Namibe - A alteração dos preços de alguns produtos alimentares de primeira necessidade registada nos mercados infomais, armazéns e algumas lojas a retalho, neste período do estado de emergência que o país vive, preocupa os consumidores que clamam por uma fiscalização atuante.

Fonte: JA
No mercado do 5 de Abril, o maior da cidade de Moçâmedes, o quilo de açucar está a ser comercializado a 400 kwanzas, a farinha de milho a 350, feijão 1.200, o litro de óleo alimentar 1.000 e o arroz a 350, preços que sofreram um aumento, comparativamente ao mês transacto, de acordo com a compradora Esther Jongolo.

“Os preços estão a subir cada dia que passa, isso nos preocupa muito enquanto donas de casa, principalmente neste período que somos obrigados a ficar todos em casa.” Maria Bernarda, outra consumidora interpelada pela nossa reportagem, defende uma fiscalização à altura das exigências para a regularização dos preços e desmotivar todos os vendedores que especulam, dificultando a vida de muita gente.

”As autoridades devem fazer alguma coisa e não deixar que os vendedores aproveitem-se da situação que vivemos para prejudicar o bolso do cidadão”.
A funcionária pública Judith Henda disse ser obrigada, muitas vezes, a consultar os preços dos vários mercados informais, nos bairros Eucaliptos, Mandume e Valódia, para poder comprar o que precisa a preços baixos.

“Os preços dos produtos alimentares de primeira necessidade, como arroz, massa alimentar, farinha de milho, óleo, açucar e outros devem estar ao alcance do bolso de todos. Se os funcionários públicos têm dificuldades financeiras para adquirir estes produtos, como é que ficam aquelas pessoas que tem rendimentos baixos, principalmente nesta fase que se aconselha a ficar em casa?”, questiona a cidadã.

“Para a vendedora de farinha de milho do mercado 5 de Abril, Ana Cuiela, a subida do preço do produto que vende deve-se a dificuldades na transportação e também ao preço de compra. “Adquirimos o saco de 50 quilogramas de farinha de milho a 15 mil kwanzas, na provincia da Huila, para podermos ter lucros, temos que vender um quilo a 350 kwanzas”.

Com a introdução das medidas de alívio do impacto da covid-19, que permite a circulação de veículos de transporte de mercadorias e a abertura dos mercados informais e ambulantes, de terça-feira a sábado, das oito as treze horas, regista-se um aumento considerado do volume de negócios e uma maior procura dos bens alimentares provenientes do campo por parte dos consumidores.

Nos armazéns de venda a grosso, os preços não sofreram alterações, mas houve um aumento considerável na procura dos produtos da sexta básica principalmente por parte dos consumidores e retalhistas, de acordo com um Mohamed Hamed, um dos responsáveis da fornecedora Angoalissar.
“Continuamos a comercializar o saco de arroz de 25 quilos a 12.500 kwanzas, caixa de massa alimentar a 4.200 e a farinha de trigo nove mil. Não alteramos os preços; o que estamos a registar nos últimos dias é a escassez de algum produto devido a procura que aumentou consideravelmente neste altura em que as pessoas ficam em casa”.

Medidas de segurança

Na loja Laurinda Comercial, situada no centro da cidade, os produtos também não sofreram qualquer alteração, mas há pouca clientela nesta altura, segundo Clara Trindade, gestora da loja. “Continuamos a comercializar normalmente os nossos produtos, principalmente os do campo, mas a procura baixou muito”. Quanto ao cumprimento das medidas de biossegurança, o estabelecimento dispõem de alcool em gel para a desinfecção das mãos dos clientes e trabalhadores, e o uso de mascaras é obrigatório.

Kersey Costa, gerente de uma das lojas do grupo comercial Sicopal, o maior vendedor de produtos do mar, de pesca desportiva e de sementes, pesticidas e fertilizantes, disse que só se fala em alteração de preços no seu estabelecimento comercial quando a loja adquire novos produtos ou são actualizados, tendo em conta o desenvolvimento económico e financeiro da província e do país no geral.

Naquele estabelecimento comercial, o preço da caixa de caranguejo varia de três mil a cinco mil kwanzas. A caixa de peixe carapau grande custa 15 mil, de cachucho 13 mil e sardinha vai de sete mil a 10 mil kwanzas. “A procura baixou, estavamos fechados por força do decreto presidencial sobre o estado de emergência, mas com as medidas de alívio reabrimos e os nossos clientes estão vindo aos poucos. Existe uma concorrência muito grande no mercado do peixe, mas temos clientes que apostam na nossa qualidade.”

Os 50 por centos da força de trabalho, a dispensa dos mais-velhos, o uso obrigatório de máscaras por parte dos clientes e trabalhadores e a lavagem das mãos à entrada do estabelecimento estão salvaguardadas, de acordo com Kersey Costa. As indústrias voltaram a funcionar, mas desta vez com 50 por cento da mão-de-obra, cumprindo com as orientações baixadas pela comissão multisectorial para o combate a pandemia causada pela Covid-19.

Os preços do material de construção também registaram algumas alterações nas principais lojas de venda destes bens, assim como no mercedo informal. O preço do saco de cimento varia de 2.700 a 2.300 kwanzas, registando uma descida considerável comparativamente ao praticado no mês de Janeiro.



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