Lisboa - O secretário do BP do MPLA para a Política Económica, Salomão José Luheto Xirimbimbi, é alto dirigente da cúpula do partido no poder que passou acompanhar o sector das pescas, em Angola, área de que foi ministro entre o ano de 2002 – 2010. O regresso informal do dirigente esta a ser, assinalado com o “reavivamento” de antigos projectos por si deixados como aquisição de novas embarcações pesqueiras que no entender de fontes internas, “não reflectem as prioridades de desenvolvimento do país”.

*António Gonçalves
Fonte: Club-k.net

Ministério das Pescas com “ministro sombra”

O Ministério das Pescas e do Mar (Minpesmar) conta desde o inicio do ano com uma nova ministra Maria Antonieta Josefina Sabina Baptista que a data da sua nomeação exercia funções de vice-reitora interina para a Área Científica e Pós-Graduação da Universidade Agostinho Neto. Por falta de conhecimentos técnico no que toca a gestão pesqueira, o antigo ministro Salomão Xirimbimbi passou acompanhar o sector e colaborar nas principais decisões do sector.


O “regresso informal” de Xirimbimbi no sector das pescas em Angola, foi também sinalizado com a reabilitação do seu “braço de direito”, engenheiro Merville Filipe Martins que por via do Despacho n.º 5142/19, foi no mês passado, nomeado para o cargo de Consultor da Ministra para a Análise de Projectos.


Merville Filipe Martins, foi chamado para acompanhar o engendramento de mais um projecto para aquisição de embarcações, desta feita, para os serviços de fiscalização pesqueira, pesca artesanal e outros.

De acordo com o plano traçado, a construção destas embarcações será feita nos estaleiros navais de Peniche Portugal. Trata-se de um investimento no valor aproximado de 55 milhões de Euros a ser adquirido por Angola através de um financiamento de um banco português, cujo processo para aprovação, já se encontra, em cima da mesa da Ministra das Finanças.


A nível do ministério das pescas e do mar, o tema da aquisição das embarcações tem gerado reservas uma vez que os estaleiros navais de Peniche Portugal tem se debatido com grandes dificuldades financeiras e sem grande capacidade técnica e operacional para a realização desta tarefa.


As reservas que observadores fazem transparecer é baseada no argumento de o investimento não reflecte nos interesses do país ou nas suas prioridades para o desenvolvimento do sector, razão pela qual invoca-se que foi engendrado pelos estaleiros navais de Peniche para “satisfação dos interesses de sobrevivência e enriquecimento fácil dos seus mentores a custa do esforço financeiro de Angola”.


Um dos seus administradores português do projecto transformou-se igualmente em “consultor” da ministra das pescas Maria Antonieta, desdobrando-se em movimentações de influencia para a rápida aprovação do seu projecto ao mais alto nível. A nível do ministério avolumam-se as reservas por o projecto não ter passado pela analise e parecer de técnicos da área entendidos na matéria.


O Ministério das Pescas e do Mar (Minpesmar) é detentora de várias embarcações de fiscalização. Por falta de recursos financeiros, os mesmos carecem de manutenção e reparação para se tornarem operacionais. Dai que funcionários invocam não ser prioritária a aquisição de novas embarcações ou que apenas servem para satisfazer alegados “interesses de instituições estrangeiras e dirigentes do País, mas sim arranjar meios para cuidar das que já existem no País”.


A solução, segundo fonte consultada, “não passa igualmente em adquirir mais barcos para a pesca artesanal ou outros, mas sim em dar continuidade a captação de investimento privado para a construção de estaleiros navais em Angola capazes de construir tais embarcações.”


Relativamente a falta de peixe no país, as mesmas fontes adiantam que “A falta de peixe à mesa do cidadão não tem nada a ver com a falta de embarcações, mas sim com a falta de uma boa gestão do Sector”, por isso mesmo lançam um apelo ao Presidente da República para que “não se deixe levar pelas ‘boas intenções’ plasmadas neste tipo de projectos de investimento público para aquisição de mais embarcações. Já vimos este “filme” antes igualmente pelas mãos do Sr Salomão Xirimbimbi. Este projecto é apenas para satisfazer interesses pessoais beneficiando financeiramente as pessoas envolvidas e não o país. Nem sequer é prioritário.”

 



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