Luanda - Quantos de nós pais ainda confia no ensino e educação público angolano?

Fonte: Club-k.net

É de hábito no princípio de cada ano gregoriano começarem as enxaquecas dos progenitores concernentes ao ano lectivo: Onde o meu filho vai estudar agora que sai de um ciclo de ensino para o outro ou mesmo o que vai para a escola pela primeira vez?

 

A mídia, acompanhando o desespero de alguns pais e mães começam a infestar com publicidades em rádios, televisão e outdoors mostrando para quem tem enormes possibilidades financeiras para aderir a um ensino de “qualidade”, inúmeras opções.

 

O ensino público tornou-se na última instância para aloucar crianças vindas de algumas famílias angolanas principalmente aquelas com parcos recursos financeiros mas que pretendem ser parte do dever revolucionário vociferado pelas rosas dos ventos nacional. Assim eu questiono-me: A educação ainda é para todos? Se sim, para todos quem?

 

A luta que se pretende na recuperação da confiança e valores morais académicos educacionais no nosso país ainda está longe de acontecer convenientemente. Não serão 4 ou 5 cérebros sintonizados na mesma frequência que conseguirão trazer de volta o orgulho que outrora no tempo colonial, vozes que hoje são referência no nosso país “escarravam” com orgulho dizendo: “No tempo colonial o ensino e educação eram... No meu tempo foi... Naquele tempo aprendia-se...”. Mas agora quem são os culpados? Urge fazer menção dos destruidores da boa índole académica que há muito orgulhavam-nos? Não. Eles sabem quem são.

 

Por puro jugo desigual eles proliferaram a sociedade com um número exagerado de centros comerciais estudantis vulgo colégios onde os clientes que são chamados de alunos são muitas das vezes super-protegidos pelos empresários chamados de directores.

 

Muitas vezes são instituições escolares sem o mínimo de condições para albergar um ensino e educação de qualidade que no mínimo se exige para quem paga, não importa o valor que é desembolsado. Não possuem campos desportivos próprios para a realização de actividades físicas denominado Educação Física, não possuem laboratórios funcionais para aulas práticas, não possuem uma equipe de trabalho condignas e dignas de se depositar alguma confiança profissional de mérito. E com o agravante encontramos agentes de ensino que ainda escrevem com erros inaceitáveis por pura ignorância e falta de vontade de verem as coisas melhorarem.

 

Sob o olhar impávido e sereno de muitos dos nossos dirigentes vemos a algazarra a ganhar corpo. Encarregados de educação e alunos que por saberem que o factor económico é substancial numa determinada instituição então fazem do seu comportamento agridoce um cartão de visitas dentro da sala de aulas principalmente quando encontram um agente de ensino que é “obrigado” muitas das vezes a aceitar tais absurdos como emprego por pura vontade e necessidades de dilapidar a lazeira doméstica familiar. A inspecção da educação que deveria estar a trabalhar mais próxima destas instituições pouco ou nada fazem com algum rigor porque muitos destes centros comerciais académicos são protegidos por “instâncias superiores”.

 

“Centros comerciais”, académicos vulgo colégios há que apostam na formação mas com mão de obra estrangeira. Portugueses e cubanos têm sido os mais comuns nalgumas delas. Será uma clara demonstração de desconfiança dos nossos recursos humanos? . Não vou andar a buscar culpados.

Não temos assim tanta mão de obra profissional, também é verdade, que colabora apenas no estado ou no privado. São os mesmos professores que no estado são professores e que nos centros comerciais de ensino tornam-se negociantes participes em conluio com o empresário dono do centro de ensino.

Devemos apelar ao princípio da responsabilização individual e a liberdade de acção sabendo que os nossos comportamentos como educadores hão-de resvalar para um grupo de pessoas que um dia farão parte dos desígnios governativos deste País.



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