Luanda - A Covid-19 obrigou à suspensão da indústria de diamantes de Israel, uma das mais importantes em todo o mundo, resultando numa quebra no comércio de 90 por cento e na perda de 300 milhões de dólares de lucro. Em Angola, o setor também estima uma quebra na produção de 20 por cento.

Fonte: Lusa

Israel detém um dos mais importantes mercados de comercialização de diamantes em bruto de todo o mundo, mas a crise da Covid-19 provocou uma quebra no comércio de 90 por cento em comparação com o ano anterior, o que resulta num prejuízo estimado de 1,5 mil milhões de dólares em março e abril.

 

A economia israelita está a ser desbloqueada com o levantamento gradual das medidas de restrição, mas para a indústria de diamantes o regresso à normalidade está ainda longe de acontecer. As recomendações de distanciamento social tornam impossível a reabertura das fábricas e a retoma dos negócios deste setorSegundo Dvash revelou à agência Reuters, o setor – responsável por cerca de nove por cento dos produtos exportados em 2019 – perdeu cerca de 300 milhões de dólares de lucro devido à crise.

 

“Não há dinheiro a vir de lado nenhum”, lamentou à Reuters Yoram Dvash, director da Israel Diamond Exchange. “As fábricas na Índia, Israel e Bélgica não estão a funcionar, então não há muito produto no mercado”, acrescentou.

 

Segundo o RapNet Diamond Index, os preços para diamantes de um quilate baixaram oito por cento este ano. Em termos de volume, um relatório da Rapaport Research prevê que a produção bruta global em 2020 caia 16 por cento, para 119 milhões de quilates. A nível de valores estima-se uma quebra de 29 por cento, equivalente a 8,5 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde a recessão de 2009.

Angola prevê quebra de 20 por cento

O impacto da pandemia na indústria de diamantes vai para além de Israel. Angola, por exemplo, perspetiva uma redução de 20 por cento da produção de diamantes este ano, na ordem dos dez milhões de quilates.

 

“Nós tínhamos previsto inicialmente produzir cerca de 10 milhões de quilates para este ano e temos estado a ajustar, pensando que este período bastante complicado possa estar resolvido dentro dos próximos quatro meses (…) Consideramos neste momento uma redução da produção na ordem dos 20 por cento, o que significa que nos devemos situar nos oito milhões de quilates pelo menos”, anunciou esta sexta-feira o presidente do conselho de administração da ENDIAMA, Ganga Júnior.

 

Ganga Júnior salientou que, neste momento, todas as minas estão a funcionar, mas as vendas de diamantes estão paradas:

 

“Não há mercado neste momento. Para todas as minas reduzimos a intensidade de exploração, até porque não é possível neste momento termos 100 por cento dos trabalhadores, uma boa parte deles está em casa”.

 

O responsável da concessionária de diamantes em Angola já olha para o período pós-pandemia e revela que a meta de Angola é tornar-se, até 2022, no terceiro maior produtor mundial de diamantes, atingindo o patamar dos 14 milhões de quilates anuais.

 

“Continuamos com esse objetivo, não obstante as circunstâncias atuais da Covid-19, mas pensamos que é passageiro, vai passar. As perspetivas de mercado para longo prazo apontam para a continuidade da procura de diamantes e pensamos que vamos conseguir”, disse o presidente do conselho de administração da ENDIAMA.

 

“Estamos com a sensibilidade necessária para nos ajustarmos a esta realidade do covid-19”, concluiu Ganga Júnior.

 



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