Luanda - A Igreja Messiânica Mundial (IMM) fundada no Japão a 01/01/1935 pelo filósofo e espiritualista Mokiti Okada (1882-1955) encontra-se em Angola desde 13 de Novembro de 1991 e congrega cerca de 250 mil fiéis. A Igreja-Mãe do Japão, da qual deriva a Igreja Messiânica Mundial de Angola (IMMA) é constituída por três Filiais (Toho no Hikari, Izunome e Su-no Hikari), as três regidas por um Estatuto comum e pelo Regulamento da Família Okada.

Fonte: Club-k.net
É público que a Igreja Messiânica Mundial de Angola (IMMA) encontra-se dividida em duas alas desde 03/08/2018. No topo do conflito cogita-se a má gestão administrativa, patrimonial e financeira, atribuída ao missionário brasileiro Claudio Cristiano Leal Pinheiro, que se intitula presidente da Igreja Messiânica Mundial de África. O brasileiro também é acusado de ligar unilateralmente a Igreja à uma ala do Japão que advoga uma igreja sem Líder espiritual (Trono de Kyoshu).

A venda de indulgência por parte do Sr. Claúdio Pinheiro, constituiu outro ponto de ruptura, porquanto um baptismo chegou a ser vendido por 150 mil kwanzas, segundo uma reportagem do “Fala Angola”, sendo que os dinheiros arrecadados das más práticas, foram exportados para o Brasil e a África do Sul, acusam os fiéis da ala contrária, fiel ao Líder espiritual.

O conflito teve início na data acima citada, numa altura em que o Sr. Claúdio Pinheiro impediu que uma sindicância interna apurasse o desvio doutrinório e o descaminho do património da Igreja que lhe foram imputados, expulsando dezasseis ministros de uma só vez, criando-se assim, as duas alas que perduram.

Para o ministro António Bento Carlos, da ala do missionário Claúdio Pinheiro, a expulsão visou os ministros agitadores e caluniadores e teve suporte do estatuto da Igreja Messiânica e da Lei Geral de Trabalho, sem no entanto referir os artigos.

Após algumas tentativas de aproximação sem sucesso, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) sugeriu a realização de um pleito, no qual o ministro Afonso Quifuta Pereira foi eleito presidente a 07/12/2019, constituindo-se a primeira direcção de direito angolano, em 27 anos de existência da Igreja.

Ao que tudo indica, o ponto irreconciliável entre os fiéis angolanos e o missionário Claúdio Pinheiro, assenta no afastamento do Líder espiritual por alegada deturpação dos Ensinamentos, um acto considerado pelos “kyoshistas” deselegante e herético, sobretudo por ter sido antecedido de um processo de espionagem inédito.

Sobre o assunto, os académicos Rodrigo Neves de Mello Raposo, Leila de Almeida Barbosa e Vinícius Carvalho da Silva, referem no seu trabalho intitulado VERDADE & DEMONSTRAÇÃO, que a destituição de Kyoshu-Sama é ilegítima e Ilegal, porquanto afronta violentamente às normas que regem os Cânones da Igreja Messiânica e o Regulamento da Família do Fundador.

“A actual direcção da Igreja-Mãe, empossada em 2017 sem o consentimento do Kyoshu, praticou actos que violam as normas eclesiásticas e as normas mais básicas do bom-senso, ao auto eleger-se à margem do rito estabelecido e por tentar forçar a exclusão da Filial Su no Hikari, da associação triangular, por esta ser fiel ao Líder espiritual”.

Para os referidos académicos, a auto-eleição da direcção executiva da Igreja-Mãe sem obediência ao princípio de rotatividade e sem a aprovação de Kyoshu-Sama, inviabiliza a regularidade de seus actos e talvez mereça condenação unânime, uma vez a mesma ter atropelado a base orientadora em matéria de substituição do Líder do Trono.

Portanto, “o afastamento do Kyoshu por alegada deturpação dos Ensinamentos não está previsto pelas disposições internas da Igreja e, pensar que aquele que foi investido e inspirado pelo espírito de Meishu-Sama como seu sucessor, possa d’Ele se afastar, é considerado teologicamente absurdo. É pela mesma razão que os seus acusadores somente avançam hipóteses ao invés de teses ou exegeses”.

A destituição de Kyoshu-Sama pela Direcção da Igreja-Mãe, apoiada por certos missionários como o Sr. Claúdio Pinheiro, não é somente um atentado claro contra os Cânones da Igreja Messiânica Mundial e o Regulamento da Família do Fundador, é algo que promove imensa insegurança pública e religiosa, e inevitáveis contradições teológicas. Por isso, no que diz respeito às normas internas da Igreja, o processo é ilegal e, na medida em que trai o Líder Espiritual, é ilegítimo, afirmam.

Para os que questionam o ministério sucessório da linhagem consaguínea do Fundador, é preciso lembrar para essas pessoas, que a Igreja Messiânica expandiu-se pelo mundo com a Filial que recebeu orientações directas do Líder espiritual, ao passo que as outras duas que não o fizeram com a mesma determinação, estagnaram e, essa, deve ser a razão pela qual a Filial Su no Hikari não caiu na onda.

Um missionário ligado à ala do Trono de Kyoshu refere que corre os trâmites legais, o processo nº 70-F-2018, 2ª Secção Cível do Tribunal Provincial de Luanda. Na primeira sessão do julgamento ocorrido no dia 26/06/2018, o requerente (ala do missionário Claúdio Pinheiro) contrariou os fundamentos da sua própria queixa, ao afirmar que a sua ala não se submete à nenhum Líder espiritual; que a Igreja Messiânica construiu apenas três templos, no Futungo de Belas, em Cacuaco e Bom Jesus, não possuindo nenhum outro património imobiliário; e não existe nenhuma ameaça vinda da outra ala.

O missionário disse ainda, que correm os trâmites legais junto do Departamento de Crime Organizado, do Serviço de Investigação Criminal, os processos números 128/19-05 e 2277-018-05, sobre os quais, cada ala esgrimiu já os fundamentos de razão.

A declaração juramentada datada de 30/09/2019, passada pelo Sr. Luzende Pedro, o missionário que esteve na base da instalação da Igreja Messiânica em Angola, afirma que desde a sua implantação, a IMMA esteve sempre ligada ao Trono de Kyoshu e, de igual modo, a IMMA nunca realizou uma Assembleia eleitiva do presidente da Igreja.

O conflito vergonhoso que divide os messiânicos rema contra o carácter pacificador da Religião fundada por Mokiti Okada. Os fiéis afirmam, que se dependesse exclusivamente dos angolanos, nem sequer teria existido, pois todos advogam uma igreja unida, respeitadora dos direitos adquiridos dos sacerdotes, pacífica, democrática, tranquilizadora e tranquilizante e, acima de tudo, obediente aos cânones, às leis, a moral e a ética.

O fim do conflito encontra-se no segredo dos deuses, mas acredita-se que nenhum Estado sério consente riscos para os seus cidadãos, facilmente evitáveis, ainda que os princípios desse Estado assentem numa Constituição laica.



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