Lisboa -  Reavivaram-se em meios políticos e intelectuais angolanos, agora mais com mais intensidade, antigos rumores, segundo os quais José Eduardo dos Santos (JES) tem em mente promover a sua substituição no cargo por um dos seus filhos, José Filomeno dos Santos “Zenu”; na aplicação especial que denota na adopção de um novo modelo de eleição presidencial, também é identificado tal desígnio.


Fonte: AM


O novo modelo, constante do anteprojecto apresentado pelo MPLA, é visto como dando a JES as seguintes garantias:


- Assegurar uma eleição honrosa do próprio ou de quem ele apontar em seu lugar (neste caso dependendo do momento em que o acto eleitoral tiver lugar – em 2010; no termo da actual legislatura, 2012, ou em eleições seguintes, 2016).


- Evitar tensões internas a que dariam azo resultados díspares, alcançados por si próprio e pelo MPLA, em eleições separadas (a lista passa a ser única e o acto também).

- Organizar/controlar o processo da sua futura substituição, incluindo a prerrogativa de indicar um nome da sua preferência.


Em Dez terá lugar um congresso do MPLA, no qual JES pretende ser reeleito líder num ambiente de exaltação da sua figura e obra, de modo a reforçar o seu poder. No modelo eleitoral contemplado no anteprojecto do MPLA, ao presidente do partido caberá papel determinante na escolha futura dos candidatos a PR e vice-PR.


2 . J F dos Santos “Zenu”, cuja progenitora, Filomena (Necas), é uma angolana nos últimos anos radicada na Grã-Bretanha, tem presentemente menos de 30 anos – idade impeditiva de apresentação da sua candidatura à eleição para o cargo presidencial (o texto constitucional estabelece o limite mínimo de 35 anos).


Os rumores de acordo com os quais JES tem o propósito de se fazer substituir pelo filho, seguindo com isso uma prática corrente em processos similares em África (o último no Gabão; próximo, no Senegal), particularizam que está previsto “lidar” com o “handicap” da idade nos seguintes termos:


- Remeter as próximas eleições, mistas, a realizar já de acordo com o novo modelo, para 2012; JES será então o candidato presidencial na lista do MPLA.


- Em 2016 ou em data anterior, por motivo de antecipação de eleições, apresentar e patrocinar a candidatura de “Zenu” como cabeça de lista do MPLA.


“Zenu” é visita frequente do Palácio Presidencial, com o fim de se avistar com o pai ou colaboradores próximos do mesmo – uma evidência entendida como destinando-se a “familiarizá-lo” com assuntos de Estado. JES dedica-lhe especial atenção em privado e ordenou que lhe fosse prestada segurança pessoal permanente.

 

Está dedicado aos negócios privados – em especial nos sectores petrolífero (Somoil), bancário (Banco Quantum) e imobiliário; tem uma conduta considerada mais discreta que as irmãs e outros familiares, que também praticam o mesmo modo de vida, mas denotam mais exuberância – em especial Tchizé Santos.


“Zenu” tem igualmente a reputação de possuir vastos interesses patrimoniais na província de Benguela – em diversos sectores. Manuel Vicente, PCA da Sonangol, é apontado como um dos seus melhores amigos.

 

JES tem outros dois filhos varões, em idade adulta: José Paulino dos Santos “Zédu”, cuja mãe, Milucha Abrantes, também o é de Tchizé Santos; Josias dos Santos, cuja progenitora, Dadinha, é funcionária da Sonangol; Zédu ocupa-se de negócios, muitos dos quais ligados a Tchizé; Josias é estudante numa universidade inglesa.


Os negócios comuns a Tchizé Santos e “Zédu” situam-se em especial nas áreas da comunicação social, marketing e entretenimento. A exploração do canal 2 da TPA foi recentemente atribuída a uma associação de empresas de comunicação a que ambos estão ligados.

 

3 . O cenário de uma eventual substituição de JES por “Zenu” é considerado ”muito improvável” em meios do próprio regime, que o consideram uma “solução dinástica” sem aplicação em Angola. A popularidade e o prestígio interno de JES são escassos para levar o regime e a sociedade a aceitar uma tal solução.

 

A “Zenu” também não são reconhecidos atributos intelectuais e políticos suficientes para dar vazão a uma aspiração de substituto de JES como PR.

 

Exemplos recentes apontados:


- Má prestação numa “acção política” em Benguela destinada a contactos com a população e autoridades tradicionais, em vésperas de inauguração da nova ponte sobre o Rio Catumbela (cerimónia presidida por JES).


- Preterido pela JMPLA como candidato ao CC do partido no congresso que se avizinha; invocado o argumento da sua “diminuta militância partidária”.


O “imprevisto” da não aceitação de “Zenu” como candidato da JMPLA é atribuído a “desatenção” do SG, Dino Matross, cuja substituição no cargo vem sendo dada como certa por razões como “inabilidade” na gestão de contradições internas no partido (recentemente também foi ofuscado por mau desempenho num debate televisivo).



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