Luanda - Obrigado, minha gente. Obrigado, minha gente pela vossa maturidade e pela vossa elevação. Obrigado, minha gente pela demonstração inequívoca, que na UNITA não é o facto de ser alto ou baixo, magro ou gordo que conta, quando escolhemos o Presidente do Partido. Na nossa Organização Política, como vós tivestes a oportunidade de demonstrar às angolanas e aos angolanos em geral, é o programa do candidato, as suas ideias, os objectivos apontados e sua capacidade nas mais variadas valências, que são determinantes na eleição para Presidente do Partido. Vocês foram simplesmente incríveis.

Fonte: Club-k.net

Foi a vossa inteligência e a vossa argúcia que vos permitiu enxergar para além da eleição do Presidente do Partido e situar o País, como foco principal da nossa atenção.

 

Obrigado, minha gente porque respondeste por mim, a tanta insinuação e ao logo de tantos anos. A minha presença na UNITA devido à cor da minha pele era permanentemente questionada.

 

Sempre respondi que nunca tinha sido desrespeitado ao longo dos anos da minha militância talvez porque nunca escolhi lugares fáceis. Subi a pulso e conquistei o meu espaço, com o meu trabalho e a minha dedicação para através dessa dinâmica isenta de paternalismos seja de que espécie for, não permitir qualquer hipótese de dúvida do merecimento desta ou daquela posição. Nunca fui homem de slogans e bajulações seja de quem for, mas há uma máxima do Dr. Jonas Malheiro Savimbi que segui religiosamente: “Olhe para o futuro com confiança e imponha-se um comportamento pessoal revolucionário para não ser vulnerável aos ataques” fim de citação.

 

Se hoje estou vivo é graças à generosidade de uns quantos heróis anónimos, (não para mim) que sacrificaram as suas próprias vidas para me tirar do terreno quando fui ferido com gravidade no Municipio do Luau.

 

O General Demóstenes sabe do que falo e o General Numa recorda-me sempre esse episódio quando nos encontramos. Era o Comandante que não podia ser abandonado no terreno e não o alto ou o baixo, o gordo ou o magro. Eu era o comandante deles e não me abandonaram, como de resto, seria o mais fácil. Oito baixas e trinta e dois feridos foi uma conta demasiado pesada.

 

Em 1998 fui co-signatário, com o meu amigo e companheiro Dr. Armindo Cassessa, de uma carta aberta dirigida ao Presidente da Republica de então, ao Presidente da UNITA e ao Representante Especial do Secretário Geral da ONU em Angola, onde apelávamos para que a guerra fosse imediatamente banida como opção. Infelizmente não fomos ouvidos e o rosário de mortes e destruição continuou a fazer caminho em Angola.

 

Em 1999 publiquei um livro intitulado “Angola - Onde os guerreiros não dormem”. Quis começar esse livro com uma metáfora do meu amigo Zé Abilheira. Ele comparava Angola a uma noite e filosofava assim: “Os guerreiros não dormem; os políticos não acordam e por isso mesmo o povo não pode sonhar”. Nós entendíamos já naquela altura que a guerra já não fazia qualquer sentido. As linhas força de mobilização para o combate estavam esgotadas, quer de um lado quer do outro. O muro de Berlim tinha caído. Já não havia a presença russo-cubana em Angola de um lado, nem tão pouco a ameaça do regime do Apartheid Sul Africano do outro.

 

Terminei esse livro com uma metáfora, essa de minha autoria, em que comparava a UNITA ao capim da nossa terra (ussoke). Queimado até quase à raiz, ele renasce à primeira humidade. E ela a UNITA, renasce, porque não é, nem nunca foi, apenas um Movimento/Partido. A UNITA , é sobretudo uma ideia. E as ideias, sejam quais forem as adversidades, não morrem!

 

A UNITA teve sempre a democracia como sua divisa desde os primórdios da sua fundação. O Projecto do Muangai que alguns tentaram denegrir e insinuar como algo tenebroso no seu ponto 2 diz o seguinte: Democracia assegurada pelo voto do povo através de vários Partidos Políticos.

 

Sempre insisti dentro da organização, que o Projecto do Muangai fosse tornado público como forma de desmistificar o que a propaganda do regime dizia a esse respeito e que se traduzia num simples: Projecto do Muangai é igual a “Nacional Matumbismo”.

 

Afinal conforme fica agora demonstrado, a UNITA já era uma formação política muito avançada para a época porque em 1966, por altura da sua Constituição já tinha na sua Divisa a democracia. Naquela tempo, a quase totalidade dos Movimentos de Libertação de então, tinham o totalitarismo como sua única opção:“a tomada e controlo do poder político”.

 

Foi também o combate da UNITA que permitiu a instauração de um regime multi -partidário no País;

 

A UNITA é de todos os Partidos Político o que mais Congressos realizou e foi também, o primeiro Partido a organizar eleições internas para eleger os seus líderes através de candidaturas múltiplas.

 

Há também um outro aspecto que historicamente faz os nossos adversários políticos morder os dedos de inveja. Ideologicamente a UNITA sempre situou a Direcção do Movimento no interior do País e foi ali onde sempre se manteve, mesmo nas maiores adversidades. Os outros, como sabemos, nos difíceis anos da guerra anti-colonial sempre tiveram as suas Direcções no Exterior do País.

 

Obrigado, minha gente por este desfecho que nos abre uma porta rumo ao futuro. Há quem prefira muros, mas a grande maioria optou pela ponte. E é essa, a vontade da maioria, que vai prevalecer.

Viva Angola

Viva a UNITA

URBANO CHASSANHA

 



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