Luanda - Um número considerável de moradores do bairro Santa Paciência, no Distrito Urbano do Zango, alimenta-se de ratos para atenuar a fome que os atormenta, desde que foi decretado o Estado de Emergência, em Março, por força da pandemia da Covid-19.

Fonte: JA
O Jornal de Angola constatou que muitos chefes de família, maioritariamente desempregados, algumas idosas e deficientes, estão sem condições para dar o básico aos agregados, por isso encontraram na caça de ratos, principalmente nas matas adjacentes à centralidade do Zango 5, a solução para matar a fome. O arroz ou funje com rato grelhado passaram a ser os pratos de muitos lares da zona.

O coordenador da Comissão de Moradores, Pascoal Tiago, há sete meses no cargo, manifestou-se preocupado com a situação e lamentou o facto de a circunscrição não ter sido, até agora, contemplada com cesta básica, quer de associações filantrópicas, quer de instituições governamentais ou privadas, como acontece em outras áreas do município.

Para o responsável, a caça de ratos para alimentação e comercialização não constitui novidade e lembrou que a vida está difícil para os habitantes, desde que foi decretado o Estado de Emergência.

Em função do quadro actual, Pascoal Tiago solicitou resposta urgente da Administração Municipal de Viana e do distrito do Zango, para acudir as 9.284 famílias da zona, sobretudo os idosos, deficientes e desempregados.

“O bairro Santa Paciência ainda não beneficiou da cestas básicas, tal como outras zonas do município. Por cá, existem idosas, pessoas portadoras de deficiência e outras que passam por grandes necessidades”, deplorou.

De acordo com Pascoal Tiago, na circunscrição existem moradores que não têm famílias, idosos sem filhos e mulheres com filhos menores que não têm o que comer. Argumentou que há ainda pessoas sem possibilidades para comprar água e que sobrevivem devido a solidariedade de alguns vizinhos e da comissão de moradores que, mesmo com dificuldades, tem procurado fazer o possível para atenuar o sofrimento dos mesmos.

Com 9.284 habitantes, maioritariamente jovens e crianças, distribuídos por cinco sectores, Santa Paciência carece de quase tudo: escolas, hospitais, água canalizada, largos para lazer, creches e outras infra-estruturas. É uma zona considerada de extrema pobreza, o que eleva o número de “crianças pedintes”.

“Nem todas as semanas recebemos água”

A falta de água é outro grande problema para os moradores do bairro Santa Paciência. O programa de distribuição de água gratuita do governo de Luanda, em vigor desde que foi decretado o Estado de Emergência, já chegou àquela zona, mas as quantidades não satisfazem.

Segundo o coordenado do bairro, Pascoal Tiago, os 20 mil litros de água, distribuído semanalmente por um camião cisterna da Administração Mu-nicipal de Viana, não cobre as necessidades dos moradores e há semanas que o bairro não é abastecido.

“Há muita escassez de água no nosso bairro. Os 20 mil litros não satisfaz as necessidades da população. Aliás, nem todas as semanas temos o produto, o que complica ainda mais a vida dos moradores”, disse.

Para colmatar a crise de água na zona, que não possui um sistema de abastecimento da rede da Empresa Pública de Água de Luanda (Epal), os moradores, àqueles com condições financeiras, recorrem a camiões cisternas, onde adquirem um tambor de 200 litros a 1.500 kwanzas.

“Como o abastecimento de água na zona não é regular, temos recorrido a camiões cisternas, os mais desfavorecidos caminham até a centralidade do Zango 5 para obter o preciso líquido”, contou o coordenador da área.



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