Luanda - O Chefe da Casa Militar do Presidente da República, General Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, é o accionista maioritário da segunda maior operadora de telefonia móvel, a Movicel, apurou o Novo Jornal. Como sinal dos novos tempos, a administração recentemente empossada já nomeou um novo director-executivo, que agora é Carlos Pinto, engenheiro de formação.


* Miguel Gomes
Fonte: Novo Jornal



A privatização da companhia, até então sob controlo total do Estado (99% eram propriedade da Angola Telecom e 1% dos Correios de Angola), fez emergir quatro empresas, sendo a Portmil Investments o principal investidor, já que acabou por ficar com 40% da operadora de telecomunicações móveis.



Os restantes accionistas são a Modus Comunicare (19%), Ipang (10%), Lambda Investments (6%) e Novatel, S.A. (5%). Os restantes 20% estão distribuídos pela Angola Telecom (18%) e pelos Correios de Angola (2%). Mas o que é também um facto indesmentível é que a constituição e, sobretudo, a propriedade das empresas visadas tem deixado espaço para o surgimento de inúmeras especulações.



Se a Modus Comunicare surge ligada – ainda que sem qualquer confirmação, mesmo oficiosa - ao nome de José Paulino dos Santos (Zenu), filho varão de José Eduardo dos Santos, as restantes continuam numa penumbra que é difícil de entender. Fonte da Movicel assegura mesmo ao Novo Jornal que até agora ainda não tomou “contacto com ninguém da Ipang, por exemplo”. O que não deixa de ser estranho, já que é um dos novos donos e com uma participação importante, 10% do capital.



O negócio terá ficado avaliado em 200 milhões de dólares, um valor considerado baixo por alguns analistas de mercado. Chegouse a falar em 500 milhões. No entanto, não é também de descurar a situação crítica em que se encontra a Movicel, sobretudo face à sua concorrente, a Unitel. Como foi por diversas vezes abordado publicamente, a Movicel continua a prever migrar o seu sistema tecnológico do actual CDMA para o GSM, utilizado pela Unitel.


Para concretizar esta intenção vai ser preciso investir forte. Em tecnologia, em “know-how”, em formação. Mas é uma imposição que o mercado tem vindo a demonstrar, já que a Movicel é reconhecida por ter o serviço mais fiável, mas também por ter pouca agilidade comercial: não tem serviços de roaming, tem pouca oferta de telefones, não utiliza o
“chip” (o que emperra a troca de aparelhos).


“De pouco nos vale ter, reconhecidamente, o melhor serviço quando não sentimos os frutos dessa vantagem competitiva, sobretudo ao nível dos resultados da empresa”, confidenciou ao Novo Jornal fonte da Movicel.



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