Luanda - Moradores do Prenda gritam por socorro para a retirada da grua instalada há mais de 40 anos. O «empurra-empurra» de responsabilidades entre o Governo Provincial de Luanda (GPL) e o Ministério da Construção demonstra que o Governo ainda não tem um plano para remover a estrutura.

*Teresa Fukiady
Fonte: Novo Jornal

Cerca de 800 pessoas e mais de 40 casas estão em perigo devido ao risco de queda de uma grua de 100 metros de comprimento, na conhecida zona do Lote 22, no bairro Prenda, na província de Luanda. Presume-se que a grua esteja no local há mais de 40 anos e que, devido ao tempo, possa desabar a qualquer momento, facto que deixa os moradores a viver com preocupação e medo.

 

Isildo Simão é um dos moradores do bairro Prenda e tem a casa a menos de dez metros da grua, o que aumenta o receio deste cidadão.


“É urgente que se retire a estrutura”, avisa. Segundo contou ao NJ, quando chove e faz vento forte, a grua abana, dando a sensação de que poderá cair, deixando todos em alerta e “aterrorizados”.


A situação não é nova. Várias entidades ligadas ao Governo Provincial de Luanda e administradores já visitaram o local e até prometeram soluções. Porém, até ao momento, nada foi resolvido. A grua encontra-se numa zona de difícil acesso, rodeada de casas, o que impossibilita a sua retirada.


De acordo com Isildo, até já ouviram do administrador da Maianga que não se pode fazer nada, “porque as residências encontraram a grua”.


O responsável da comissão de moradores daquele bairro, Jaia Borges, explica que, no início de 2018, a Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL) e a Administração da Maianga procederam ao levantamento e ao cadastramento de algumas casas que seriam demolidas para possibilitar a entrada de máquinas para efectuar o trabalho de desmontagem da grua. Mas até agora «nem água vem, nem água vai».


O coordenador conta que, após o cadastramento, e devido às dificuldades financeiras, chegou-se à conclusão de que apenas oito casas seriam demolidas.


“As pessoas estão aflitas. Algumas casas até já foram abandonadas”, refere Jaia Borges, acrescentando que um levantamento foi feito, tendo-se concluído que a grua coloca em risco perto de 800 pessoas e mais de 40 casas.

Ministério da Construção e GPL negam responsabilidades


Contactado pelo NJ, o responsável do Gabinete de Comunicação Social do Governo Provincial de Luanda, Ikuma Bamba, mostrou não conhecer os planos para a retirada da referida grua.


“O Governo [GPL] não tem projectos para todos os problemas”, respondeu, num tom carregado, Ikuma Bamba, tendo afirmado que para esse caso o Novo Jornal teria de enviar uma carta ao governador de Luanda, Luther Rescova, a questionar sobre as possíveis soluções para a retirada da grua. Documento que o NJ chegou a remeter ao GPL dias depois. Numa carta de resposta (ver em anexo), o GPL respondeu que, para o esclarecimento sobre o assunto, era recomendável contactar o Ministério da Construção, que é da sua competência resolver, no quadro das suas atribuições.


Por sua vez, o Ministério da Construção, numa nota em resposta ao NJ, afirmou não possuir elementos sobre assunto, atirando a responsabilidade ao GPL, que “através dos Serviços de Fiscalização e/ou comunitários estará em melhores condições de prestar os devidos esclarecimentos sobre a grua, visto localizar-se num bairro sobre a jurisdição do GPL”.


Uma fonte próxima do Ministério da Construção confidenciou a este semanário que a resolução do problema da grua estava a ser coordenada pelo GPL com o apoio daquele órgão ministerial. Uma outra fonte, desta vez ligada à CACL, reafirmou que a responsabilidade está entregue ao GPL.


“A CACL não tem capacidade de meios e nem financeiros para desmontar aquela estrutura”, explicou. O interlocutor reconhece que já foram feitas várias promessas, mas que “lamentavelmente” não se cumpriram.
Por outro lado, o administrador para a Área Técnica da Maianga, Pedro Kalunga, declarou ao NJ que o processo foi encaminhado ao GPL desde o ano passado.



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