Luanda - O Marketing Digital é a criação de valor para os Clientes, através da criação contínua de inovação e diferenciação usando as Mídias sociais.

Fonte: valdemarvieiradias.com

A eficácia nessa criação contínua de inovação e diferenciação tem a ver com a pergunta que farei de seguida na qual muitas empresas ainda têm dificuldades em responder: qual é a “dor” que a sua empresa resolve ao mercado? Caso essa pergunta fosse a si dirigida e se adequasse, qual seria a sua resposta, caro leitor?

A maior parte das inovações falham porque não resolvem nenhuma “dor” no mercado. Entenda-se “dor” como um problema ou uma necessidade específica.

Com base em informações recolhidas em websites dedicados e de referência em marketing digital, treinamentos e seminários dos quais tive a oportunidade de participar partilho consigo algumas das principais tendências do marketing digital no mundo para o ano de 2020.

1 – Adaptação do SEO aos novos hábitos e tecnologias

Uma das principais tendências no que diz respeito a SEO – Search Engine Optimization (optimização para motores de busca – ex.: Google), é a adaptação das estratégias às novas tecnologias e hábitos dos consumidores.

De modo geral, as técnicas básicas de SEO não sofreram grandes mudanças, mas a forma de aplicá-las aos sites e as lojas virtuais deverão passar por modificações por conta das novas formas das pessoas usarem a Internet.

Outro ponto que merece destaque entre as tendências do marketing online em 2020 é o SEO local. Com o aumento do tráfego através de dispositivos móveis, esse segmento do processo de optimização de sites para ferramentas de busca deve ganhar ainda mais relevância.


2 – Crescimento do volume de pesquisas por voz

Sendo que a pesquisa por voz já representa 20% das pesquisas feitas por internautas, as empresas levarão em consideração esse perfil de usuário nas suas estratégias de SEO em 2020. Com todos os principais provedores de tecnologia que investem em assistentes virtuais, a tecnologia de inteligência artificial, se tornará uma parte fundamental da jornada de um usuário com uma marca.

Os dispositivos habilitados para voz, como o Alexa da Amazon e o Google Home, foram um sucesso entre os consumidores em 2019. Deste modo, o uso destes dispositivos deverá apresentar um forte crescimento e se tornar uma das maiores tendências de marketing digital de 2020.

Querendo ou não, a pesquisa por voz afecta as estratégias de SEO e exige que se incorpore comandos de voz nas estratégias de pesquisa orgânica, principalmente nas que envolvem táticas de SEO local.


3 – Links patrocinados – novo round na luta entre o Google vs Facebook

Outra tendência forte é a disputa entre o Google e o Facebook na área dos links patrocinados. O Google Ads tem perdido muito espaço para o Facebook Ads, o que tem estado a preocupar bastante a equipa de Mountain View.


A reposta tem sido recursos cada vez mais sofisticados no Google Ads e um poder de segmentação cada vez maior.


4 – Adopção definitiva do marketing digital pelas pequenas e médias empresas

Não é mais uma questão de opção, mas sim uma imposição do mercado. O marketing digital para pequenas e médias empresas já era sem dúvida uma tendência. O problema é que muitas empresas, por alguma razão, assim não entenderam e estão agora a correr atrás do tempo perdido.

A presença de pequenos e médios empresários ou empreendedores nos cursos de marketing digital tem sido cada vez maior nos mais variados mercados.


5 – Marketing de conteúdo

Muitas empresas têm estado a apostar forte no marketing de conteúdo, sendo este uma das principais maneiras para as marcas estabelecerem a sua autoridade e ganharem a confiança dos consumidores.

O Inbound Marketing permite que uma empresa construa progressivamente um relacionamento com seu público-alvo e dessa forma conquiste a confiança e preferência das pessoas.

