Excelentíssima Senhora Ministra,


Carta Aberta

Os jovens docentes do Ensino Superior pertencentes às IES públicas com apenas a licenciatura mostram-se preocupados com o que o futuro lhes reserva, dada a situação de despedimento que se avizinha imposta pelo Estatuto Orgânico a quem não tiver concluído o Mestrado na sua especialidade até o ano 2022. Nessa conformidade, gostariamos mostrar nosso descontentamento público pelas seguintes razões:


1. Insistir cada um a especializar-se na sua área é lógico, mas o País não oferece tais condições: felizardo é quem se licenciou em Ciências Políticas, Direito, Economia, Pedagogia, História, Psicologia,... Únicas áreas que o País forma;


2. Quando o seu Director dos Recursos Humanos (Alfredo Gabriel Buza) faz do despedimento futuro dos docentes seu hobby até nos óbitos, usando como esperança para incentivo à formação aos seus irmãos da igreja e familiares, dizendo – estudem, pois, brevemente vocês vão substituir os indolentes do Ensino Superior, é grave e condenável; pelas seguintes razões:


i. O actual Estatuto é uma criação do homem, sem auditoria da classe muito menos do sindicato;


ii. Ele aproveita a confiança e o conterranismo com a Senhora para impor sua vontade a todo custo, criando leis pesadas a quem quiser estudar (corte temporário dos salários enquanto permancer a estudar no estrangeiro) e a quem não conseguir (despedimento).

 

Vosso desempenho está francamente mal, mas pode ser melhorado, de modos a justificar a confinça depositada pelo Titular do Poder Executivo como sendo mérito pelo seu passado e não pela suposta amizade que o seu Cavalo-de-Troya alega publicamente entre a senhora e a primeira dama. Para o efeito, é necessário o seguinte:

1. Promover cursos de pós-graduação (Mestrado e Doutoramento) no País para superação da classe docente nas áreas deficitárias: Ciências e Tecnologia, podendo ser feito em parceria de duas ou mais IES (Públicas e Privadas) devido a falta de condições – Pelo menos quatro cursos;


2. Os visados à estes cursos devem gozar de uma licença laboral durante o ano que frequentam a componente curricular, assim como beneficiar de bolsas internas, pois, devem ficar numa única cidade que não é obrigatoriamente Luanda;


3. Um mestrado nessas condições deve ser atípico, sendo em simultâneo académico e profissional, ou seja, em vez de ser lecionado em módulos passa a ser por cadeira, pois, a Ciência e as Tecnologias funcionam pouco no modelo modular;

 

4. A semelhança do Mestrado em Matemática a decorrer na UAN, é possível com ajuda de portugueses, moçambicanos, camaroneses, cubanos, brasileiros e quadros nacionais, administrar os seguintes cursos:


i. Informática Escolar;
ii. Física Matemática;
iii. Física Eletrónica;
iv. Física Escolar;
v. Matemática para Professores;
vi. Ergonomia;
vii. Física Electrónica;
viii. Hidráulica e Física de Fluídos; ix. Electrónica e Telecomunicações;
x. Biologia Aplicada.


Não se alega a falta de recursos humanos. Basta fazer uma sondagem dos currículos dos docentes doutorados de todas IES públicas e privadas veremos que é possível materializar-se a ideia. Quanto às condições financeiras, gostariamos que isso constasse na agenda Nacional de Formação de Quadros.


Sabemos todos que uma bolsa externa é mais custosa que trazer um professor para formar 30; então não fazer isso só se entende duas coisas: ou premeditação de erro ou falta de raciocínio lógico. Também foi promessa do Presidente nas eleições melhorar e incentivar a formação de quadros nas áreas de ciências e tecnologia, a par do combate à corrupção foi a sua bandeira. Esquecer é uma amnésia crónica.


Ao terminar, pedimos à Senhora a interagir com seu Director de Gabinete sobre a sua atuação em locais impróprios e a premeditação dos erros impostos no Estatuto: há um provérbio popular que diz: a queda de uma árvore faz mais barulho que o crescer de todo bosque.


Os aflitos

 



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