Luanda – O presidente do grupo parlamentar do MPLA (partido no poder), Américo António Kuononoca, reconheceu publicamente que há fome extrema e miséria em Angola, contrariando assim as afirmações do Presidente da República, João Lourenço, que, em Março do ano transacto, garantiu não haver fome no país, menos após de várias denúncias divulgadas pelos  órgãos de comunicação social, em Angola. 

Fonte: Club-k.net


O político deu as mãos à palmatória, pedindo “imensas desculpas” ao povo angolano sobre os seus pronunciamentos anteriores sobre a inexistência da fome, que – até aqui – continua a ceifar vidas de centenas de angolanos em todo país.

“Reconhecemos claramente que há fome em Angola, inclusive a fome extrema. Uma das lutas do Executivo é justamente acabar ou diminuir a fome. Peço desculpas a toda população. Não era isso que eu queria dizer inicialmente”, admitiu o responsável.

Américo Kuononoca diz conhecer lés-a-lés o país e que seria um paradoxo continuar a mentir a opinião pública. “Eu conheço o país não só pela minha formação académica e cultural. Conheço muito bem Angola no ponto de vista cultural, socio-económico e peço imensas desculpas. Não era bem isso que eu queria dizer”, reconheceu.

O presidente do grupo parlamentar do MPLA diz, por outro lado, que “há um esforço gigantesco da parte do Executivo e que todas as pessoas devem envolver-se na cooperação e contribuição para que a fome fosse mitigado sobretudo as famílias mais vulneráveis”.

O mesmo recordou que no dia 17 de Abril do ano em curso, o grupo parlamentar do seu partido distribuiu cerca de 24 toneladas de bens alimentares de primeira necessidade em várias famílias – na maioria vulneráveis – no município de Cacuaco, em Luanda.

“Fomos ao Cacuaco e oferecemos 24 toneladas de comida para as pessoas vulneráveis e não seria sensato, até paradoxo, dizer que não há fome em Angola, poucas semanas depois”, lembrou, acrescentando que “há que reconhecermos que há muita fome e a estratégia do nosso Executivo é lutar contra este mal”.

O político remata que “essa é a minha reposição naquilo que eu disse anteriormente. Pode ter havido um pequeno excesso na minha afirmação, mas a verdade é essa. Há fome e miséria em Angola. E tudo estamos a fazer para que efectivamente essa fome seja mitigada com esforço de todos nós.”

De realçar que, em Março de 2019, o Presidente da República disse numa entrevista concedida à RTP, canal de televisão público português, que não era fome o causador da indignação entre angolanos.

Em certo momento da entrevista de pouco mais de 30 minutos transmitida no dia 4 de Março, o jornalista português da RTP África referiu-se ao relatório do UNICEF que coloca Angola como um país onde pessoas morrem de fome. Lourenço então refutou a existência de fome no país, embora tenha admitido a subnutrição.

João Lourenço afirmou que “a nossa luta é lutar para reduzir os índices de pobreza, devido aos longos anos de conflito armado. Hoje há oferta de bens alimentares em Angola, não se pode dizer que existe hoje fome em Angola, é uma questão de alguma má nutrição.”

No mesmo diapasão, o activista cívico Manuel Mapanda, mais conhecido como Dago Nível, questionou as desclarações do Presidente, tendo dito: “Como é que o senhor vai dizer que não existe fome em Angola? Não leu a Denúncia do padre Jacinto Wacussanga sobre a morte de um Angolano por fome? Será que nos Gambos e no Curoca já não há fome? Assim que JLO assumiu a presidência a maioria dos Angolanos passou a ter a cesta básica, e a fome foi eliminada?”

Em 2018, o Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário (FORDU), uma associação cívica da área de educação, sediada na província do Huambo, elaborou um documentário intitulado “Angola, um país em risco”, o qual aponta o elevado número de pessoas que procuram por comida nos contentores, quer no centro urbano da província do Huambo, foco do documentário, quer na capital do país Luanda.



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