O marketing de conteúdo desponta como uma das grandes tendências do marketing digital em 2020 e deve se destacar em blogs e outras Mídias sociais.
Outro motivo para apostarmos fortemente no marketing de conteúdo é o custo deste tipo de estratégia, na ordem de mais ou menos 60% menos que as ações do marketing convencional.


6 – Estratégias de marketing cada vez mais sofisticadas

Segundo uma pesquisa 97% das pessoas que visitam uma loja online pela primeira vez saem sem comprar absolutamente nada. Com esse dado, não é de admirar que o remarketing seja mais uma vez destaque entre as grandes tendências de marketing digital para 2020.

Em poucas palavras, o remarketing funciona através da utilização de cookies do navegador para rastrear os sites que os usuários visitam.

Uma vez que saem de um determinado ambiente, os produtos ou serviços por eles vistos serão mostrados a eles novamente em anúncios em diferentes websites.


7 – Marketing em tempo real por geolocalização

O marketing por geolocalização, permitido por ferramentas disponíveis no Google, Facebook e Instagram, oferecem às marcas a possibilidade de veicular os seus anúncios em função de uma segmentação para dispositivos móveis.

Usando esse recurso, as marcas conseguem entregar os seus anúncios aos consumidores, assim que o GPS do telemóvel é identificado próximo à localidade de uma de suas unidades.

Por exemplo, a Starbucks oferece a ferramenta “Mobile Order and Pay”, que permite aos clientes comprar itens online e buscá-los na loja mais próxima.


8 – Funis de conversão com menos etapas

Outro grande destaque, desta vez no que diz a estrutura de campanhas, será o surgimento de funis de conversão com cada vez menos passos e uma consequente redução de custos com campanhas que sejam bem estruturadas.

As ferramentas de remarketing evoluíram muito no último ano. Os Facebook Ads oferecem cada vez mais opções de segmentação e em um ambiente em que os funis de conversão precisam de ser cada vez mais rápidos, em função da concorrência, isso é essencial.


Se por um lado isso exige campanhas cada vez mais sofisticadas, por outro reduz drasticamente o investimento em Média paga.


9 – Influenciadores digitais

Outro destaque entre as tendências do marketing digital em 2020 é o uso cada vez maior por parte das marcas, do poder dos Influenciadores Digitais nas suas campanhas.

Algumas pesquisas mostram que aproximadamente 90% das pessoas confiam nas opiniões de amigos e colegas em redes sociais e somente 30% dessas pessoas levam em conta, na hora de decidir, a argumentação de anúncios pagos como Google Ads e Facebook Ads.


Num cenário como este é razoável apostar numa participação cada vez maior dos influenciadores digitais em campanhas, principalmente aquelas que têm como principal veículo as redes sociais.


10 – Mais capacitação dos profissionais de marketing digital

Para os profissionais de marketing digital, o ano de 2020 promete ser mais um ano de grandes oportunidades e muito trabalho.

A área de marketing digital nunca esteve tão valorizada e cada vez mais as empresas procuram criar e capacitar as suas próprias equipas o que permite, também, reduzir os elevados custos das agências digitais.

E Angola, como estamos? Será que estas tendências terão impacto no nosso mercado? Estarão as nossas empresas preparadas para colocarem em prática tais tendências? Qual é a sua opinião caro leitor?


Alguns números:

De acordo com o estudo Digital 2019 (Angola) elaborado pelas empresas We Are Social e Hootsuite, Angola tem 31.28 Milhões de habitantes (66% urbanização) – entenda-se M como Milhões – destes 13.97M (45%) têm subscrições de telefonia móvel, 5.95M são utilizadores de internet (19% de penetração), 3.50M (11% de penetração) são usuários activos de Mídias sociais e 3.40M são utilizadores de Mídias sociais de telefonia móvel (11% de penetração).

No período anual entre Janeiro de 2018 e Janeiro de 2019, para os mesmos indicadores acima, o relatório ilustra crescimentos digitais de +3.3% (+1M), +4.8% (+644), 0%, +30% (+800), +31% (+800) respectivamente.

