Luanda - A Associação Industrial de Angola (AIA) defende o alargamento da base tributária a todos os cidadãos, para que "possam exigir mais ao Estado", e a atribuição de cheques às famílias angolanas que queiram regressar ao campo.

Fonte: Lusa

Em declarações à Lusa, José Severino mostrou-se preocupado com a situação de grande parte das empresas que só dispõem de 'cash flow' (fluxo de caixa) suficiente para pagar um ou dois meses de salário.

 

"É necessário que haja circulação de dinheiro na economia. As resoluções dos problemas não passam só pelo investimento e sim por injeção de liquidez, é isso que pedimos. Neste momento precisamos de liquidez, liquidez, liquidez, para não deixarmos morrer os que sobreviveram", salientou o responsável da AIA.

 

"Sabemos que o Governo tem as suas limitações, por isso, o que propomos é que a política tributária seja incisiva, onde há mais acumulação de riqueza, mas abranja todos os que participam de alguma forma na economia e devem fazer uma contribuição mínima", adiantou José Severino.

 

O presidente da AIA considera que é necessário alargar a base tributária para que "todos paguem", sublinhando que este "imposto de cidadania" permitiria também que os cidadãos fossem mais exigentes perante o Estado.

 

Com uma inflação "sufocante" e baixos níveis de consumo devido aos problemas de desemprego e pobreza, José Severino sustentou que Angola precisa também de resolver os problemas de "hiperurbanização desestruturada" que se verifica em algumas cidades e sugeriu a atribuição de cheques de 3 a 4 mil dólares (2,7 a 3,6 mil euros) para "convidar" as famílias angolanas a regressar ao campo.

 

O responsável da AIA sublinhou que a crise que se verifica desde 2018 se agravou devido aos efeitos da pandemia de covid-19 que provocou uma queda acentuada dos preços do petróleo, criando dificuldades adicionais para um país que assentava nesta matéria-prima os seus fluxos cambiais e fiscais.

 

Na terça-feira, a direção da AIA apresentou estas propostas num encontro com o Banco Nacional de Angola (BNA) onde foram abordados temas relacionados com a análise do impacto da covid-19 na economia nacional.

 

Na reunião foi também dado realce ao apoio necessário para o setor de produção, de forma a aliviar as pressões sobre as tesourarias das empresas e permitir a continuidade das atividades e a manutenção dos postos de trabalho, segundo um comunicado divulgado no site do BNA.

 



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