Luanda - O Estado deve acelerar os programas estruturais e dinamizar os planos de acção existentes para formalização da economia informal, defendeu nesta quinta-feira, em Luanda, a economista Juliana Evangelista Ferraz.

Fonte: Angop

Falando na cerimónia de lançamento do livro "O Poder da Economia Informal", sublinhou ser um processo complexo e que as políticas existentes devem acções mais práticas e objectivas para poder formalizar o sector informal em Angola que representa cerca de 42% do total da economia.

 

Na visão da autora, o processo de formalização não pode ser só dos agentes informais, mas também das empresas legalizadas que têm alguma dificuldade em obter financiamento para poderem dinamizar os projectos que têm em carteira.

 

Juliana Evangelista Ferraz esclareceu que a formalização não passa apenas pelo financiamento pelo facto das empresas enfrentarem custos relacionados com energia, água e que muitas delas são suportadas por geradores.

 

Acresceu que para a diversificação da economia não “precisamos apenas dos agentes informais”, mas daqueles que já existem e que precisam de tecnologia, electricidade e fornecimento de água, apesar de existirem ainda algumas lacunas.

 

De acordo com a especialista, deverá haver maior aposta no fomento dessas empresas por via do financiamento aos pequenos empreendedores, para aumentar as receitas, as contribuições para o Estado que poderá arrecadar mais receitas para poder cumprir com as suas actividades ao nível dos projectos sociais e do Orçamento Geral do Estado (OGE).

 

“Poder da economia informal aparece como um complemento da economia formal. Penso que é um mal necessário, penso que devemos estar todos virados para a formalização de empresas que vai permitir o aparecimento de novos, pequenos empreendedores, micro empresários e pequenas empresas”, disse.

 

Na obra, a autora apresenta a teoria dualista onde os agentes informais estão excluídos das oportunidades que se criam no sistema económico devido desequilíbrios existentes nas taxas de crescimento da população, às características do emprego moderno, e ao défice de qualificação das populações, o que faz reduzir as oportunidades de emprego.

 

O actual contexto de crise financeira mundial exige maior intervenção da gestão pública no sentido de se criar confiança e fortalecer o sistema financeiro e, desta forma, normalizar o funcionamento dos mercados monetário, de crédito, câmbio e de capitais.

 

Refere que a solidez da economia angolana, de entre outros factores, depende sobretudo da robustez do sistema financeiro, que se pretende sólido, sendo que a resiliência que se espera não deve ser um fim em si, mas o meio para alavancar a economia real.

 

Por seu turno, o secretário de Estado do Comércio, Amadeu Nunes, considerou a obra como um contributo “muito válido” tendo em conta ao facto de ser uma preocupação que o Executivo tem no sentido do país ter mais formalidade.

 

Disse ser importante olhar para as consequências da informalidade sobretudo no rendimento nacional, assegurando que o Ministério do Comércio está preocupado com a informalidade e tem voltado à formalização da economia.

 

“Temos que trabalhar com os outros sectores para que os informais entram na formalidade, mas com rendimento também, porque o informal quer ter rendimentos para sustentar a sua família”, reforçou.

 

A obra prefaciada pelo jornalista e administrador para área de conteúdos da Agência Angola Press, José Chimuco, conta com 231 páginas, 4 capítulos, nomeadamente Caracterização da economia informal, economia informal em África, caracterização da economia informal em Angola, estudos de caso - economia informal em Angola.

 

O trabalho foi desenvolvido em 5 anos e destina-se aos estudantes, académicos e profissionais que estudam temáticas ligadas à economia informal, sendo que com o mesmo, a autora traz o seu estudo sobre a economia informal.

 



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