Luanda - Muito se disse e se diz sobre o livro da mana Bela Malaquias sobre alegadas mortes na Jamba. Um livro que já anda escrito há mais tempo e que somente na ocasião que saiu, a autora entendeu pô-lo a circular, não devia perturbar as pessoas nem levá-las à ira. Porque, verdade seja dita, não traz nada de novo e, como disse um amigo meu, é mais um livro, não vai mudar nada muito menos trazer de volta as pessoas supostamente mortas, nem curar as feridas abertas nos corações de familiares.

Fonte: Club-k.net

A mana Bela Malaquias deve ter pretendido apresentar o livro no momento em que o fez, para colaborar com a estratégia daqueles que não apreciam o bom momento da UNITA, alcançado com o XIII Congresso, que culminou com a eleição de uma nova direcção, vista pela maioria dos angolanos como uma excelente oportunidade para Angola mudar de rumo a partir de 2020, com as autarquias locais e em 2022 quando se realizarem as eleições gerais. Isto é verdade. Este facto incomodou os estrategas do regime.

 

Ao fazê-lo, voluntária ou involuntariamente colocou -se à disposição dos estrategas perturbados pelo sucesso da UNITA.


Quanto às reacções, como vimos, foram diversas, entre quem apoiou a iniciativa, quem ignorou e aqueles que simplesmente julgaram inoportuno exercício de memória. No meio dessas reacções, foram infelizes as ameaças de morte. Pelo li nas redes sociais terá havido alguém que utilizou chamada telefónica da rede unitel e proferiu ameaças. Foi excessivo e desnecessário. Não precisava de chegar até aí. Ainda em relação a tais ameaças de morte contra a mana Bela Malaquias, engana -se e deixa -se enganar quem pensar que tais opiniões têm bênção da direcção da UNITA.

 

A direcção da UNITA sabe que o Dr Jonas Malheiro Savimbi, a um dado momento, reconheceu os erros cometidos e assumiu-os, enquadrando os mesmos num contexto em que ocorreram e instou os membros a reconciliarem-se com os mesmos para que não mais voltem a acontecer. Quem teve acesso ao discurso do Dr Savimbi no dia 5 de Fevereiro de 1991, no Liceu Nacional Comandante Samanjolo, no Luengue sabe que ao falar dos erros cometidos pela sua direcção, fê-lo em penitência. “A direcção aceita que no processo de vos conduzir, na forma heterogênea que sóis e de vos ensinar a lutar, cometeu erros e está disposta e aceita discuti-los e deixa-los para trás”, afirmou na altura.


Em diferentes outras ocasiões o Dr Savimbi reiterou essa sua posição de reconhecimento do que passou a chamar de “passivo” um novo vocábulo introduzido por si, no léxico angolano para designar o que foi menos bom que aconteceu no decurso do processo político angolano. Mas foi no Kunguene, afluente esquerdo do Rio Lunguembungu, durante a XVI Conferência Anual da UNITA, realizada em 2001, que o Dr Savimbi foi profundo na abordagem desse assunto, cujo teor está publicado no livro Primeiro o Angolano, […] 2019 págs 444 - 474, de Esteves Betatela Pena.

 

Nesse texto, o Dr Jonas Malheiro Savimbi assume todos os erros da sua organização por ser ele o dirigente máximo. E foi profundo ao apontar que algumas coisas que foram feitas deveriam ter sido feitas de outra forma.

 

“Aos que carrearam a sua pedra para a grande obra por vezes mal aproveitada poupe-se o julgamento precipitado e erga-se uma intenção generosa”, afirmou. Nesse Informe à XVI Conferência, o Dr Jonas Savimbi fala da queima de bruxas sem se tenha acabado com o feitiço. Fala também da justiça expeditiva das instituições, que na sua óptica na fizeram julgamento profundo das situações ocorridas.


Creio que quem quiser contribuir para a verdade histórica deve ter em consideração o posicionamento assumido pelo Dr Savimbi e mencionar esses factos, sob pena se incorrer na parcialidade e superficialidade. A mana Bela Malaquias, no seu livro, “Heroinas da Dignidade", não faz qualquer referência à Assumpção dos erros pelo Dr Jonas Malheiro Savimbi, o que para mim constitui uma omissão grave.


Se quisermos aprender com o nosso passado, devemos por todos os meios travar toda e qualquer tentativa de violência política armada como aquela que os políticos angolanos de então não conseguiram evitar em 1975, 1992 e 1998. Foi essa violência política associada a ganância pelo controlo do poder político que ocasionou ambiente propício para as violações dos direitos humanos em Angola, relatados pela mana Bela Malaquias e os ocorridos no âmbito do 27 de Maio de 1977, cifrados em dezenas de milhares de pessoas sacrificadas entre militantes do MPLA.

 

A direcção da UNITA não deve ser associada às ameaças de morte contra a autora do livro “Heroínas da Dignidade “. Não tem interesse no assunto. A senhora Bela Malaquias fala como escreveu no seu livro desde 1997, quando se juntou ao MPLA na sua cruzada contra Jonas Savimbi. Portanto, é a polícia que deve ser chamada a fazer o seu trabalho. Por isso, acho que foi correcto o procedimento da mana Bela Malaquias ter feito participação às autoridades competentes sobre ameaçadas proferidas contra si, uma vez que casos do género são de Polícia.


As insinuações de Ismael Mateus sobre essa matéria são descabidas e reflectem somente a superficialidade com que os nossos analistas gostam de apreciar as situações.

 



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: