Luanda - Apesar de cercada,  Angola continua sem casos registados de Covid 19. Impressionou-me o relato de portugueses que chegaram de Luanda e contaram como no aeroporto da capital angolana há todos os cuidados de prevenção para lidar com a pandemia.

 
* Rosália Amorim
Fonte:  Dinheiro Vivo

Todos os trabalhadores e todas as pessoas a circular têm de usar máscara, todos tem de colocar álcool desinfetante nas mãos e usá-lo à vista da segurança ou polícia, é medida a temperatura a toda a população que entra e sai do país e há até quem use touca e bata para receber os transeuntes.
 

Este país africano sabe que uma das suas fragilidades é o sistema nacional de saúde, portanto todo o cuidado é pouco, apesar de não registar qualquer caso de infetado. Mas mesmo no mundo ocidental, também todo o cuidado é pouco. O sistema de saúde não é elástico e sofre hoje dos muitos cortes e cativações a que a última grande crise financeira obrigou, e que se prolongaram de forma cega.
 

A Europa é hoje o centro da pandemia, Portugal tem um número crescente de casos, e segundo as autoridades de saúde vai piorar, e, ainda assim, continua a não existir qualquer controlo no aeroporto. Entra quem quer, sai quem quer.
 

Muita discussão tem havido acerca do fecho de fronteiras aéreas, terrestres, por mar. Por comboio, por exemplo, só ontem a suspensão da circulação foi determinada e foi pela congénere espanhola da CP, a Renfe, com data a partir de amanhã e até 28 de março. Também a medida de proibir o desembarque de passageiros de cruzeiros, com exceção para os portugueses, foi mais tardia do que era desejável face ao estado da nação.
 

Sobre a restrição de circulação de turistas entre Portugal e Espanha, que foi anunciada este domingo pelo primeiro-ministro, António Costa, e que deverá entrar em vigor na segunda-feira, após reunião do chefe do Governo português com o homólogo espanhol, Pedro Sánchez, ainda estamos a aguardar…
 

O fecho total de fronteiras teria impactos económicos terríveis, mas o fecho limitado e o controlo de fronteiras é preciso. Deixar passar apenas quem tem como missão o abastecimento das cadeias de produção e alimentação das populações é salvar vidas. Sem populismos, sem colocar esta decisão na cor política x ou y, é preciso ter a coragem de decidir e de forma rápida.

 

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