Lisboa – A Procuradoria Geral da República junto ao Serviço de Investigação Criminal procedeu na sexta-feira (10) a detenção de um empresário Francisco Yoba Capita “Antero” constituído como arguido no processo 1540/18-DCCFF, aberto desde 2018 na qual recaem sobre si acusações que “configuram a pratica de crimes de burla por de fraudação, difamação, calúnia e injurias, e falsificação de documentos”.

* Paulo Alves
Fonte: Club-k.net

De 38 anos de idade, Francisco Yoba Capita é um empresário que preside o Conselho de Administração de um grupo empresarial Delta-Angola que desenvolve atividades no ramos dos Transportes e Logística, Segurança Pessoal, Patrimonial e Escolta de Valores. Por intermédio de um tio oficial ligado a Casa de Segurança da Presidência da Republica passou a ter contatos com círculos deste sector castrense da Cidade Alta. Porém, seria em 2017, que a sua empresa escolta de valores (Divisão Seguranças) fora contratada por um financeiro da Casa de Segurança, coronel José Tchiwana para “o transporte de caixas de dinheiro que haviam sido armazenas em contentores”, conforme fez saber numa exposição, enviada ao Presidente da República em Janeiro de 2018.

 

O coronel José Tchiwana é por sua vez sócio de uma empresa “Horizonte Comercial” sedeada em Benguela com antecedentes de branqueamento de capitais em parceria com um outro sócios Cripiano Tiago.

 

Desde 2017 que Francisco Yoba Capita e o coronel José Tchiwana envolveram-se em acusações mutuas recorrendo a imprensa mas também envolvendo altos funcionários da procuradoria com realce ao magistrado Beato Manuel Paulo, a quem o primeiro levanta acusações de alegado assedio contra a sua esposa. Segundo apurações terão sido as constantes contradições e acusações públicas entre as partes que levou a PGR a acelerar o processo que pendia contra Francisco Yoba Capita. O empresário é também acusado do crime de falsificação de documentos na qual as autoridades apresentam -lhe com tendo três identidades falsa.

 

Segundo apurou o Club-K, a Procuradoria da República junto ao decidiu também dar sequencia a um processo contra Francisco Yoba Capita na qual lhe recaem acusações de “ilicitudes” praticadas no passado que lhe permitiram estar num conforto financeiro.

 

O processo do seu passado “negro” agora desenterrado pela PGR, data de antes de 2013, e estava a ser investigado por uma jovem procuradora, Claudia Monteiro Araújo na qual o arguido acabou por estabelecer ligações intimas com a mesma resultando em casamento. Desde então o processo terá sido “engavetado”. Com a reabertura do processo, as autoridades tomaram antes a decisão de suspender a procuradora – agora casada com o arguido Francisco Yoba. A mesma encontra-se desde Janeiro do corrente ano em Portugal.

 

Paralelemente a reabertura do processo, as autoridades judiciais impuseram interdição de saída do país contra Francisco Yoba. No dia 20 de Março o Subprocurador Geral da República junto ao SIC, Napoleão de Jesus Monteiro assinou uma ordem de detenção numero 011/020 que resultou na prisão do empresário.

 

Em meios que acompanham o assunto em Luanda, tem questionado a transparência da detenção de Francisco Yoba, por acontecer num dia seguido ao fim de semana que não se trabalha em Luanda. “Espanta-me, ainda, que esta detenção tenha ocorrido num ferido (sexta-feira Santa), já que o ministério publico não trabalha aos feridos” , rematou uma fonte recordando que “agora é moda as detenções ocorrerem às sextas-feiras para, como é óbvio, a pessoa ficar dois ou três dias encarcerada, uma vez que os trabalhadores não trabalham aos sábados e no domingo”.

 

Nuno Álvaro Dala um activista angolano que veem escrevendo sobre a briga entre o detido e altos funcionários do regime é de opinião que “A detenção de Francisco Yoba Capita constitui o cumprimento de mais um objectivo da quadrilha que controla a Procuradoria-Geral da República, que nos últimos 2 anos, isto é, desde 2018, tem infernizado literalmente a vida do empresário que, seguindo a sua consciência e acreditando nas promessas de reforma e combate à corrupção do Presidente João Lourenço, denunciou o esquema de desvio de centenas de milhões de kwanzas ocorrido na UGP”.


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