Luanda - As Nações Unidas alertaram hoje que a pandemia da covid-19 volta a sublinhar a necessidade "urgente" de Angola desenvolver reformas para diversificar a sua economia e torná-la menos dependente das oscilações do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Fonte: Lusa

"O golpe da pandemia do coronavírus (covid-19) sobre os preços mundiais do petróleo voltou a sublinhar a necessidade de Angola diversificar a sua economia", tornando-se assim menos dependente "das exportações voláteis" de petróleo, afirma a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), num comunicado emitido hoje.

 

Na nota, a UNCTAD explica que com o encerramento ou abrandamento da produção de empresas em todo o mundo, os preços do petróleo bruto caíram, no mês de março, para um mínimo de 18 anos, o que significa ainda mais "instabilidade para a economia angolana, em recessão desde o colapso do petróleo, em 2014-2016, que pôs um travão numa década de crescimento excecional".

 

"Diversificar a estrutura económica de Angola, afastando-a da sua forte dependência do petróleo, é fundamental para aumentar a competitividade e ajudar o país a reduzir a sua vulnerabilidade aos choques externos", afirmou Paul Akiwumi, diretor da divisão da UNCTAD para África e países menos desenvolvidos, citado na nota.

 

Para aquele responsável, "a atual crise da covid-19 coloca esta necessidade no centro das atenções", sublinhou.

 

"Angola é rica em recursos naturais e tem muitos outros produtos para oferecer aos consumidores em todo o mundo. Mas as empresas locais lutam para conseguirem desenvolver e exportar os seus produtos, devido aos lentos e onerosos procedimentos de importação e exportação", afirmou Akiwumi, destacando que os produtores angolanos enfrentam desafios na circulação das suas mercadorias tanto dentro do país como além fronteiras.

 

A nota sublinha ainda que Angola está classificada em 177.º lugar entre 190 países na edição de 2020 do relatório 'Doing Business' do Banco Mundial, segundo o qual os procedimentos de exportação no país custam 240 dólares (quase 220 euros) e levam 98 horas, contra uma média de 173 dólares (158 euros) e 72 horas para a África Subsaariana.

 

Mas recorda também que está a apoiar, através de um projeto financiado pela União Europeia, os esforços do governo angolano para diversificar a economia.

 

O programa 'Train For Trade II' para Angola ajuda as autoridades a identificar setores não petrolíferos promissores, a formar empresários e proprietários de empresas, a ponderar políticas de promoção do investimento e a melhorar as infraestruturas comerciais, reforça.

 

Muitas das reformas necessárias para melhorar as condições das empresas angolanas, tais como a automatização dos procedimentos aduaneiros ou a criação de um balcão único, são abordadas pelo Acordo de Facilitação do Comércio da Organização Mundial do Comércio, que Angola ratificou em abril de 2019.

 

"Angola, com o seu elevado potencial em termos de recursos naturais, incluindo a agricultura, as pescas e a energia, tem algumas das maiores possibilidades de beneficiar das reformas incluídas no acordo", afirmou o embaixador da UE em Angola, Tomás Ulicný, também citado na nota.

 

Angola registava, até esta quarta-feira, um total de 19 casos positivos da covid-19, com duas mortes.

 

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 89 mil.

 

Dos casos de infeção, mais de 312 mil são considerados curados.

 

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

 

O novo coronavírus provocou 572 mortos em África e há o registo de 11.400 casos em 52 países, enquanto 1.313 pessoas já recuperaram, de acordo com os mais recentes dados sobre a pandemia da covid-19 no continente.

 



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