Outros dados também bastantes interessantes do estudo são os indicadores relacionados com o E-commerce. Como o caro leitor acha que estamos relativamente a esta área? Faz-se ou não E-commerce em Angola?

O relatório diz ainda que relativamente a percentagem da população com mais de 15 anos de idade que possui ou utiliza produtos/serviços financeiros, 29% tem uma conta com uma instituição financeira, 4.4% possui um cartão de crédito, sendo que apenas 1% faz compras e/ou paga contas online, 3.1% representa o género feminino com cartões de crédito contra 5.6% do género masculino e que só 0.6% das mulheres fazem transacções online ao contrário dos homens que correspondem a 1.4%.

O relatório apresenta mais dados estatísticos interessantes como por exemplo indicadores essenciais demográficos e económicos, ranking dos websites com mais visitas e páginas vistas, top 20 das pesquisas no Google em 2018, audiência das principais redes sociais usadas pelos angolanos, dentre outros, que contarei apresentar neste espaço oportunamente.

Olhando para os números acho que temos grandes desafios pela frente e também grandes oportunidades para desenvolver o digital em Angola. Já temos algumas iniciativas de empresas que se revelam bastante interessadas no digital, falo por exemplo do sector financeiro bancário que já tem dado prova disso, no caso da possibilidade de abertura de uma conta completamente em ambiente digital sem que a pessoa se desloque ao ponto de venda, pagamentos de produtos e serviços nas suas plataformas de homebanking, etc. No sector segurador, no caso da adesão ou participação de sinistro de um seguros ainda é, na sua maioria, nos dois ambientes online e offline.

Relativamente a venda online já temos alguns sites de referência que cada vez mais vão melhorando os seus recursos procurando proporcionar experiências cada vez melhores aos consumidores.

Nos meses de Setembro e Novembro deste ano foram realizados em Luanda dois grandes eventos: a Expo Marketing Digital na sua 1ª edição e pela 3ª vez o Fórum Mercado de Capitais – Capitalizando a economia 4.0.

No primeiro evento debateu-se sobre o estado do marketing digital angolano, vendas online, tendências, vantagens e desafios. A organização do evento pretende realizá-lo todos os anos.

Quanto aos segundo evento, na sua 3 edição, que teve como principal objectivo debater e promover temas relacionados com a dinamização da economia digital em Angola, tendo como tema central “Mercados de Capitais, capitalizando a economia 4.0”. O evento contou com a participação de vários players dos mais variados sectores com destaque para a Ministra das Finanças, Vera Daves e o PCA da CMC, Mário Gavião.

De acordo com a ministra Vera Daves é necessário incrementar a literacia/educação financeira para capacitar os cidadãos de modo geral na forma como lidam com o dinheiro, cultivar a poupança, terem a percepção adequada dos riscos financeiros que podem estar expostos em cada momento, ou seja estarem prontos para o futuro por conta de que todos os processos serão tendencialmente digitais e sempre inovadores.

Já o PCA Mário Gavião falou que desde cedo o sector financeiro soube retirar e oferecer benefícios da tecnologia e capitalizar as oportunidades que a mesma oferece. Disse ainda que tal movimento tem sido acelerado por força de avanços tecnológicos como a inteligência artificial, a tecnologia do blockchain ou a utilização de robots informáticos, o que mexe com as instituições financeiras “tradicionais” que vão deixando de controlar toda a cadeia de valor, assistindo-se a uma verdadeira batalha pela conquista do consumidor final.

Pelas abordagens acima noto que é reconhecida a “grande” preocupação sobre os temas ligados ao digital de modo geral, as necessidades e as soluções são (re)conhecidas e que é necessário rapidamente por a mão na massa criando todas as condições necessárias (do lado político e empresarial) para de facto seguirmos em frente. São tendências que o mercado oferece e de modo incontornável os seus players terão de abraçar.

 



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