Luanda - Jornalistas angolanos, sobretudo de órgãos privados, manifestaram-se hoje confiantes que a “situação crítica” do setor, agravada pela covid-19, com “dificuldades para pagar salários”, será ultrapassada, após reunião com o ministro da Comunicação Social sob indicação do Presidente angolano.

Fonte: Lusa

“Esperamos que sim, porque este sinal que o Presidente da República, João Lourenço, deu pressupõe que sim, vamos acreditar que sim, que realmente os dias de afiliação e dificuldades que vivemos sejam ultrapassadas”, afirmou hoje o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido.

 

Segundo o sindicalista, que falava hoje à Lusa no final de uma reunião que mantiveram com o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MTTICS) angolano, Manuel Homem, o atual cenário da imprensa privada “é crítico e emergencial”.

 

A necessidade da manutenção dos empregos e o funcionamento das empresas “fundamentalmente que os trabalhadores das empresas de comunicação social sejam capazes de sustentar as suas famílias” foram os pontos que nortearam o encontro.

 

O encontro, que decorreu na sede do MTTICS, em Luanda, surgiu na sequência de uma carta que um grupo de diretores dos órgãos privados de comunicação e o SJA endereçou ao Presidente angolano solicitando a sua intervenção para “acudir dificuldades financeiras do setor”.

 

“A situação já era de facto crítica, mas com a pandemia a situação agudizou-se, a única fonte de receitas dos órgãos de comunicação social, fundamentalmente privados, é a publicidade e não havendo publicidade as empresas não têm como sobreviver”, notou.

 

Esta “situação preocupante” dos órgãos privados, assinalou, “motivou-nos lançar um grito de socorro ao Presidente da República e este orientou o senhor ministro das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social a trabalhar connosco”.

 

Teixeira Cândido observou que apesar da ausência de um horizonte temporal, a situação dos órgãos “é emergencial”, augurando que “as soluções surjam quanto antes porque a situação é crítica”.

 

“Sim, é emergencial, porque as empresas não têm capacidade, há empresas com atrasos salariais, o próprio grupo Média Nova tem empresas que não pagam salários, quase que não foram capazes de pagar o salário de março”, realçou.

 

De acordo ainda com o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos há empresas inclusive que “não sabem como vão pagar os salários de abril. Portanto a situação é crítica”, rematou.

 

Anteriormente à Lusa, o SJA e o Instituto para a Comunicação Social da África Austral (MISA, na sigla inglesa) Angola já haviam manifestado o “quadro sombrio” que o setor privado a comunicação social angolana apontando a “redução da publicidade para mais da metade” como dos principais fatores.

 

Angola entra hoje para o sexto dia a segunda prorrogação do estado de emergência que se estende até 10 de maio.

 

O país conta já com 27 casos confirmados de covid-19, entre os quais 18 casos ativos, dois óbitos e sete recuperados.

 

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

 

Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

 

Em Portugal, morreram 989 pessoas das 25.045 confirmadas como infetadas, e há 1.519 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

 

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.



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