Luanda - Estamos na recta final do ano, um período de reflexão, confraternização com a família, amigos e colegas de trabalho, como também de balanço do ano, a nível familiar, social, financeiro e de projeção de metas e desafios para o ano seguinte. Porém, para os docentes colaboradores da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, este, é um período de frustração, humilhação, desespero e tristeza, não somente para si, mas também para as suas respetivas famílias, pelo seguinte:

Fonte: Club-k.net

Desde o início do ano 2018, que se foram verificando constantes atrasos no pagamento dos salários do pessoal docente, na condição de colaboradores. Nesta fase, o salário atrasava por 3 meses ou mais. No entanto, a direcção da FCS alegava que, dos valores cabimentados no OGE para o Ministério do Ensino Superior e para a FCS-UAN em particular, apenas recebiam uma parte irrisória, que não cobria as necessidades da instituição. Por isso, a direcção argumentava que a FCS-UAN dependia, quase exclusivamente, da propina dos estudantes do período pós-laboral, para pagar os salários de todos os docentes colaboradores. Segundo a direcção da FCS-UAN, tendo em conta que naquela altura, os estudantes encontravam dificuldades no pagamento das propinas, como consequência directa, a FCS-UAN, não conseguia honrar o pagamento dos salários ao corpo docente a tempo.


O ano de 2019 pode ser caracterizado como o mais difícil para os professores colaboradores, do ponto de vista da sua satisfação financeira. Antes do fim do I semestre, a direcção chamou todos os docentes colaboradores para anunciar três medidas:

- A primeira seria a dispensa de grande parte dos docentes colaboradores;


- A segunda medida, consistência na passagem dos docentes colaboradores a tempo integrais, para tempo parcial. Esta medida entrariam em vigor, já no II semestre de 2019.


A terceira medida é que seria feito um mapa de dívidas da instituição para cada docente, estes mapas foram entregues apenas 2 meses após a reunião. Neste mesmo documento, a instituição se comprometia a pagar as dívidas a cada docente, nos 6 meses seguintes. Até ao momento, não foi pago NENHUM valor da dívida, com o agravante, da mesma ter crescido, devido o não pagamento de TODOS OS SALÁRIOS DO II SEMESTRE. Dito doutro modo, OS DOCENTES COLABORADORES DA FCS-UAN, ESTÃO HÁ UM ANO SEM RECEBER OS SEUS SALÁRIOS.


Durante este período todo, a direcção da FCS-UAN, nunca abordou ao nosso ver, a questão da divida como devia. Das poucas vezes que faz referência ao assunto, fê-lo de forma muito vaga, alegando que “a situação está difícil, mas estamos a resolve-la”. A direcção nunca entrou em detalhes, explicando claramente, ao corpo docente em causa, sobre as formas de resolução que estão(vam) a ser usadas. Em função desta demonstração de má-fé, desrespeito, indiferença, humilhação, acrescido ao facto de não existir um sindicato na instituição, uma boa parte dos docentes nesta condição, equacionou fortemente a possibilidade de não entregar as pautas das provas parcelares e condicionar a aplicação dos exames do II semestre, ao pagamento, de pelo menos, 50% da divida.


A título de exemplo, na última assembleia de trabalhadores (realizada no dia 3 de Dezembro de 2019), a Sra. Decana da FCS-UAN – Professora Doutora Luzia Milagre, garantiu novamente de forma vaga, que uma boa parte da divida seria paga antes do fim do ano. Estranhamente, tanto a Sra. Decana, como o responsável financeiro da instituição, saíram de férias depois do dia 20 de Dezembro, ou seja, não foi pago nenhum valor prometido e não foi dada nenhuma explicação aos docentes.

Será que estamos numa versão moderna do “monangambé”.

Luanda, aos 31 de Dezembro de 2019


O colectivo de docentes colaboradores da FCS-UAN

Assinatura ilegível
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