Sumbe – “Gostaríamos que a nível do executivo central nos situassem melhor de que país pertence a província do Kwanza-Sul”, indagou o ancião Firmino, natural e residente na área do Jombe, município da Conda.

Fonte: Club-k.net
A inquietação do ancião, de 66 anos de idade, prende-se com o facto de ter acompanhado através dos órgãos de comunicação locais o pronunciamento do coordenador técnico para prevenção do Coronavírus, Felizardo Manuel, anunciando que a província do Kwanza Sul receberá apenas 75 milhões de kwanzas no âmbito do Covid-19, porquanto as demais províncias coube a elas 90 milhões de kwanzas.

Na localidade da Catala, a senhora Emília Manuel, que até militou na OMA, diz que a governação do partido MPLA já não tem razão de ser porque, segundo ela, “fomos sempre enganadas pelo MPLA em dizer: Um só povo e uma só nação. Não é isso que parece. Porque afinal no MPLA há e houve sempre filhos e enteados. João Lourenço devia, por palavras suas dizer, publicamente que a província do Kwanza Sul é isso, é assada, é cozida e muito mais para nós percebermos tamanho desprezo”.

Na cidade do Sumbe, um grupo de jovens, na maioria membros da JMPLA, cujos nomes omitimos, dizem-se dispostos a boicotar as eleições gerais de 2022 se o governo central não se rever quanto a posição da província do Kwanza Sul. Eles dizem mesmo que Agostinho Neto fundou o MPLA para haver igualdade para todos e dizem não entender que uma província como o Kwanza Sul seja sempre penalizada quando o assunto tem a ver com alocação de verbas para isto ou aquilo.

A província, segundo os interlocutores, detém 12 municípios, com extensão geográfica muito grande e com mais de dois milhões de habitantes, factor que tem pesado muito na balança eleitoral com o MPLA sempre a arrebatar os cinco a zero e, acreditam que é por esta via que o partido no poder continua penalizar o Kwanza Sul e, será altura de se mudar o quadro.

“Sabemos que os anunciados 75 milhões de kwanzas para a província se prevenir do Covid-19 serão empregues na aquisição de material de bio-segurança como disse o doutor Felizardo mas, será mesmo que isso vai acontecer?”, interroga-se um conceituado político afecto ao comité provincial do MPLA.

Aqui o Presidente da República tem que recuar um pouco e rever as suas palavras pronunciadas aquando da campanha que o levou a presidência. Ele que não se faça de esquecido e continuar na mesma carruagem de José Eduardo dos Santos que sempre penalizou o Kwanza-Sul.

“Não concordo que um Namibe, um Cabinda, um Bié com cinco municípios recebam 90 milhões e uma província como a nossa com a dimensão que tem fica apenas com 75 milhões de kwanzas, isso é uma aberração”, lamentou o militante, prosseguindo “João Lourenço que não se esqueça que é no Kwanza-Sul onde tem uma fazenda Mato Grosso, localizada entre Kilenda e Kibala, então tem que haver mais atenção para esta província”.

Na verdade a situação na província do Kwanza-Sul, por este momento que o país observa o estado de emergência, inspira uma certa atenção, tendo em conta que os demais municípios, até agora ainda se debatem com problemas haver com material de bio-segurança para prevenção do Covid-19.

Os órgãos de comunicação social têm feito a sua parte mas, não são tidos nem achados quando se trata de condições técnicas, ou seja, o governo ou a coordenação da comissão não proporciona condições financeiras, materiais e de bio-segurança para que haja informação ponto-a-ponto na mobilização das populações que continua a fazer finca-pé sobre a matéria de prevenção.

Agora a pergunta é: Porquê que o governo central persiste em penalizar o Kwanza-Sul nos orçamentos? Qual é a razão para isso?

Recordamos aqui que os partidos de oposição sobretudo a UNITA se tem pronunciado através de seus militantes e líderes, sobre o magro orçamento atribuído ao Kwanza-Sul em detrimento de províncias mais pequenas e quiçá até alguns distritos de Luanda com bolos duas vezes maiores, ou pouco mais que Kwanza-Sul, mas o governo central sempre fez ouvidos de mercador.

Por este facto, a dona Lourdes apela no sentido de não depositar confiança no partido governante. “Por tudo que vejo e ouço, o Presidente João Lourenço está criar condições para que o povo não acredite mais no MPLA e, eu mesma já não acredito”, disse visivelmente aborrecida. “É melhor aprovarem o pacote sobre as eleições autárquicas para que possamos nós mesmos caminhar por vontade própria porque”, refutou Lourdes.



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