Menongue - O governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, rebateu no último fim-de-semana, na comuna do Missombo, a 16 quilómetros da cidade de Menongue, lamentações da juventude que circulam nas redes sociais segundo as quais o Executivo Central virou as costas à província, para justificarem o elevado grau de dificuldades que a população, sobretudo os jovens, vive actualmente.

Fonte: JA
Durante um encontro com estudantes do Instituto Médio Agrário do Missombo (IMA), do Instituto Nacional do Ambiente “31 de Janeiro” e da Escola da ADPP, Júlio Bessa garantiu que o Governo Central nunca virou as costas a ninguém e como prova disso é que sempre alocou verbas para a reparação ou construção de infra-estruturas na província do Cuando Cubango.

O governador, nomeado em Agosto deste ano, esclareceu que o que aconteceu é que os recursos financeiros atribuídos à província antes do seu consulado foram usados para benefícios pessoais. Segundo Júlio Bessa, os servidores públicos geriram mal o dinheiro posto à sua disposição, razão pela qual as sedes municipais e comunais ainda se confundem com aldeias, apesar dos sucessivos investimentos canalizados.

“Herdei um fardo bastante pesado”, admitiu o governador do Cuando Cubango, para quem, com a união de todos, é possível corrigir este mal. Júlio Bessa admitiu, en-tretanto, que não será uma tarefa fácil, tendo em atenção a crise económica que o país vive. “Mas, com ajuda de todos os jovens, das comunidades locais e do Governo Central, vamos procurar dar resposta àquelas situações que se apresentarem mais prementes à vida das populações”, disse.

Júlio Bessa disse ter viajado de carro para todas as sedes municipais, comunais e aldeias, onde encontrou dezenas de infra-estruturas abandonadas, incluindo algumas pagas a 100 por cento. Outras obras já liquidadas nem sequer tiveram início. “Portanto, é uma série de situações anormais que aconteceram no passado e deixaram o Cuando Cubango de rasto”, denunciou. O Governo Central, sublinhou, financiou projectos na província do Cuando Cubango no domínio das estradas, escolas, centros de saúde, esquadras policiais, palácios municipais, fornecimento de água potável, energia eléctrica, entre outros, que se tivessem sido concluídas teriam emprestado uma nova imagem a esta região e a circulação de pessoas e mercadorias seria mais fluída.

Ao apoiar as reivindicações dos jovens da província que dirige, Júlio Bessa afirmou que estes não são inferiores comparativamente aos de outras províncias do país. “Temos as mesmas capacidades e oportunidades. Como prova disto, venceu as Olimpíadas de Matemática, o Cuando Cu-bango-FC encontra-se na Primeira Divisão e a ombrear com as equipas mais conceituadas do país, e a equipa de karaté-do ficou em primeiro lugar no Campeonato Nacional”, sublinhou.

O governador lançou um repto à juventude e à população em geral para arregaçarem as mangas e pensarem no futuro do Cuando Cubango. "Porque de nada nos serve deitar lágrimas sobre o leite derramado. Vamos unir esforços para todos em conjunto encontrarmos uma saída para a actual situação penosa em que se encontra a nossa província", exortou.

Júlio Bessa afirmou que o Governo tem regras próprias de executar o orçamento e não pode ser gastar dinheiro naquilo que não está programado. Com efeito, sugeriu que a população pode organizar-se em cooperativas para a produção de alimentos ou ainda construir uma escola, posto médico de pau-a-pique - com cobertura de capim -, cabendo às autoridades a obrigação de garantir o seu funcionamento.



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