Sumbe – "Não estamos a inventar absolutamente nada." São acusações dos populares que pesam sobre o governador da província do Kwanza-Sul segundo as quais, Job Pedro Castelo Capapinha não é interactivo.

 
* Fernando Caetano
Fonte: Club-k.net

População já reza pela sua exoneração


“Porquê que o Presidente da República, João Lourenço, tirou daqui o general Eusébio de Brito Teixeira?”, perguntou o ancião António Máquina com 89 anos de idade e residente na comunidade de Betânea na Cela.

 

Domingos Chitombi foi militar das ex-FALA e reside algures em Mussende e diz ter saudades da governação de Eusébio Teixeira. Perguntado porque razão, o ex- militar recorda com nostalgia os momentos que Eusébio quando governante deixava a capital da província o Sumbe e passava o fim-de-semana em municípios, comunas, aldeias e interagia com as populações, desiderato que para ele na nova governação está longe de acontecer.

 

No Seles o mais velho José Bernial, na Conda o António Joaquim, na Kilenda a anciã Maria Bernardo, na Kibala o Miguel Cabaça e Paulino António, no Ebo o Ernesto Mouzinho e em Cassongue mais propriamente no Cruzamento o Demóstenes, todos mostraram-se unânimes em afirmar que a vinda do Presidente da República talvez poderá ser a solução para o Kwanza-Sul, onde, segundo eles, vão pedir que o actual governador seja exonerado do cargo por estes e outros motivos tendo destacado a falta de dialogo com os pequenos agricultores, estes que enfrentam problemas de vária índole.

 

“Ao que se sabe, um governador não deve apenas cingir o seu trabalho em cidades como o Sumbe, Gabela, Kibala, Waco-Kungo e demais sedes de vilas. Deve sim viver a realidade que as comunidades vivem no quotidiano”, lamentou Maria do Céu, ex-professora, agora reformada, acrescentando que “isso nós notamos no general que por aqui passou.”

CAPAPINHA CRITICADO POR POLÍTICOS

Gravitando em torno do comportamento de Job Capapinha considerado nocivo por parte da comunidade Kwanzasulenha, associa-se ao facto do governador, desde a sua nomeação para o edifício maior da marginal do Sumbe, nunca ter manifestado vontade de interagir com os líderes de partidos políticos com assento no parlamento, mesmo tendo recebido solicitações por parte destes.

 

Este comportamento, na visão do secretário provincial da UNITA, Armando Manuel Kakepa, não se reflecte a vontade política do MPLA que nos seus discursos vai propalando uma “governação participativa e inclusiva”, pretendendo dizer que a UNITA está e sempre esteve disposta a contribuir com ideias naquilo que tem a ver com a governação local para o bem das populações.

 

Kakepa faz alusão aos tempos de governação de Eusébio que, no segundo mês após dirigir sua solicitação, foi prontamente recebido no secretariado do Comité Provincial do MPLA “e com todas pompas onde falamos do rumo que queriámos para província e a intenção da UNITA em tomar o poder por via de eleições.

 

O líder do Partido de Renovação Social (PRS) na província, César Danick Muhongo, lançou um protesto quanto a governação actual do Kwanza Sul, considerando mesmo de inexistente ou muito má pois, várias solicitações endereçadas ao governador nunca tiveram respaldo agradável o que para o político superintende “que esteja a fugir algo encoberto”.


“Nós somos políticos e ninguém quer tomar o seu lugar, não se sabe porque motivo não recebe ninguém, uma vez que a nossa vontade é apenas interagirmos”, enfatizou.

ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL SÃO DESRESPEITADOS

É ponto assente que, no Kwanza Sul, o governador Job Capapinha não respeita os órgãos de comunicação social existentes. Os independentes são as principais vítimas que aos seus olhos são considerados abutres.

 

Basta aqui recordar que Capapinha diversas vezes convocou a imprensa e chegado ao momento do pronunciamento, se refuta a tecer qualquer consideração o que é constrangedor para os profissionais da classe.

 

Por diversas vezes que alguns órgãos solicitam entrevistas para se pronunciar sobre variadíssimos aspectos que retratam a vida actual da província mas, Capapinha com o seu habitual ar de cinismo e abusivo, assim podemos concluir, nunca se dignou mesmo em despacho aceder, alegando sempre indisponibilidade.

 

Por vezes, pensamos nós, que a documentação não esteja a chegar, porque verdade seja dita, há falta de idoneidade da direcção provincial da comunicação social em enquadrar-se com o sector mas, teimosamente o mantêm à frente de um importante veículo, alguns directores de órgãos que o digam, mas, na marginal da cidade do Sumbe as ideias não fluem.

 

Instado a pronunciar-se e, em anonimato, um jornalista de renome na nossa praça recordou os tempos em que Eusébio Teixeira não saía da marginal enquanto jornalistas não estivessem presentes. “Saudades do general Eusébio que interagia diariamente connosco. Foi um grande camarada. Estava sempre pronto e presente para os nossos problemas o que não se vé hoje”, disse com sentimento nostálgico.

 

Há impasses a partir do director de gabinete do governador em aceder ao gabinete de Capapinha e até porque muitas queixas nos chegam das administrações municipais e mesmo de algumas direcções provinciais, empresários, sociedade civil, sobas, enfim…

 

Há por cá e na diáspora no caso do grupo “Angwa Chingo” que perguntam o seguinte: “Será que João Lourenço está apostado em ver o povo desta província a sofrer! Desde a era Eduardo dos Santos só nos mandam governantes que não estão comprometidos com a causa do povo! Lamentamos bastante JES ter tirado o general Higino Carneiro daqui porque com ele a nossa vida e a dos nossos familiares estava boa e agora, vamos mesmo sucumbindo porque é a vontade do Presidente da República”, comentou.

 

A juventude do Kwanza Sul vai vaticinado que nas próximas eleições o MPLA vai lerpar nesta circunscrição porque, segundo eles, Job Capapinha não tem nada a dar para esse povo tão sofrido.



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