Namibe - As notícias que se vão desenrolando em torno da COVID 19 têm estado a destapar muitas das nossas debilidades. Basta reparar para os desdobramentos que têm sido levados a cabo, em vários países do mundo, pela descoberta de uma vacina que a combata, as várias propostas tecnológicas que disponibilizam alternativas em termos de material de proteção individual (como a produção de máscaras, gel e outros inputs).

Fonte: Club-k.net

Situações que, reacendem em mim uma necessidade que sempre coloquei, isto é, a necessidade de reinvenção do nosso sistema de educação. Era expectável que, nesta altura, os nossos pesquisadores em saúde e áreas de intervenção afins, apresentassem, a semelhança dos de outras latitudes, um conjunto de propostas “científicas” para no mínimo mitigar a propagação do vírus atendendo as nossas especificidades. Porém, olhando para o desinvestimento do Estado para as questões de investigação, pouca coisa esperaríamos neste momento.

 

Uma vez que o mundo, no geral e Angola em particular, não serão os mesmos depois da pandemia, espero que sejamos capazes de fazer uma leitura realística e não politizada desta situação e, possamos elaborar também políticas públicas que habilitem os nossos recursos humanos com competências, de facto, para melhor responder a estes e outros desafios que advirem.

 

Paradoxalmente, vamos assistindo dentro do nosso país, iniciativas de cidadãos que, apresentam, com a sua criatividade materiais e propostas que podem ser úteis para a situação que vivemos, mas pura e simplesmente o discurso tem sido de desaconselhar e que deveriam carecer de “comprovação científica” para a sua utilização.

Não que eu defenda o improviso, mas que se já estivéssemos bem organizados neste quesito, seriam iniciativas a ter em conta. Tal comportamento subentende a tendência recorrente de que, só é válido o que é feito e criado pelos outros.

Uma questão que não se cala: vamos continuar de mãos estendidas para que os outros nos digam o que devemos fazer para nós por quanto tempo? O investimento sério na educação deve ser encarado como factor de afirmação da nossa soberania, porque pode ter efeitos multiplicadores positivos.

Ainda assim, neste imbróglio todo, é mister reconhecer o esforço titânico que tem sido feito pelos profissionais de saúde em serviço que, com os parcos recursos e com grande risco de ser infetados, procuram a todo custo responder a mais este desafio de saúde mundial.

O mundo todo não estava preparado! Concordo, mas as respostas científicas na procura de uma solução revelam as diferenças de investimentos abismais que os Estados dedicam para o estímulo da produção científica. Porque advogo que, com mais investimento e incentivo à investigação, pode-se fazer mais e melhor na maioria dos sectores da nossa vida colectiva.

Quanto a nós, atendendo ao nosso modus vivendi (refiro-me a maioria da população angolana que vive nas zonas suburbanas e por vezes entregues a sua sorte) e aos determinantes de saúde pública (condições socioeconómicas, idade, historial médico, doenças preexistentes, saneamento básico, etc.) espero que não transitemos para a contaminação comunitária.

Que Deus nos proteja, não por sermos o “povo mais especial” em relação aos outros, mas porque precisamos muito neste momento.

Que consigamos vencer mais esta batalha!

DSP

Por Damiano Salei
Fonte: Facebook
Data: 03.04.2020

 



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