem o homem a corporeidade, porém, o homem é mais do que o seu corpo, por isso, todo o processo educativo deve visar a construção de todo homem e do homem todo, permitindo que esta pessoa tenha um enquadramento no mundo, se abra a alteridade cooperando de forma pacífica sem esquecer-se a si, porque é um ser-do-mundo-e-no-mundo e ao mesmo tempo se abra a transcendência.

 

O mundo precisa a normalidade, precisa o respeito pela ordem cósmica e estou seguro que esta visão pedagógica de construção da pessoa, caso a acatemos levar-nos-á até a meta e  o nosso mundo será melhor, e mais, permitirá que haja homens sábios e não simplesmente tecnocratas como é o no paradigma reinante. 



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