Luanda - Após o estrépito das armas ter apeçonhentado os Acordos de Bicesse, o fatal teve de acontecer, desde logo, Angola acabou por acordar novamente em guerra, como apela o adágio de Jung “Aquele que olha para fora sonha. Mas o que olha para dentro acorda”. Desde logo, as bodas dadas pela guerra não adiaram a sua viagem, puseram – se as armas em movimento, dando cânticos rumorosos que morderam o silêncio do mundo vulgar e transformaram o País numa verdadeira salada russa de vozes barulhentas, assim, se para uns a guerra em Angola foi um excelente remédio para salvar uma paz efectiva, para outros a guerra foi um mal que jamais o desejariam tê - lo novamente, nem dentro de cem anos, como diz o adágio “Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos”.

Fonte: Club-k.net

O País ficou tomado pelo desespero por todos os lados, significando haver uma turbulência insustentável nos quatro cantos do País feita uma manada de búfalos em marcha violenta. O barulho proporcionado pelas armas desapossou qualquer patamar de felicidade que tivesse por espaço o âmago angolano. A paz deu costas ao povo angolano, ficando esse à deriva, entregue à Deus dará, sem eira, nem beira, a morte era o único refúgio para o desespero de muitos angolanos. A guerra sinistra colocou os angolanos de joelho, abortados pelo tumulto, foram soltos os cães da guerra, com toda violência que conservavam presa nos dentes atiraram – se contra o povo angolano, morderam a todos, até deixá – los visceralmente melindrados. Destruídos pela raiva do canhão, os angolanos tiveram de comer o pão que o diabo amassou. Porém, a paz tanto augurada por todos, estava muito longe de ser um facto. José Eduardo dos Santos lutou e procurou todos os meios para que a vontade do povo angolano fosse satisfeita no encontro com a tão desejada paz vaticinada pelo mundo.

 

José Eduardo dos Santos teve de realizar quase o impossível, transpor barreiras intransponíveis para que a paz rogada pelo povo pudesse colocar os seus pés no espaço angolano, porém, a paz temia manter – se no meio angolano. Graças aos esforços magnos de José Eduardo dos Santos após uma sangrenta guerra que teve lugar numa esfera chamada Angola, o reinício de um processo de diálogo que viesse visar calar as armas de ambos os lados, foi um facto. O reencontro entre as partes cingidas no processo beligerante em Angola com vista a busca de meios para calar as armas de ambos os lados e situar – se à beira da paz, tornou – se efectivo. Com a insistente vontade de José Eduardo dos Santos que fazia o tudo para que Jonas Savimbi acudisse ao diálogo como meio para ambas as partes permutarem o poder em Angola. Pela teimosia de José Eduardo dos Santos em querer a paz apenas como meio de alcance do puder em Angola, deu – se lugar a uma nova aurora com os dois partidos MPLA e UNITA que sempre se odiaram como o cão e o gato se odeiam. Processo este que, permitia os dois rivais insuportáveis sentarem – se numa mesa redonda e pôr nos armários dos “paióis” as armas (Um paior, em arquitectura militar, é o local de uma fortificação que se destina ao armazenamento de explosivos e/ou munições, de acordo com regulamentos pré-estabelecidos. Conforme a sua situação em relação ao nível do solo, estes podem ser paióis de superfície, paióis semienterrados ou paióis enterrados).

Sarar de uma vez as feridas do passado caracterizadas por um ódio violento que os separava como um murro veda um quintal. A ansiedade percorria o País todo, todos estavam expectantes de haver novamente um avistamento com a paz tão desejada por todos os angolanos, após o percurso de uma guerra tão sangrenta que terá transformado paisagens em frente de combate, chanas em campos de depósito de minas e rios em fonte de depósito de corpos mortos em frente de combate. Guerra essa que terá eclodido no período pós-eleitoral.

Na verdade José Eduardo dos Santos apelou a Comunidade Internacional a sua intervenção no processo de paz em Angola para exigir que a UNITA depusesse as armas com vista a um meio pacífico, como diz Sun Tzun “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

Com efeito, o reencontro entre os dirigentes da UNITA e do MPLA surgiu graças a uma forte exigência da ONU no âmbito da vontade da manutenção da paz em Angola, face ao temor da comunidade internacional que observava ao binóculo o fortalecimento de Jonas Savimbi com as suas tropas. A comunidade internacional em Outubro de 1993, clamava em comunicado o reafirmamento dos Acordos de Bicesse para ambos os integrantes do processo beligerante. O comunicado realizado pelas Nações Unidas permitiu criar bases para as conversações entre a UNITA e o MPLA que tiveram lugar na capital da Zâmbia em Luzaka. O tratado foi realizado a 20 de Novembro de 1994 pelo então Ministro das Relações Exteriores do Governo angolano, Venâncio de Moura e o então Secretário-geral da UNITA Eugênio Ngola Manuvakola.

 

CONTINUA NO PRÓXIMO ARTIGO DE OPINIÃO…

 



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