Luanda - Com o remate final dos conflitos armados em Angola, José Eduardo dos Santos erigiu um ambiente de reconciliação nacional, de absolvição dos crimes de guerra, escusou que a vontade de muitos do regime se conservasse na caça – as – bruxas e extinção em massa aos militares da UNITA e as populações advindas da UNITA. Desde logo, José Eduardo dos Santos terá imposto a reconstrução nacional fazendo de Angola num verdadeiro canteiro de obras, cuja República renascia das cinzas desde 2002 até 2012. No tempo de José Eduardo dos Santos (cito no pós – guerra) nunca o dólar terá morado perto dos 60 mil kzs no mercado informal, quanto incide aos nossos dias. No tempo de JES nunca alguém terá morrido de fome e seca (excepto na época de guerra) quanto hoje acontece. No tempo de JES nunca o kg de arroz terá custado 500 kzs e o saco 12 a 15 mil kzs quanto acontece hoje. No tempo de JES não havia fome estrema como hoje, não havia insuficiência de divisa estrema, aflição excedente quanto se sente aos nossos dias. É bem verdade que não havia ao todo liberdade de expressão quanto sucede hoje, porém, a liberdade de expressão de hoje é teórica, visto que a prática diz coisa diferente. O povo angolano diz hoje estar a sofrer mais que na época de José Eduardo dos Santos, o povo diz que a época do pós - guerra de JES era melhor. O povo afirma ter vivido melhor no tempo colonial que hoje.

Fonte: Club-k.net

Não é verdade que existe liberdade plena de expressão em Angola. Há pessoas a ameaçarem quem criticar o estado de coisas liderada por João Lourenço. Muitos dos quais ameaçam matar os críticos ou quem se manifestar de forma oposta ao rumo que o País toma. Os jovens que se manifestaram no Moxico quando o Presidente da República foi executar uma viagem de serviço foram sequestrados e levados ao Lucussi sob ordem do então Governador Mandumbo. Os jovens que estavam para se manifestar no dia 15 de Outubro foram amargamente torturados pela polícia nacional em Luanda. O jovem dono da página Sofredor Inconformado ex – funcionário do BPC, cujo nome real é Budinho foi morto por uma droga cardiotóxica que foi colocada por indivíduos não identificados no teclado do seu computador no BPC. Trata – se de um jovem activista social, que criticava o Estado angolano numa página intitulada “Sofredor Inconformado,” e desde logo, perdeu a sua valorosa vida por defender a causa do povo angolano, enquanto isso, o Presidente da República terá afirmado que nunca mais alguém foi morto ou ameaçado por criticar o Estado angolano. João Hungulo foi ameaçado de morte por defender o Excelentíssimo Senhor ex – Presidente da República Eng. José Eduardo dos Santos. Pedro Muenho dono da página “Lil Paste” foi ameaçado de morte e sequestro variadas vezes, com tentativas de encerramento da sua página, e tantas outras barbaridades cometidas pelo actual Governo de João Lourenço que não apenas reprime a liberdade de expressão como também aniquila qualquer crítico. Desde logo, não é verdade quando o Presidente da República afirma não haver perseguição, e ameaças de morte aos críticos do seu regime. Até então não se diz nada sobre a ex – Ministra da Acção Social e Promoção da Mulher que foi morte baleada. O General Kundi Paihama foi dado como morto nas redes sociais, desde logo, se é de facto uma calúnia ou uma mentira porque o Estado angolano não sabe desmentir essa calúnia ou mentira posta à circular nas redes sociais? Enquanto isso, João Lourenço afirma que há liberdade de expressão e nunca mais ninguém morreu ou foi ameaçado por criticar o estado. A situação da ex – Ministra da Acção Social? A situação do antigo ministro da Defesa e ex-governador da província do Cunene, Kundi Paihama dado como morto nas redes sociais? Porque o estado angolano não sabe desmentir tal realidade?

 

O que nos importa neste artigo não é somente comparar a era pós – guerra de Eduardo dos Santos e a era pós – Eduardo dos Santos de João Lourenço, mas também, perceber na verdade em qual das eras o povo notou ser mais risonho.

 

Na era actual há mais liberdade de expressão, isso é um facto incontestável, porém, em contrapartida há muita mentira feita pelo Estado angolano, como é o caso da falsa feira de empregos, dos 500 mil empregos, melhoria das condições de vida do povo angolano, etc, etc, etc… mentiras atrás de mentiras, que no fundo não alimentam a esperança do povo angolano sofredor – mor que sofre desde 1975 após a proclamação da independência, e, faz das lamentações o único recurso para aliviar a tensão emocional que invade as suas faculdades mentais. Todavia, neste tempo, há excessivo índice de desemprego e o Governo não apresenta nenhuma solução as circunstâncias que hoje circulam. O tempo actual é feito por uma justiça rancorosa, que não faz da lei seu ingrediente fulcral para dar destino as transgressões ou delitos, mas sim, da vingança a pedra angular para se amotinar contra o passado do País. Nenhum País disposto a evoluir vive da vingança contra o seu passado, os países vivem do presente e não do passado. Porém, Angola se tornou no único País do mundo que faz do passado como um inferno e do presente como um paraíso. Porém, o passado foi de escassa liberdade de expressão, mas havia nesta época emprego, dinheiro, comida, felicidade, qualidade de vida, etc.

