Luanda - Assinalou-se 27 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Militares da UNITA e do Governo, pelo lado do MPLA, digladiaram-se encarniçadamente pelo controlo de Luanda. Balanço oficioso apontava perto de 2 mil mortos.

Fonte: Club-k.net

Entre 30 de Outubro e 2 de Novembro de 1992, a cidade de Luanda foi fortemente revolvida por violentos confrontos entre as forças militar da UNITA e governamentais, marcando o reinício da guerra civil em Angola, depois de um período de paz. No espaço de três dias, foram assassinados milhares de apoiantes da UNITA e da FNLA e não só.

 

O massacre ocorreu depois de uma fase de turbulência gerada pela UNITA, face aos resultados das eleições desse ano que deu vitória ao MPLA. Rezam os factos naquele ano: concorreram 18 partidos e 12 conseguiram eleger deputados para a Assembleia Nacional. Para o processo eleitoral foram registados de Maio a Agosto do mesmo ano, 4.828.626 eleitores, tendo comparecido às urnas 4,1 milhões para as legislativas e 4,3 milhões para as presidenciais. Contas feitas, na altura, dão conta que cerca de 90 por cento do pessoal recenseado chegou a votar.

 

Era um momento de festa. Porém, foi sol de pouca dura. É que enquanto as mesas de escrutínio trabalhavam afincadamente na contagem dos votos, pairava a desconfiança. Por um lado, o MPLA entendia que a UNITA contava ainda com homens armados, escondidos em lugares incertos do país, por outro, os “maninhos” apresentaram um trunfo: fizeram emergir o espectro da fraude eleitoral.

 

A UNITA continuou com o argumento da fraude, algo que começou a alguns dias após o exercício de voto. Sete dias após o último dois dias do voto 06-10-1992, além de denunciar fraude eleitoral, o galo negro decidiu retirar-se das Forças Armadas Unificadas, para onde já haviam integrado alguns dos seus cabos de guerra. O cenário viria adensar-se dois dias depois 08-10-1992, com os sinais de vitória eleitoral do MPLA.

 

Sentindo-se derrotado Jonas Savimbi declara de madrugada na Rádio Vorgan, então emissora do seu partido, que funcionava no edifício do Hotel Turismo, em Luanda: “a CNE terá de tomar em consideração que todas as suas manobras em números falsificados, levarão a UNITA a tomar posição, a qual poderá perturbar profundamente a situação deste país”.

 

Savimbi não só rejeitou a proposta de uma segunda volta, mas também ganhou um forte aliado. No dia 13-10-1992, Holden Roberto, o então presidente da FNLA, alinha na catarse, admite também fraude nas eleições, validando as queixas da UNITA. A partir daquele momento Savimbi não tinha dúvidas: avançaria com o seu plano belicista. A UNITA passou a ameaçar mais ainda em como o país enfrentaria um colapso, caso os resultados fossem divulgados.

 

Salupeto Pena que chefiava a delegação da UNITA à Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM), também ameaça com caos e a catástrofe se os resultados eleitorais fossem publicados. Por sua vez, Abel Chivukuvuku, na altura secretário de Relação Externa do galo negro, também alinha-se no mesmo diapasão: fala em “somalização” de Angola.

 

O medo e a incerteza do retorno à guerra se apoderam da população no país inteiro. Nessa altura, já alguns generais da UNITA haviam abandonado o exército único nacional, em regresso às FALA. A contra-inteligência da UNITA os generais Uambo, Andrade e Sean Clearly, este último, um sul-africano branco que dirigia a UNITA na Jamba, estão em Luanda. Premeditava-se um possível golpe de estado?

 

Eis que sete dias depois, domingo, 17-10-1992, Salupeto Pena tem em seu poder alguns agentes da Polícia Nacional, os chamados “anti-motim”, que as tropas de elite da UNITA capturaram quando os efectivos iam investigar o rebentamento de uma bomba de madrugada. Salupeto volta ameaçar, na Rádio Nacional: “se o Governo tentar libertar os polícias, nós fuzilámo-los”. Também ouvia-se do próprio Jonas Samvimbi as célebres palavras: os “anti-motim” estão a apanhar no focinho.

 

O Governo parecia não ter forças militares. A iniciativa militar era da UNITA em toda a sua totalidade. Dirigentes do MPLA mostravam-se receosos a um caos, enquanto a UNITA, militarmente parecia todo-poderoso, proíbe a circulação automóvel no bairro Alvalade, em Luanda, o povo critica estas e outras arbitrariedades. As adormecidas forças militares governamentais acordam nesse mesmo dia (17-10) da letargia e começam timidamente a reagir à tomada militar do poder pela UNITA.

*A publicação deste caso continua...

 



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