Luanda - A estratificação social é a posição social que os indivíduos ocupam na estrutura de um grupo, comunidade ou sociedade de acordo com os critérios económicos, sociais, materiais, intelectuais ou profissionais previamente estabelecidos.

Fonte: Club-k.net

Nos dias que correm verifica-se com amiúde nas instituições de ensino superior, públicas e privadas, sobretudo nos corredores por parte dos estudantes e de outros elementos afecto ao processo de ensino e aprendizagem deste subsistema de ensino sobre o comportamento dos docentes segundo o seu status quo ou posição social.


Importa aqui salientar os seguintes aspectos; a nível das nossas instituições ou casa de “saber” temos a seguinte posição social dos docentes; docentes da Classe Alta (aqueles que ocupam cargos ministeriais, cuja actividade não depende somente de ministrar aulas) estes docentes, vivem em grandes condóminos e outros vivem nas centralidades existentes na cidade de Luanda, são na maioria das vezes Deputados, Procuradores, Secretários de Estado e outros que desempenham funções de destaque na Administração do Estado, por se valerem destas posições os estudantes acham que são arrogantes, ignorantes, e pouco atentos nas preocupações e solicitações dos mesmos, poucos comunicativos ou interactivos, desdenham os estudantes tratando-os por vezes de “Burros”, preguiçosos, aqueles que não sabem nada, este comportamento em nada abona as nossas universidades; docentes da Classe Média (aqueles que têm outras actividades económicas, são profissionais liberais, consultores, empreendedores, advogados, estes igualmente não dependem directamente da actividade docente); estes docentes a semelhança dos da Classe Alta, vivem também nas centralidades, condomínios ou em zonas urbanas da capital de Angola, são ligeiramente, arrogantes, ignorantes, o maior problema é a capacidade de transmitir os conhecimentos, tudo por conta das actividades que desempenham ou seja, não preparam as aulas na óptica dos estudantes e estão sempre a se implicar ou em rota de colisão com os estudantes, situação que por vezes se repercute na transição dos mesmos para ano seguinte das suas formações.


Por último encontramos os docentes de Classe Baixa (aqueles que vivem exclusivamente deste actividade ou seja não têm outra actividade económica) estes docentes são de proveniência humilde, ou seja das periferias, dada a vulnerabilidade dos mesmos estes geralmente são bastante comunicativos, de fácil acesso, muitos deles demonstram conhecimentos das disciplinas que ministram nas respectivas instituições de ensino superior, estes docentes são propensos a corrupção pelo facto dos mesmos se encontrarem numa exposição total, estes docentes sentem falta de quase tudo, falta de meios de se locomover (carros) casa própria, um casamento bem estruturado, são acusados de professores pobres que dependem de estudantes para sobreviverem, comprometem-se moralmente com os estudantes, e por vezes avaliam os mesmos de forma favorável sem sequer terem as condições de aprovaram nas suas disciplinas.


Este quadro não tem nada a ver com graus académicos dos docentes universitários, apenas fez-se aqui as posições sociais ou classes sociais relacionando com o comportamento dos mesmos nas salas de aulas, situação que tem desagrado os estudantes deste subsistema de ensino, que se continuar, irá condicionar sempre o problema da qualidade dos técnicos que são formados nas nossas universidades facto que pode se repercutir na actuação destes futuros profissionais no mercado de trabalho.


* Carlos da Conceição, Sociólogo, escritor e docente universitário (Luanda)

 



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