Luanda - A realidade das políticas governativas Africanas não correspondem a exploração da diversidade e quantidade de recursos minerais do continente para o bem estar do Povo, este fenómeno pode parecer mais complexo do que uma análise simplista do egoísmo e a tirania do poder político. 

Fonte: Club-k.net

Angola não é uma realidade atípica da situação Africana, na medida em que é um País com abundância em recursos naturais cuja a sua receita advém maioritariamente da exportação do ouro negro ( petróleo), o que lhe garante o lugar de quinta maior economia de Africa, segundo os dados estatísticos do banco central e com uma incidência de pobreza de 41% da população afectando perto de 12 milhões de Pessoas, segundo o relatório de receitas, despesas e emprego em Angola (IDREA 2018-2019) do Instituto Nacional de Estatística. Estamos a falar de quase metade da população com receita média total por via laboral estimada em 15 mil Kwanzas e por via não laboral estimada em 3 mil Kwanzas mensais equivalente actualmente no mercado formal a 26,65 e 5,32 dólares norteamericanos respectivamente. 

 

Segundo Catherine Vidrovitch “ os dramas Africanos são demasiado frequentes para ser fruto do acaso”. A situação do continente não é fruto do acaso, por um lado os lideres Africanos responsabilizam o Ocidente pelas suas desgraças e alguns chegam mesmo a solicitar uma indeminização, e ,por outro, o Povo Africano responsabiliza os seus líderes pelo fracasso nas políticas sociais e económicas. Entre as duas classes existe um ponto em comum, ambas furtam-se da responsabilidade pela situação actual do continente, embora possamos admitir a influência dos actores que eles acusam. 

 

A percepção dos Africanos sobre o seu habitat é fundamental, no sentido de verificar a existência de uma leitura correcta nos objectos que os rodeam através dos cinco sentidos como visão, audição, tato, paladar, e olfato. Está leitura é possível por intermédio do realismo directo científico que descreve que as propriedades de um objecto possui quando percepcionado, depende do sujeito perceptual e os objectivos percepcionados não podem ser concebidos como se conservassem as propriedades. 

 

O realismo directo científico pode ser primário ou secundário segundo a distinção do filósofo John Locke, o primeiro trata-se da forma, tamanho, posição, número, movimento e a solidez. O secundário são qualidades que dependem efectivamente de um sujeito perceptual e nelas se incluem propriedades como a cor, cheiro e a textura palpável. A descrição científica dos objectos no mundo simplesmente ignora o realismo directo científico secundário, porque estás propriedades não devem ser vistas como propriedades que os objectos possuem, mas como dependentes da percepção de cada um. Por exemplo: os poemas que descrevem a natureza, como as rosas vermelhas ou o sol pelo brilho, demonstra que os poetas estão completamente enganados, por se tratar de uma descrição por intermédio de seus cinco sentidos. Porque a verdadeira natureza não tem som, cheiro ou cor. Desta forma podemos compreender as ilusões da mente humana como idealismo. Por exemplo: Um lapís em um copo de água, dá-nos a sensação que está partido mas na verdade não está, é o efeito das ilusões proporcionada pelo os cinco sentidos. 

Segundo Karl Marx “ não é a consciência do homem que transforma o meio social, mas sim o meio social que transforma a consciência do homem”. Para o Povo Africano, o cepticismo dos seus governantes sobre a avaliação sócio-económica de seu Povo, é alarmante, podemos mesmo considerar que trata-se de uma percepção de realismo ingénuo, ou seja, uma leitura da realidade anacrónica, onde não há alteração das propriedades dos objectos na natureza proporcionada pela percepção humana. O que suscita dúvidas e pode ser encarada como uma estratégia promovida pela ideologia para modificar a percepção do governando sobre a sua realidade. 

