Luanda - 15 deputados do Partido Africano para independência da Guiné e Cabo Verde( PAIGC) foram expulsos por indisciplina partidária e também por votarem contra a menção de confiança do programa do governo de Carlos Correia(então primeiro ministro).

Fonte: Club-k.net


Deste diferendo o partido mergulhou em crise com acusações públicas recíprocas. Por isso os dissidentes criaram uma nova organização política, Movimento para Alternância Democrática- MADEM G 15. Fazendo um verdadeiro cocktail político (15 deputados expulsos mobilizaram muitos militantes, e estes os outros e no final o povo sobretudo eleitores).


Umaro Sissoco Embaló apoiado pelo MADEM G15 (ex primeiro ministro de Novembro de 2016 a Janeiro de 2018) foi eleito presidente da Guiné-Bissau nas eleições de 29 de Dezembro de 2019 com 53,3% dos votos . Embaló aproveitou a instabilidade política entre Domingos Simões Pereira ( ex primeiro ministro e presidente do PAIGC e José Mário Vaz ( candidato derrotado nas presidenciais na primeira volta e o único presidente que terminou o seu mandato). Pois neste período nomeou e demitiu sete primeiros ministros. O último nomeado à boca das eleições presidenciais( Fernando Imbali ) que depois de pressão Nacional e internacional renunciou). Enquanto Domingos Simões Pereira foi o principal instigador da expulsão dos 15 deputados.

Ademais, os interesses pessoais de ambos conflituantes eram superiores aos da nação. E o país estava à deriva.


Estes factores e outros contribuíram para Embaló ser o vencedor das últimas eleições presidenciais. Não obstante, sabermos que o actual primeiro ministro Aristides Gomes é do PAIGC. Portanto a expectativa é grande para vermos como será a coabitação. A certeza é única, a Guiné-Bissau não deve continuar a ser ingovernável e as organizações internacionais P5 ( Nações Unidas, União Africana, União Europeia, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) não devem intervir eternamente até para tratar assuntos de “ciúmes”.


Ora bem, analogia que podemos fazer para Angola que encontra-se no período de transição política entre a ruptura total do passado, a construção do presente e o futuro incerto do MPLA e do Estado. É que os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau são bons indicadores.


No MPLA estão a ser “varridos” os marimbondos com processos judiciais e políticos, acusando-os de corruptos, ladrões incorrigíveis e causadores de toda desgraça colectiva do povo angolano. Portanto há divisão inequívoca : bons e maus. Esta é a narrativa política de João Lourenço.
Por isso a família dos Santos e alguns antigos colaboradores de Eduardo dos Santos são levados aos tribunais como baluarte do combate a corrupção e à impunidade.


Ora dizem vozes que esta luta é selectiva porquanto o governo do MPLA foi sempre uma das melhores máfia do mundo. Por isso todos sem excepção devem ser responsabilizados. (Pura ilusão! Mas é democracia, não é crime pensar diferente ).


A actual arma de João Lourenço e companhia é perigosa, ou seja, se na hora do balanço o dito combate não surtir efeitos reais na vida dos cidadãos. Logo será o maior fracasso ( se nada mudar o precipício será inevitável).


Então dissidentes do MPLA poderão triunfar criando um novo MADEM G15 capaz de mobilizar e incluir todas as sensibilidades sem tabu nem preconceitos. Desmontar as fragilidades e os erros desta gestão com urbanidade e apresentar melhores soluções. Assim poderá constituir-se numa verdadeira alternativa política porquanto a liderança deverá estar ao nível do povo sofredor e nascer o espírito de humanos que parece nunca teve.


Outrossim, criar empatia com o povo, construir um grupo coeso com ex militantes do MPLA e de outros partidos, agregar pessoas influentes e carismáticas dentro e fora da sociedade civil. E mais imperar o discurso de reconciliação, humildade, esperança e implementar estratégias políticas do bem. Portanto um MADEM G15 angolano deve ser pensado e estruturado para evitar hecatombe.


As crianças aprendem imitando dizem os pedagogos. E os políticos devem ser como elas.

Que Deus oiça clamor do povo!

Domingos Chipilica Eduardo

 



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