 

O presente é de maior liberdade de expressão (embora há quem tenha sido ameaçado de morte, e há quem tenha sido morto), porém, ninguém se alimenta de promessas, nem de palavras, nem se quer de liberdade de expressão, a liberdade de expressão não pode ser comida para ninguém. O presente é de fome, sofrimento, falta de emprego, pobreza extrema, aumento da criminalidade infanto - juvenil, crescimento da prostituição. Concluímos que a era pós – eduardista é pior que o passado eduardista pós - guerra.

 

Mas, de facto, que Legado João Lourenço há-de deixar para a nação angolana. Dois anos se foram, porém, João Lourenço não terá realizado nada, mas nada para a nação angolana, para que tenha de deixar como Legado ao País que dirige desde que assumiu – se como líder de todos os angolanos. Por fim, nos perguntamos que legado João Lourenço irá deixar para o País que dirige? João Lourenço tem apenas dois anos para terminar o seu mandato, e em dois anos nada terá por realizado, em virtude de ter terminado dois anos sem que fosse capaz de solucionar um único problema nacional, o próximo consulado correrá muito risco de perder as eleições em virtude do descontentamento social implantado em Angola. Não fica de parte, a questão sobre o Legado de João Lourenço para a Angola que deixa após deixar o poder. Não nos referimos a uma herança nacional, mas a um legado prático, que possa ter algum interesse, não apenas teórico, mas prático, para o Estado angolano e para o povo angolano. Como João Lourenço será recordado pelo povo angolano no futuro? Como o Presidente que trouxe a história dos marimbondos? Como o Presidente em que no seu consulado morriam pessoas de fome e de seca? Como o Presidente dos 500 mil empregos nunca cumpridos? Como será João Lourenço recordado entre nós? Como o Presidente que consagrou – se em perseguir a família do seu antecessor? Como o Presidente que trouxe a famosa liberdade de expressão? Como será recordado João Lourenço no seu futuro, amanhã?

 

Dr.º António Agostinho Neto é recordado pela positiva como o “Fundador da Nação”, e, há quem o tenha atribuído o papel de “Pai da Nação Angolana”. Eduardo dos Santos é recordado como “Arquitecto da Paz”, “Fundador da Nação Democrática”, “Pai da Reconciliação Nacional” e da “Reconstrução Nacional”, Jonas Savimbi tem sido recordado como “Pai da Democracia”, Holden Roberto tem sido recordado, neste caso como “Pai do Nacionalismo Angolano”, embora não tenha sido ele o verdadeiro “Pai do Nacionalismo Angolano”, porque o nacionalismo angolano antecede a luta de libertação e de independência nacional começada por Holden Roberto, muito antes da década de 60 do século XX, já em épocas distantes variadas personalidade indígenas travaram intensa luta contra a arrogância colonial, e, neste patamar em que reside o verdadeiro “Pai do Nacionalismo Angolano” e não em Holden Roberto, porém, os seus coêvos recordam Holden Roberto como o “Pai do Nacionalismo Angolano”. Todavia, como João Lourenço será recordado, desde logo?

 

Sabemos das dificuldades que o País vive, porém, se tivesse recebido um País já realizado João Lourenço não teria nada para fomentar um legado de jure e de facto, como diz o adágio popular: “vitórias fáceis não dão glória ao campeão, quem triunfa sem sacrifício, não atinge a glória”. Que Legado João Lourenço há-de deixar a nação angolana? Trata – se apenas de considerar sugestões, de atentar em opiniões, nada mais. Que Legado João Lourenço pretende deixar a nação, desde logo? Não será o presente de João Lourenço mera táctica retórica que não resolverá nada, deixando a presidência da República sem poder deixar um Legado de jure e de facto para a nação angolana? As coisas em Angola agravaram – se por completo, tanta promessa eleitoral sem nenhuma acção vivida na carne e no osso do povo angolano, o povo continua esfomeado e vazio de dinheiro pior que na era pós – guerra de Eduardo dos Santos, entregue ao IVA que robou – lhe a felicidade toda, o povo está a deriva à deus dará, sem eira, nem beira, sem ninguém que o possa acudir.

 

Será que o único Legado de João Lourenço será o da vingança? O da caça – as – bruxas? Será? Mas que Legado João Lourenço deixará para a Nação Angolana?

 

BEM – HAJA!

 



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: