Luanda - A suspensão dos voos da companhia Air Namíbia entre Windhoek e Luanda, a partir deste domingo, vai provocar constrangimentos aos homens de negócios, assim como reduzir as trocas comerciais, o intercâmbio cultural e económico entre os dois países e não só.

Fonte: Angop


A transportadora aérea namibiana anunciou na terça-feira a suspensão, por tempo indeterminado, da rota Windhoek-Luanda, justificando que Angola tornou-se num mercado economicamente inviável.

Em declarações à Angop, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, passageiros que desembarcaram hoje (9) no último voo da companhia aérea namibiana afirmaram que a medida vai criar muitos constrangimentos, uma vez que a Air Namíbia era uma alternativa viável para as deslocações de muitos cidadãos a este país e vice-versa.

A cidadã angolana Victória Ferraz, que viaja periodicamente para este país do Atlântico em negócios, manifestou-se triste com a notícia, justificando que, para além de praticar preços acessíveis em relação a outras companhias, é sempre mais uma opção para os clientes.

“Eu viajo com frequência para a Namíbia em negócios e para visitar familiares e as vezes viajo com a Air Namíbia. Esta medida com certeza vai criar muitos embaraços a nós comerciantes, aos estudantes e às pessoas que realizam consultas médicas regulares neste país”, referiu.

De acordo com o empresário nigeriano Mohamed Salin, que trabalha em Angola há mais de cinco anos, a Namíbia, por ser um Estado política e economicamente estável, com portas abertas para os países vizinhos, tornou-se um mercado seguro, razão pela qual tem investido em várias áreas de negócios.

“A Namíbia tornou-se a minha segunda casa, onde desloco-me com frequência em negócios e para lazer. O cancelamento dos voos da Air Namíbia poderá criar constrangimentos nas deslocações urgentes e no escoamento dos produtos. Penso que a medida deve ser revista para o bem de todos”, salientou.

Por sua vez, o estudante de engenharia Mateus Alexandre destacou a mobilidade aérea como factor de integração entre os povos, assim como para troca de experiência entre estudantes de vários países.

“Já viajei para a Namíbia e vice-versa com esta companhia aérea para estudar e trocar experiência com estudantes de outros países e penso que será negativo para a mobilidade, que se quer cada vez mais célere das populações dos dois países e não só”, acrescentou.

A rota Windhoek/Luanda foi, segundo dados da companhia estatal namibiana, a mais rentável pelo menos entre 2000 e 2015, tendo a realidade se alterado radicalmente, pelo que a empresa se viu obrigada a suspender a ligação entre os dois países.

A companhia iniciou a operar para a capital angolana, com dois voos semanais, em 1992, pouco depois da independência deste país a 20 de Março de 1990, do controlo da África do Sul. Em 2014 e 2015, período áureo das operações, aumentou para sete as frequências a Luanda.

Esta operadora aeronáutica namibiana está a atravessar uma grave crise financeira, colocando em risco a manutenção da sua actividade, que está em análise pelo Governo local. E, em função da cessação das viagens para Angola, a TAAG assume a transportação dos seus passageiros.

O anúncio surge apenas cinco meses depois da companhia ter decidido reintroduzir a rota, em Outubro do ano passado.

A ligação Windhoek-Luanda esteve suspensa entre Junho e Setembro do ano passado também devido à falta de rentabilidade e voltou a estar operacional entre Outubro e Janeiro de 2020, durante a época alta.

 



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