Luanda - O conceito centralidade entra para o nosso vocabulário como sinónimo de urbanismo e um bem estar social adquirido por força das condições do país que somos, onde há muito por fazer, sobretudo no capítulo das necessidades básicas.

Fonte: Club-k.net

A nova centralidade do Zango 5, que há dois anos, tem estado a cadastrar e a vender os apartamentos T3 dos seus edifícios abriu-se à sociedade com um aspecto magnificente, que deixa qualquer um sonhar entre quatro paredes, sem os incómodos do aluguer ou da dependência familiar.


Entra-se para a centralidade e os olhos brilham de satisfação pela beleza paisagística dos edifícios e avenidas largas, desenhadas para causar boa impressão e oferecer maior fluidez à circulação rodoviária.


E ficamos efectivamente satisfeitos quando notamos que o asfalto das avenidas vai desembocar à porta de casa, causando uma agradável sensação de bem estar e ansiedade.

O Zango 5, bonito que é pelo paisagismo, deixa entretanto a desejar, por não ter, dois anos depois de começar a alojar pessoas, um sistema de recolha do lixo, transportes públicos acautelados, serviços de emergência hospitalar, farmácias, morgue, salão de festas, esquadra da polícia, lazer, etc.

Tirando isso apenas a alegria das escolas primárias, secundárias e superior, parques infantis, jardins, fazem a diferença no meio de outras estruturas próprias de uma centralidade.


No Zango 5, há dificuldade nas telecomunicações, por não se ter acautelado um concurso público de adesão para os operadores. Nestes termos viver no Zango 5 torna-se de facto num grande constrangimento, pelo isolamento comunicacional em que a pessoa está entregue, em caso de emergência.


A segurança pública está ameaçada pelo surgimento de bairros clandestinos à volta da centralidade, o que pressagia, a breve trecho a coexistência com o crime, designadamente os assaltos domésticos e à mão armada.


À entrada da centralidade o aspecto rústico dos armazéns comerciais denuncia o ambiente típico dos esquemas tradicionais de construção de armazéns de comércio a grosso e a retalho, indiciando negócios pouco convencionais, tal como se observa noutras localidades.

Resultado: a centralidade já está condenada à partida a perder o seu urbanismo, o seu modelo paisagístico, a segurança, a edilidade, por esses factores externos nefastos que lhe retiram a originalidade.


Infelizmente não há quem se preocupe com estes elementos fundamentais da vida num meio urbanizado, onde as pessoas possam desfrutar de um conforto material e espiritual em ambiente saudável.


Implantada numa zona microclimática e com áreas verdes preenchidas por imbondeiros de vários tamanhos, a centralidade do Zango 5 tende a expandir-se mais tarde.


Segundo se diz, “ainda que seja com o sacrifício dos imbondeiros à sua volta, o que para mim constitui um crime contra a natureza e um campo aberto às alterações climáticas da área, que podem interromper neste momento, que a chuva, por vezes intensa, amenize o calor que deixa os moradores em brasa.


A centralidade do Zango 5 é finalmente um modelo de como as soluções de habitação de baixa renda podem no futuro, fazer esquecer as tristes experiências dos Zangos 1,2,3 e 4, onde a ausência de infraestruturas básicas transformam a prazo, essas áreas em autênticos ghetos, com os problemas de insalubridade, insegurança, que se conhecem.


A disputa de terrenos, o açambarcamento de zonas e moradias, pelos responsáveis administrativos constituem, alguns dos problemas que essas zonas de concentração populacional em massa, enfrentam.


As estradas principais construídas sob bases primárias de sustentação, apenas com duas linhas de ligação para o centro e à centralidade provocam engarrafamentos, em pontos de intersecção que levam o condutor a permanecer mais de duas horas para alcançar o centro da cidade.


As ravinas, as águas pluviais concentradas, os cogumelos de bairros de lata, dão aos primeiros quatro Zangos o aspecto de uma grande sanzala, tipo Cidade de Deus, no Brasil, onde impera tudo menos o bem estar material e espiritual.


A Centralidade do Zango 5 veio corrigir aspectos infraestruturais não previstos nas primeiras 4 urbanizações concebidas para alojar famílias de baixa renda, boa parte delas a viverem em zonas de risco na província de Luanda.

 

Numa altura em que se criam as bases de implantação do poder local, após as eleições autárquicas previstas para breve, o modelo encaixa-se perfeitamente em futuras iniciativas imobiliárias que o país possa vir a assumir noutras regiões.

 

E é nisto que os governantes têm de começar a pensar se quiserem merecer dos munícipes as honras e glórias pelo excelente trabalho que realizarem, ou seja, se quiserem constar no coração dos seus governados.

ANDRÉ PINTO

 



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