Como explicar a continuidade de governos Africanos centralizados em pleno seculo XXI ou a continuação dos discursos de José Eduardo Dos Santos sobre diversificação da economia no Século XX? Enquanto por um lado no século XIX o filósofo John Stuart Mill descrevia as democracias extremamente burocrátivas e centralizadas como Estados que acreditavam em um líder do executivo com super poderes, um deus humano, que poderia resolver todas as situações do seu território em 24 horas, como nos é familiar na cidade de Luanda para a necessidade de asfaltar um via ou tapar um buraco depender do poder central, e por outro lado a continuidade dos discursos de diversificação da economia em Angola em pleno século XXI e a não alteração do quadro como demonstra a continuidade das baixas dotações orçamentais para o sector agrário que foi apontado como o principal para a diversificação. 

Segundo John Stuart Mill existem três critérios fundamentais para o estabelecimento da democracia nos Estados, Primeiro; a aceitação do Povo, segundo; a vontade do povo para a sua perseveração e terceiro; a percepção do Povo sobre os seus deveres e suas responsabilidades. Se a terceira condição não se cumprir, dificilmente poderá se estabelcer uma democracia porque o cidadão não saberá os seus deveres e responsabilidades, caso para pensarmos sobre a intenção da permanência deste quadro. 

Mas nem todas as responsabilidades podem ser apontadas pela classe política, embora se duvide das suas verdadeiras intenções. A concupiscência dos governados deve ser levada em conta, pois estes não podem ser considerados meros animais irracionais, apesar de todas as limitações que lhes são impostas pelo o débil sistema de ensino e aprendizagem. Epistemologicamente existem três condições para o conhecimento, que consistem na crença, justificação e verdade, este último pode ser constatado pelo conhecimento a posteriori que é um conjunto de experiências adquiridas pelo homem e a humanidade e o conhecimento a priori que é o conhecimento auto evidente sem precisar de justificativa. 

Se nos focarmos no conhecimento a priori podemos dizer que é verdade que 2+2=4 ou que a soma dos dois lados inferiores de um triângulo rectângulo é igual ao quadrado da hipotenusa segundo o teorema de pitágoras, estás são verdades que podem ser facilmente comprovadas para um certo nível de percepção ou ainda se reduzirmos o nível de percepção, podemos facilmente compreender que um homem solteiro é um homem não casado. 

Nesta perspectiva podemos facilmente compreender pelo conhecimento por aptidão e potencial inato que os Angolanos possuem, que o discurso de diversificação da economia já vem do século passado, que o Banco Poupança e Crédito será novamente recapitalizado, que além da implementação do imposto de Valor Acrescentado aumentou-se o imposto sobre o rendimento de trabalho, que após 18 anos de paz a mortalidade infantil é um problema a resolver, que a malária ainda é uma das maiores causas de morte e que os Angolanos pobres que representam metade da população vivem com menos de um dólar por dia. Portanto apesar das situações adversas que tem experimentado o Povo continua a responsabilizar o poder político, sem perceber as suas responsabilidades e deveres. 

No plano continental, os Africanos devem entender-se sem a influência da Comunidade Internacional ou qualquer outra organização estrangeira, pelo que é imperativo compreender que qualquer influência desta natureza poderá perigar a sua soberania. 

Actualmente podemos olhar para os governos Africanos como falsas democracias, Angola não é diferente, mas isso não significa dizer que não haverá mudança. A revolução não deve ser olhada como uma solução para a mudança, a história demonstra que os resultados das revoluções são piores que as situações mantidas anteriormente. 

A solução para o continente deve passar por entendimento entre governantes e governados de forma encontrarem um consenso que pode satisfazer ambas as partes, para o desenvolvimento sócio-económico do continente que satisfaça as necessidades de seu Povo. 

Hermenegildo Coelho.
 Engenheiro Civil; Pós-Graduado em Pedagogia de Ensino Superior; Mestrando em Gestão Pública e Políticas de Desenvolvimento Territorial. 

 



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