Luanda - Faleceu em Portugal, Eduardo Nascimento, vítima de doença, um dos músicos angolanos que, a par do Duo Ouro Negro, obteve sucesso em território português na época colonial. O ponto mais alto da sua carreira foi a participação no Festival da Eurovisão realizado em Viena de Áustria em 1967, representando Portugal.

Fonte: Facebook

O nome do músico EN voltou à ribalta em 1975, em vésperas da independência de Angola quando se candidatou em Luanda - onde havia regressado - ao concurso para a composição da Letra e Hino Nacional do país que alcançaria à Independência no dia 11 de Novembro. O Ministério da Informação, que tinha à testa Manuel Rui Monteiro, criou uma comissão de trabalho que, à última hora, não aprovou o trabalho conjunto de Eduardo do Nascimento, assim como da compositora Ana Maria de Mascarenhas que, a ser aceite, seria o HINO NACIONAL de Angola.


Para desilusão destes dois autores, Manuel Rui, a pessoa a quem o MPLA e o Governo de Transição (GT) haviam indicado para coordenar o concurso para a Letra e Hino da República emergente, acabaria por receber o galardão de autor dos referidos símbolos da Nação, em parceria com o cantor Rui Mingas. Na época, tudo indicava que Eduardo do Nascimento e Ana Maria de Mascarenhas seriam os vencedores do concurso e dizia-se que o trabalho que realizaram teria sido subalternizado por quem deveria ser apenas o árbitro e acabou por ser também jogador e vencedor da contenda!


Inspirado no trabalho do candidato ao concurso, o poeta Manuel Rui terá dado uma nova roupagem ao texto, introduzindo nos versos palavras revolucionárias em voga como «poder popular» e outras de expressões inspiradas no jargão comunista deram maior harmonia ao conteúdo do que viria a ser o Hino Nacional de Angola.

Com o calor das emoções e porque a data da Independência se aproximava, a polémica em torno do que se passou nos bastidores do concurso foi praticamente abafada: o vencedor foi o próprio ex-ministro da Informação que controlava os Meios de Difusão Massiva (MDM), sem oposição, porque o Governo de Transição (GT) era controlado pelo MPLA, que meses antes havia expulsado da capital os outros Movimentos de Libertação Nacional (MLN).


O músico e compositor Carlos Lamartine já reivindicou, em distintas ocasiões, a co-autoria do Hino Nacional e que terá sido marginalizado pela dupla MRM e RM.

 



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