Luanda - Uíge recebeu nesta terça-feira, o seu 17° Governador Provincial. Aos 40 anos, Sérgio Luther Rescova Joaquim, entra para a história como o mais jovem governador daquela província, sua terra natal.

Fonte: Club-k.net

De Ambrósio Lukoki a Paulo Pombolo

Desde 1975 já dirigiram a província do Uíge os seguintes politicos: Hoch Min, Simão Bráz, Ambrósio Lukoki, Massunga Kota, Lamvo Emmanuel Norman, Manuel Quarta Punza, Zeferino Estevão Juliana, Domingos Mutaleno, Jeremias Dumbo, José Aníbal Lopes Rocha, Serafim Cananito Alexandre, Cordeiro Ernesto Nzakundomba, Lázaro Xixima, António Bento Cangulo, Mawete João Baptista, Paulo Pombolo, e até poucos dias, Pinda Simão.

 

Entre os 16 Governadores que passaram por aquela província, destaque recai para Aníbal Rocha e Paulo Pombolo que deixaram no Uíge um legado de transformação e desenvolvimento social sem precedentes.

 

Nomeado para o cargo em 1991, Aníbal Rocha governou o Uíge num dos períodos mais conturbados da história do País. A guerra civil estava no auge, mas Aníbal Rocha trabalhou com afinco na melhoria do saneamento básico da cidade do Uíge, asfaltagem de algumas ruas e manutenção da administração do Estado nos municípios do interior da província sob cerco da UNITA. Pelo seu empenho notável, Aníbal Rocha viria a ser exonerado do cargo de Governador para exercer em Luanda as funções de Ministro da Administração do Território, substituindo Paulo Cassoma. Até hoje é lembrado como o propulsor do desenvolvimento e garante da dignidade dos Bacongos do Uíge.

 

Catorze anos depois foi a vez de Paulo Pombolo governar o Uíge. Coincidentemente, Paulo Pombolo deixava a Direcção Nacional da JMPLA as mãos de Luther Reskova que agora também assume o cargo de Governador no Uíge.

 

Por ter ficado na direcção da província por quase nove anos, foi no seu mandato onde aconteceram a maior parte dos grandes projectos de grande impacto social que Uíge apresenta actualmente. Paulo Pombolo conduziu o processo de transformação da economia da província que procurava deixar a condição secular de agricultura de subsistência para uma agricultura mecanizada, com produção em grande escala virada para o mercado. Para isso, Paulo Pombolo orientou a criação de centenas de cooperativas agrícolas, organizou várias feiras agroindustriais e patrocinou vários fóruns de negócios e investimentos para a província.

 

Durante o seu mandato, a malha rodoviária intermunicipal foi reconstruida. As estradas que ligam doze dos dezasseis municípios que compõem a província foram asfaltadas, ficando por concluir as estradas que facilitam a circulação nas zonas de Quitexe-Ambuila, Bembe, Milunga e Buengas.

 

Entre outras coisas, o Uíge passou a ter uma Universidade de referência (UNIKIV) com duas faculdades e um instituto superior politécnico e orgulha -se de ter a única centralidade construída no norte do País - Cabinda e Zaire não foram beneficiadas.

 

Entretanto, depois de ter abandonado o cargo, Paulo Pombolo, foi alvo de acusações que davam conta de que teria desviado autocarros públicos da província, informações refutadas dias depois pela directora local dos Transportes e Telecomunicações, Domingas Rocha, sublinhando, em conferência de imprensa, que a informação veiculada numa das reportagens da TPA, que referia que 10 autocarros estavam escondidos numa fazenda, não correspondia à verdade, tendo em conta que a suposta fazenda se tratava afinal do estaleiro da empresa denominada Camalela.

 

Ainda assim, dezasseis governadores depois, o povo do Uíge não está conformado com o actual estágio de desenvolvimento da província que, em abono da verdade, reflecte um pouco a imagem das restantes provincias do País, caracterizadas por obras inacabadas e projectos sociais não implementados.

Pelo que, desejamos boa sorte a Luther Reskova.

 



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