Luanda - A directora Nacional dos Direitos da Mulher, Igualdade e Equidade do Género, Júlia Kitocua, revelou em Luanda que as vítimas de violência doméstica nos lares em Angola têm preferido o silêncio à denúncia dos maus tratos de que são algo, devido à dependência económica e emocional dos maridos e companheiros e por causa da pressão exercida pelos familiares dos agressores.

Fonte: VOA

Com um registo de 2.605 casos de violência doméstica até Março de 2020, o país observa neste momento um abrandamento de denúncias junto das instituições públicas que lidam com o fenómeno.

 

Júlia Kitocua afirma, entretanto, que a aparente diminuição de denúncias não significa que não estejam a ocorrer casos de violência doméstica.

 

Aquela responsável acrescenta que o fato de os centros de aconselhamento estarem fechados, devido ao estado de emergência, pode explicar também a ausência de denúncias nos últimos tempos.

 

Em conversa com a VOA, Júlia Kitocua revela que a “violência física, verbal, patrimonial e ainda o abandono familiar" são as que mais ocorrem no país e sublinha que a agressão psicológica é a “que causa mais estragos nas famílias”.

 

Kitocua afirma ainda que os índices de pobreza extrema, a falta de instrução e de outras oportunidades estão na base da vulnerabilidade das mulheres e raparigas angolanas.

 

Os dados publicados em Março pelo Governo apontavam também para a ocorrência de 702 casos de violência doméstica praticada por mulheres durante o ano de 2019 no país, um número muito abaixo de violência doméstica praticada por homens.

 

A diretora Nacional dos Direitos da Mulher explica ainda que a fuga à maternidade é outro fenómeno social que tem como causas o consumo excessivo de álcool, insegurança emocional, pobreza, falta de preparação para a maternidade e diálogo no lar.



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