Benguela - Quando vi a engenheira IS ontem a ser entrevistada na Tv portuguesa, lembrei-me do que aconteceu no dia em que a então poderosa Presidente da Sonangol veio Benguela visitar a refinaria do Lobito, cujas obras, já em estado avançado, ela mandou paralizar por razões que só ela sabia.

Fonte: Club-k.net

Trazia um sorriso cândido realçado pelas duas covinhas que lhe agraciam o rosto. Chegou a meio da manhã num jacto particular, acompanhada de alguns dos seus executivos e uns tantos jagunços da sua escolta pessoal. O que a todos espantou foi o facto da senhora IS não ter aceite deslocar- se nas viaturas protocolares existentes na província. Por exigência caprichosa sua, bem cedo tinha aterrado na pista da Catumbela um cargueiro pesado da Força Aérea Nacional trazendo a sua reluzente frota de automóveis e respectivos condutores e mais escoltas que se soube serem da Presidência da República.


A visita duraria apenas umas poucas horas. A meio da tarde, a rampa do cargueiro voltou a baixar e a reluzente frota novamente carregada no bojo do cargueiro. No outro lado da placa, IS galgava sorridente as escadas do seu jacto e regressava a Luanda com a sua missão cumprida: não haveria mais refinaria no Lobito.


Nunca quiz levantar publicamente esse estranho episódio, porque ele se associa a um outro lamentavelmente ocorrido durante a sua fugaz passagem pela fábrica Angoflex.


Foi justamente isso, que me veio à mente ontem, quando acompanhei a entrevista da filha do antigo PR de Angola. Ontem vi uma mulher de semblante carregado pelo peso da responsabilidade num esquema internacional de enriquecimento por meio de condutas que, aos olhos de todo o mundo, contribuíram para a ruína de uma nação inteira.


Ontem, no rosto de IS não apareceram mais as antigas covinhas nem o sorriso cândido da época da fugaz ascensão da gloriosa e caprichosa princesa. Apesar da fluência no discurso e do esforço em aparentar tranquilidade, a sua expressão facial, os gestos súbitos evasivos a traíram várias vezes. A exaustiva preparação a que se submeteu para enfrentar as câmaras caiu positivamente por terra como as mangas podres se desprendem das mangueiras à passagem de qualquer vento. Nos descontos de tempo ainda tiraria da cartola a derradeira e mirabolante cartada, mas já estava nocauteada e irremediavelmente estatelada ao comprido no tapete.


IS iniciou agora a trilhar o caminho doloroso das coisas, um caminho que se vai afunilando a cada passo dado na direcção errada. Caso não desperte rapidamente do encanto de Hubrys, não se lhe esperam dias tranquilos. A justiça está no seu encalço e a justiça não gosta da mentira.


A mentira tem pernas curtas e mesmo com a mais refinada manipulação ninguém consegue enganar todos durante todo tempo.


Foi nisso que pensei, ontem, quando vi a entrevista de IS na Tv portuguesa.



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