Luanda -  Numa carta denúncia endereçada a redacção do Club-K Angola, os trabalhadores (em regime de contratos) lamentam, pela forma desumana, que têm sido tratados pelos responsáveis do Ministério de Ambiente, no que tange ao atraso salarial há quase um ano. Os mesmos alegam que a situação passou a ser considerado normal, por parte do primeiro contratante, que evoca a falta de fundo para cobrir os tais salários.

Fonte: Club-k.net  

"As questões supracitadas nunca são resolvidas de forma definitiva, tanto é que tornou-se normal para os contratados desta instituição ficarem períodos que vão dos 5 aos 12 meses sem salários por alegada falta de fundos para cobrir os mesmos", pode-se ler na carta.

No entanto, os mesmos [trabalhadores] não percebem como é que o Ministério do Ambiente realiza regularmente várias actividades. "Temos notado que com alguma regularidade são realizados Workshops, Exposições, Palestras, etc, em alguns hotéis de luxo para difundir os trabalhos realizados na instituição, coisa que nos deixa de certa forma revoltados, pois para este tipo actividades milagrosamente existe capital até demais".

Leia na íntegra a carta denúncia: 

Os nossos melhores cumprimentos;

É com muita tristeza que vimos por meio desta expressar a nossa insatisfação com o Ministério do Ambiente, pois somos funcionários desta instituição em regime de contrato e vemos nossos direitos violados pelo facto de haver muitíssimas irregularidades no que toca ao pagamento dos ordenados bem como da regularização dos contratos.

As questões supracitadas nunca são resolvidas de forma definitiva, tanto é que tornou-se "normal" para os contratados desta instituição ficarem períodos que vão dos 5 aos 12 meses sem salários por alegada falta de fundos para cobrir os mesmos, porém temos notado que com alguma regularidade são realizados Workshops, Exposições, Palestras, etc,em alguns hotéis de luxo para difundir os trabalhos realizados na instituição, coisa que nos deixa de certa forma revoltados pois para este tipo actividades milagrosamente existe capital até demais.

Queremos deixar claro que não queremos com isto dizer que a realização de eventos para promover o trabalho do Ministério seja desnecessário, mas deve existir a consciência de que por trás de cada projecto realizado existe uma equipa técnica formada não só por funcionários efectivos que trabalha arduamente para que o Ministério dê passos rumo ao crescimento institucional, mas que no final de cada mês estes mesmos funcionários que dedicam o seu tempo e conhecimento são incapazes de levar um prato de comida às suas mesas fruto da má fé por parte de quem manda.

Muitos dos mesmos são profissionais formados nas mais diversas áreas do conhecimento porém vêem-se confinados num lugar onde pouco podem esperar por não obterem qualquer oportunidade de crescimento profissional nem de realização pessoal(sem os seus contratos há anos+nem salários há meses=Frustração).

Nós funcionários contratados do Ministério do Ambiente sentimos que não somos levados em conta nesta instituição pelo facto de termos tocado nestes pontos durante as auscultações realizadas, onde diversos funcionários reclamaram da principal inquietação que é a falta de salários havendo relatos de trabalhadores que não recebiam os seus salários há mais de 10 meses e que sendo chefes de família viam-se forçados a acumular inúmeras dívidas para poder pagar as suas contas, mas pelo que se vê acreditamos não ser humanos o suficiente nem tão pouco uma espécie de ser vivo que mereça atenção quando reclama pelos seus direitos.

Infelizmente na sociedade em que vivemos os nossos gastos fixos(luz, água, saúde, alimentação,propinas dos nossos filhos, etc) não podem ser pagos semestral ou trimestralmente (a fome não se sente de 6 em 6 meses por exemplo) coisa que ao que tudo indica algumas pessoas não percebem.

Existem diversas direcções no Ministério do Ambiente que acreditamos gerar capital suficiente para o pagamento dos salários de todos os funcionários na nossa condição, como é o caso da Direcção Nacional do Ambiente, os Serviços Nacionais de Fiscalização Ambiental e a Direcção Nacional de Prevenção e Avaliação de Impactes Ambientais que são as direcções responsáveis pela aplicação de Multas aos infractores do meio ambiente bem como emissores de licenças ambientais, etc.

Só resta-nos dizer que estamos extremamente cansados desta situação e desmotivados, e quando questionamos sobre a resolução dos nossos problemas são incapazes de dar respostas com cabeça, tronco e membros, aumentando ainda mais o nosso stress porque acreditamos que como trabalhadores não devíamos ser tratados desta forma sendo que pensamos ser seres humanos, temos a mesma carga horária ainda que em funções diferentes e estamos sempre dispostos a dar o nosso melhor para o progresso tanto do Ministério como da nossa pátria amada, espero que se difunda esta mensagem pois o país deve saber como muitos funcionários da função pública sofrem calados pelo medo que se foi criando nesta sociedade nos anos anteriores e a grande necessidade de combater este cancro.

Sem outro assunto de momento, subscrevemo-nos renovando os nossos melhores cumprimentos.



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